Se no ano passado, Pânico reviveu o terror slasher de sucesso nos cinemas, Pânico 6 (Scream VI) confirma que uma das franquias mais queridas do gênero continua com potência. Os personagens novatos se consolidam nesta sequência, enquanto os originais ganham espaço em uma satisfatória participação especial.
O filme injeta humor e críticas sociais e ao cinema, junto ao mistério sobre a identidade do assassino, alimentado por situações que pode enganar os olhos do espectador. Enquanto isso, somos surpreendidos por um Ghostface ainda mais agressivo, que entrega cenas mais sangrentas, perseguições angustiantes e mortes violentas que dão aquele frio na barriga gostoso de sentir. Pânico 6 tem prós e contras, mas, no geral, é uma sequência que irá agradar os fãs, dando abertura para continuar esta história.
Com o retorno de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillet na direção, Pânico 6 se passa meses após os eventos de Pânico 5, em que acompanhamos o quarteto principal – Samantha, Tara, Mindy e Chad – deixando Woodsboro para trás e recomeçando suas vidas em Nova York, com novas oportunidades e amizades. Mas os medos e as assombrações continuam e isso vai persegui-los até a cidade da maçã, causando novos perigos, novas mortes e distorções sobre a verdade por trás de tudo.
Pânico 6 começa com a famosa sequência inicial em que temos a primeira tradicional morte de um dos personagens. A fórmula segue a mesma, continua boa, angustiante e é ainda mais visceral, acrescentado de uma boa sacada em revelar o culpado por esta morte, indicando que há muito mais por vir e mais de um Ghostface irá aterrorizar todos.

Com esta morte, seguida por mais dois ataques brutais, o perigo volta a assombrar Sam que, desde do último evento, tenta se reerguer e reconstruir sua vida, enquanto lida com o seu passado e protege a irmã o tempo todo, um ponto que deixa Tara irritada por perder seu espaço e independência. No entanto, o fato de ser filha do famoso serial killer Billy Loomis, fará com que Sam enfrente novos desafios e acusações falsas, enquanto lida com a chegada de um novo assassino que deseja destruir a sua vida de uma vez por todas.
É importante ressaltar que é necessário assistir a franquia para entender a atual história, especialmente os filmes Pânico 2, 4 e 5, que são fortemente conectados com esta nova trama. Dito isso, esta sequência, no geral, é ainda melhor que o anterior, por saber exatamente onde está pisando, reforça os personagens novos já introduzidos neste universo, enquanto os veteranos revisitam para alimentar a nostalgia e oferecer algo a mais.
O primeiro ponto positivo é a narrativa que, novamente, faz conexões com a franquia, além de zombar de si mesma, tentando seguir o que já existe, ao mesmo tempo que apresenta elementos novos para dar aquele frescor à nova história. Isto é nitidamente confirmado nos diálogos em que o quarteto, ao lado dos novos amigos, inicia uma análise profunda para saber quem é o novo assassino, sua motivação para se tornar o Ghostface e ter a Sam como alvo principal.
Além disso, a história abre portas novamente para criticar a cultura do fandom, se aprofundando ainda mais sobre a questão do fanatismo e como esta admiração pode se tornar uma paixão doentia, culminando em agressividade, violência e, até mesmo, vingança, como vimos no filme anterior. Mas, para não ficar somente nisso, Pânico 6 ainda adiciona críticas sobre a cultura do cancelamento e a fake news espalhada pela internet, que são elementos que alimentam ainda mais as circunstâncias deste novo mistério, o que surte um efeito positivo no desenvolvimento da história.

