Um Dia de Chuva em Nova York (A Rainy Day in New York) pode ser definido como uma história de encontros e desencontros em que um único dia fará com que os personagens reflitam sobre suas vidas, revivam momentos, reavaliem seus relacionamentos, engrandeçam os seus sonhos, virem uma página para iniciar uma nova. Poderia ser bonito como descrevi e, de fato, a história promete isso ao engatar o público em uma premissa com potencial. No entanto, Woody Allen entrega um filme que poderia ter dado certo, mas erra ao deixar a trama no raso e passear sob os famosos clichês de triângulos amorosos, traições e o tradicional ‘white people problems’. Tem os seus bons momentos? Sim, inclusive o elenco é um dos motivos que faz você ir assistir, mas, no final das contas, o espectador acaba saindo insatisfeito, sabendo que esta história poderia ter sido muito melhor desenvolvida.

A comédia romântica inicia apresentando o casal Gatsby e Ashleigh, que se conheceram na universidade Yardley e namoram há pouco mais de um ano. É um casal apaixonado, especialmente por parte do rapaz. Um dia, Ashleigh recebe a notícia de que irá entrevistar o diretor de cinema Roland Pollard (Liev Schreiber) e, com isso, Gatsby fica extremamente feliz por levar a amada para finalmente conhecer a cidade de Nova York que por qual é apaixonado. Ao chegar à cidade, os desencontros e encontros iniciam, pois Ashleigh fica completamente concentrada na entrevista e aproveita as oportunidades que aparecem repentinamente para conseguir o tão esperado furo de reportagem.
Enquanto a namorada está mergulhada no trabalho, Gatsby aproveita para revisitar lugares, rever o irmão mais velho e alguns amigos e, entre uma esquina e outra, ele ajuda um amigo em uma filmagem, e lá reencontra Chan, irmã mais nova de sua ex-namorada, que acaba lhe fazendo companhia durante o resto da sua estadia. Com o cronograma da viagem arruinado, Ashleigh ganha novas experiências e descobre suas verdadeiras paixões, enquanto Gatsby reavalia sua vida e aprende que só se vive uma vez nesta caixinha de surpresa chamada vida.
A narrativa de Um Dia de Chuva em Nova York se desenvolve ao longo de 24 horas, a partir do momento em que o casal sai da universidade rumo à cidade da maçã. O filme apresenta um enorme potencial de se aprofundar nas relações humanas, refletir sobre as escolhas da vida, os tipos de relacionamentos que colocamos em nosso caminho, as experiências que nos engrandece e os sonhos que podem mudar do dia para a noite. No entanto, o filme perde a chance de desenvolver isso com maestria ao se apoiar em momentos clichês, triângulos amorosos que não fazem muito sentido, traições mal explicadas e apenas jogadas na tela e diálogos que poderiam ter a melhor função de se aprofundar em tais reflexões em um cenário grandioso e bonito, mas tal oportunidade é deixada de escanteio.

Para começar, o primeiro encontro que acontece e que promete dar grande relevância ao filme é o de Gatsby e Chan. Conhecidos de longa data, eles voltam a época em que o rapaz namorava Amy, irmã de Chan, relembrando cenas divertidas, desconstruindo uma relação em qualidades e defeitos e expelindo sentimentos guardados há tempos. A química dos dois é boa, no entanto, a todo momento Gatsby se gaba por ter namorado uma pessoa bonita, se gaba por estar namorando a melhor pessoa e isso acaba diminuindo um pouco a personagem de Chan que, por sinal, se sobressai ao lhe dar conselhos mais maduros sobre relacionamento e indiretas afiadas, além de revelar alguns sentimentos do passado escondidos até agora.
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Selena Gomez está bem no papel e acredito que a atriz deu o seu melhor na interpretação, mesmo que o roteiro não tenha lhe ajudado à altura. Outro ponto negativo é que Gomez tem uma participação menor, o que diminui as expectativas de quem queria vê-la em tela o filme todo. Para complicar um pouco mais, o final da personagem simplesmente não tem contexto. Ela some de cena, aparece para ajudar a dar o desfecho ao protagonista e o público tem que aceitar isso. É um final sem muito sentido, sem muitas explicações, desnecessário e infeliz para uma personagem cujo potencial foi desvalorizado.

É sempre muito bom ver o charme de Timothée Chalamet em cena, mas neste filme, o personagem também tem o potencial desperdiçado. Só não é por completo, pois há momentos relevantes que o salvam, como por exemplo, a difícil relação que Gatsby tem com sua mãe e, finalmente, a conversa madura, verdadeira e reflexiva que os dois têm, fazendo o rapaz reavaliar o amor de sua família e todo o carinho e proteção que ele recebeu, já que a todo momento ele reclama de sua vida, mas não deixa de lado os prazeres e o conforto que o dinheiro lhe dá. É o famoso ‘white people problems’. No entanto, Chalamet prende a nossa atenção por criar uma química doce e atrativa tanto com a Selena Gomez quanto com a Elle Fanning.

Aliás, quem realmente salva o filme é a personagem Ashleigh (Fanning) que constrói uma ótima sequência de encontros e desencontros em que ela mergulha nas situações e não está nem aí para quais serão as consequências. Ao entrevistar Roland Pollard, ela não só consegue um grande furo de reportagem, como inicia uma caçada pela cidade para encontrar o diretor de cinema que está sofrendo uma grande crise devido ao novo filme, colocando tudo a perder. Ela sai em busca de ‘Rollie’ ao lado do empresário Ted Davioff, interpretado por Jude Law, e a partir daí ela encara situações divertidas que a fazem não só ganhar novas experiências, como aflorar ainda mais sua personalidade que, desde o começo, atrai a todos.
O restante do elenco serve apenas como peça para as cenas importantes dos três protagonistas, especialmente a de Fanning. No entanto, a maior parte é mero coadjuvante e algumas situações são descartáveis, já que não acrescentam em nada no filme, como o fato do personagem de Jude Law descobrir algo sobre sua esposa.
Considerações finais
O final traz apenas um desfecho considerável apenas para Ashleigh, mas que fica entreaberto. Tanto para Gatsby quanto para Chan, como disse anteriormente, o final é aleatório devido à ausência de uma contextualização melhor no meio do filme.
Um Dia de Chuva em Nova York lhe atrai pelo ótimo elenco e uma premissa interessante e com potencial, mas que derrapa com um desenvolvimento raso, salvando-se em pequenos momentos de um personagem e outro.
Ficha Técnica
Um Dia de Chuva em Nova York
Direção: Woody Allen
Elenco: Timothée Chalamet, Selena Gomez, Elle Fanning, Jude Law, Liev Schreiber, Diego Luna, Rebecca Hall, Kelly Rohrbach, Suki Waterhouse, Annaleigh Ashford, Cherry Jones e Griffin Newman.
Duração: 1h32min
Nota: 5,0