O 4º episódio ‘Por Favor, Segure a Minha Mão’ de The Last Of Us, é o mais morno da série até este momento, e o mais curto, cuja duração (45 minutos) passa em um piscar de olhos diante da boa fluidez e da forma como a história continua a prender a atenção. Mesmo com pouco a contar, é o suficiente para apresentar novos gatilhos a serem vistos e desenvolvidos mais a frente.
No episódio desta semana é ambientado em uma road trip que ajuda a estreitar a relação de Joel e Ellie, aproximando os dois com mais força. Novamente, The Last Of Us prova que a adaptação do videogame não está apenas em retratar combates, brigas, lutas e mortes em um mundo pós-apocalíptico como costuma-se fazer. Vai além disso e, como vimos com o relacionamento de Frank e Bill, desta vez, temos um aprofundamento maior sobre o sentimento paternal e afeto entre os protagonistas, na qual desejamos desde o primeiro encontro.
A viagem de carro pode não ter muito a oferecer à primeira vista, mas engana-se quem não tiver um olhar mais atento, ou esteja completamente desconexo com os personagens. A pequena jornada aumenta a conexão de Ellie e Joel nos pequenos detalhes e diálogos que ganham uma veia cômica neste episódio, como a cena em que Ellie encontra uma revista sugestiva no carro, que pertencia a Bill (acredito que esta cena também está no jogo). Isso leva o espectador ao riso, uma vez que Ellie fica surpresa com o que vê nas imagens, enquanto Joel se vê em uma saia justa ao tentar explicar sobre o que se trata e que menores não deveriam ter contato com este conteúdo.
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Por mais engraçado que seja, o significado desta cena nos leva a compreender de que a série está fortalecendo os laços entre os dois, na qual Joel passará a ver Ellie com outros olhos, despertando novamente o seu lado paternal, como já está sendo visto.

Além desse, há outros pequenos momentos que exemplificam e aumentam ainda mais esta conexão, como as tentativas de Ellie em fazer Joel sorrir ao contar piadas ruins e divertidas, o que faz o próprio público ficar feliz ao presenciar a quebra de gelo entre os dois; Joel cede ao contato aos poucos, enquanto Ellie mostra a pequena felicidade por esta conquista por ter alguém ao seu lado na qual ela se importa e isso seja recíproco, um sentimento que, talvez, a personagem desejara por muito tempo desde que se entende por gente e compreende o novo mundo que vive. Ver Joel não resistir às tentativas de sorrir e quebrar a camuflagem de turrão, sem dúvidas, é um dos momentos mais prazerosos deste 4º episódio.
Mas os perigos estão à solta e camuflados e The Last Of Us mostra que mais assustador do que os infectados, às vezes, podem ser as próprias pessoas, ao lado do poder e da ganância em querer ter tudo em meio ao quase nada. Ao cair em uma armadilha, Joe e Ellie são cercados por um grupo revolucionário do Kansas, que acreditam que sejam inimigos ou aliados de algum traidor. Outro momento que prova a conexão crescente entre ambos é o momento em que Ellie atira em um dos adversários que tenta matar Joel, mas o próprio ‘termina o trabalho’, tirando este fardo das costas da garota.
Aqui, Ellie revela que esta não é a primeira vez que mata alguém, o que faz o público entender também o motivo para ela questionar se Joel já havia matado pessoas inocentes durante o apocalipse. Apesar dela carregar um revólver a contra gosto de Joel, ele não a repreende, pelo contrário, lhe ensina a como manusear uma arma, ao mesmo tempo que não deseja que Ellie carregue mortes em sua consciência.

Enquanto tentam se esconder, o público tem o primeiro vislumbre do grupo revolucionário do Kansas, liderado por Kathleen, interpretada pela atriz Melanie Lynskey, que conta com a ajuda de Perry, papel de Jeffrey Pierce, seu braço direito. Só para relembrar, Pierce dá voz ao personagem Tommy no game. Na série, foi criado um personagem novo e exclusivo para ele. Segundo o ator, em entrevista ao Game Radar, Perry “irá revelar coisas que se encaixam à história do jogo” e isso ajudará a dar mais sentido à continuidade.
A princípio, não há muitas informações a respeito deste grupo nesse episódio. O que se sabe, até agora, é que Kathleen está à procura de Henry, um traidor e responsável por entregar a cabeça do irmão da líder ao FEDRA, resultando em sua morte. Ela acredita que Joel e Ellie sejam aliados de Henry, por isso, deseja pegá-los a qualquer custo. À primeira vista, sabemos que Kathleen pode ser impiedosa quando não tem o que quer – como vemos na cena em que ela mata o médico do grupo por acobertar um fugitivo – e acredito que ela seja capaz de ir mais além para defender o grupo.

Outro detalhe interessante é que ela guarda um segredo (dividido com Perry) a respeito de algum infectado. Na cena, vemos que os dois estão dentro de um prédio, em que o chão se move abruptamente, revelando uma possível criatura naquele espaço. É muito provável que no próximo episódio, veremos outro tipo de infectado em cena, um mais perigoso, letal e difícil de matar.
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À medida que esses arcos ocorrem juntos, The Last Of Us introduz mais dois novos personagens aos 45 minutos do segundo tempo. Na última cena, enquanto dormiam, Ellie e Joel são surpreendidos por dois jovens que pedem silêncio, enquanto apontam uma arma. Como não joguei o jogo, não sei dizer quem são, mas a curiosidade é instantânea e a expectativa para o próximo episódio é alta para saber mais sobre essa dupla.
O que acharam do 4º episódio de The Last Of Us? Excepcionalmente nesta semana, o 5º episódio da série será exibido nesta sexta-feira (10), às 23h, na HBO e HBO Max. A mudança é em decorrência ao evento SuperBowl, que será neste domingo (12).
Ficha Técnica
The Last Of Us
Série criada: Craig Mazin
Jogo criado por Neil Druckmann
Elenco: Pedro Pascal, Bella Ramsey, Gabriel Luna, Anna Torv, Merle Dandridge, Nico Parker, Murray Bartlett, Jeffrey Piecer, Nick Offerman, Brendan Fletcher, Natasha Mumba e Max Montesi.
Duração: (1ª temporada – 09 episódios)
Nota: 3,9/5,0 (4º episódio)