Junto a isto, é claro que o filme não poderia deixar de fazer jus ao gênero terror slasher. Se você já achou Pânico 5 um pouco mais pesado neste quesito, esta sequência entrega cenas ainda mais fortes, violentas, agressivas e sangrentas, em que as mortes ficam ainda mais gráficas na tela. Lembro que a morte do personagem Wes já tinha sido desta forma e, aqui, praticamente todos os ataques são extremamente brutais, em que o espectador acompanha cada facada que o Ghostface dá em suas vítimas, sem dó e piedade, cuja faca caminha pelas entranhas da pessoa, que agoniza instantaneamente a sua frente, enquanto a esperança pela sobrevivência diminui à medida que o sangue jorra pelo corpo.
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Outro ponto interessante e importante para prestar atenção é com relação ao Ghostface, uma vez que ora ele usa uma máscara mais velha e desgastada; ora ele usa uma máscara nova. Além de confirmar que há mais de um assassino – fórmula já tradicional da franquia – tal detalhe também acrescenta outras válvulas para trazer novidades à trama, além de revisitar o que já foi visto.
Isso é apenas um detalhe em meio aos outros que Pânico 6 acrescenta na história. A narrativa também desenvolve situações e introduz elementos, pistas e personagens que vão servir para alimentar as circunstâncias e, assim, aumentar a desconfiança tanto dos protagonistas quanto do espectador sobre o que estão vendo. Tal técnica é interessante, engana os olhos, ao mesmo tempo que começa a dar indícios sobre a identidade do assassino. Quem for fã assíduo da franquia, pode ser que até já saiba como será o desfecho; mas também quem prestar atenção nas pequenas dicas, obterá a resposta mais cedo do que imagina.
Um exemplo de elemento que alimenta as circunstâncias e a desconfiança, como também serve como momento nostálgico é a cena do santuário do Ghostface, com os objetos principais dos assassinos anteriores usados em todos filmes, e como isso deixa os personagens sobreviventes vulneráveis por tudo o que já passaram, mas também os ajudam a encontrar a resposta ao que está acontecendo.
O filme também acerta na atmosfera de suspense com sequências em que o Ghostface observa, conversa no telefone e persegue suas vítimas, como a sequência no mercadinho com Tara e Sam; a incrível sequência na casa de Gale; a cena no apartamento das meninas; e, é claro, a icônica sequência do metrô, uma das minhas favoritas. Inclusive, o trailer enganou em alguns pontos e achei isso bom.
Personagens

Claro que não dá para falar de Pânico 6 e não falar dos personagens. O filme anterior trouxe de volta o trio original da franquia (Sidney, Gale e Dewey) que deu o gás necessário para reviver esta história nos dias atuais, passando o posto principal aos novos personagens que ganharam uma boa introdução.
Nesta sequência, vemos o quarteto principal se consolidar, fazer jus ao posto que foi dado a cada um e carregar positivamente o legado Pânico. O exemplo mais perfeito é a atriz Melissa Barrera, que entrega uma atuação mais potente e confortável, se comparado a sua primeira vez em Pânico 5.
Mesmo tentando se reerguer, Sam ainda sente medo por ser quem é, carregando o fardo de ser filha de Billy e questionando se o instinto assassino pode mesmo moldá-la para sempre. Além disso, tal insegurança serve de gatilho para lhe atingir, seja pelas mentiras espalhadas e as acusações moldadas por fake news, a fim de destruir a sua personalidade. Melissa segura bem as pontas e se consolida como nova ‘final girl’, assim como a Sidney.
A atriz Jenna Ortega também se estabiliza no universo e carrega bem tanto a personagem quanto o filme. Ao mesmo tempo que o perigo retorna para sua vida, Tara deseja e persiste em levar uma vida normal, com faculdade, amigos e um romance à vista. Mas quando o mal atinge a todos em níveis mais catastróficos, não tem como escapar disso e a vida normal precisa ser deixada de lado temporariamente. Mas, a Tara pode irritar um pouco no início (como me irritou), melhorando no decorrer da história.

Outra dupla que chama a atenção é o Chad (Mason Gooding) e a Mindy (Jasmin Savoy Brown), e se eles já haviam conquistado o público no filme anterior, nesta sequência ambos reforçam tal sentimento e confirmam o quão queridos se tornaram ao ponto de torcemos para que nada aconteça com os dois. Aliás, uma dica que dou é levar em consideração o que a Mindy fala, uma personagem que vai diretamente ao ponto, cujas desconfianças não devem ser desconsideradas.
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Dos novos personagens temos Anika (Devyn Nekoda), namorada de Mindy; Laura (Samara Weaving), a professora de Cinema da faculdade; Jason (Tony Revolori), amigo de Tara; Danny (Josh Segarra), o vizinho da Sam; Dr. Christopher Stone (Henry Czerny), terapeuta de Sam; Quinn (Liana Liberato), nova amiga de quarto de Sam e Tara; Ethan (Jack Champion), amigo do quarteto e colega de quarto de Chad; e o detetive Baily (Dermot Mulroney), encarregado de investigar a nova série de assassinatos e descobrir a identidade do Ghostface.
Mesmo sendo coadjuvantes, todos estes novos personagens ganham um bom espaço e tem um papel relevante em algum aspecto do filme, o que vai ajudar a criar tais circunstâncias, inflar e camuflar o mistério até se chegar na verdade. Todos são suspeitos e vítimas, e cabe a cada espectador julgar a partir dos detalhes apresentados.

Dos personagens originais, temos o retorno de Courteney Cox como a incrível Gale Weathers, cuja participação é menor e mais pontual. Ainda assim, a sequência de Gale é visceral, na qual faz a gente temer pelo pior, criando uma atmosfera de angústia em torno dela. Dois pontos interessantes é que o filme debocha pelo fato dela não ser a protagonista (mesmo ela sendo desde o início); e também justifica a ausência de Sidney nesta nova trama. Então, não se preocupem, pois o longa entrega respostas contundentes, mas sempre deixando as portas abertas para futuros retornos.

Outra participação especial que muitos desejaram é o da Kirby, interpretada pela atriz Hayden Panettiere, que apareceu em Pânico 4. Atualmente, Kirby trabalha no FBI e, por conta disso, se envolve no novo caso sobre o Ghostface, um trauma na qual ela carrega até hoje, fazendo questão de levar a investigação até as últimas consequências. E tal obsessão da personagem cria uma bifurcação em sua personalidade, cuja desconfiança é novamente alimentada.
No entanto, Kirby é uma personagem que merecia ter ganhado uma atenção maior e melhor, já que o filme a coloca em uma posição interessante para deixar o mistério mais confuso. Mesmo assim, a história não aproveita a Kirby como deveria e ainda a esquece novamente na reta final, como fizeram em Pânico 4. Além disso, ela poderia ter um envolvimento maior com os protagonistas, especialmente com a Mindy já que suas personalidades são semelhantes.
Considerações finais

A reta final de Pânico 6 é totalmente voltada para revelação da identidade do Ghostface e, é claro, de seus cúmplices, afinal, nunca é somente um. A sequência é boa, angustiante e brutal, gerando mais ataques e novas mortes. Com relação à motivação, as razões que movem o assassino são condizentes, justificáveis e cabíveis dentro da trama. No entanto, vai de cada espectador em digerir, compreender e aceitar ou não tal motivação.
Além disso, Pânico 6 deixa uma porta aberta para uma nova história que, por sinal, está confirmada. Pânico 7 segue em desenvolvimento e com gravações previstas ainda para este ano. E não saiam logo da sala do cinema, pois o filme tem uma cena pós-crédito bem ao estilo Pânico. E é só isso que irei dizer.
Pânico 6 confirma a força desta franquia de terror slasher de sucesso; utiliza da mesma fórmula narrativa adicionando novos elementos que dão frescor à trama; reforça o tom violento com cenas brutas e sangrentas, aumentando a angústia com doses pontuais de suspense; e consolida os novos protagonistas que seguram bem as pontas e carregam o legado Pânico positivamente.
Ficha Técnica
Pânico 6
Direção: Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillet
Elenco: Melissa Barrera, Jenna Ortega, Mason Gooding, Jasmin Savoy Brown, Courteney Cox, Hayden Panettiere, Jack Champion, Henry Czerny, Liana Liberato, Dermot Mulroney, Devyn Nekoda, Tony Revolori, Josh Segarra, e Samara Weaving.
Duração: 2h3min
Nota: 4,0/5,0