Ben Affleck e Alice Braga protagonizam Hypnotic – Ameaça Invisível, um filme de ação e mistério que caminha em uma previsibilidade proposital e entrega curvas que surpreende, mas que ainda permanecem em uma zona de conforto que até funciona. Não é um filme perfeito, mas sabe entreter junto com um bom elenco que prende a atenção.
Com direção de Robert Rodriguez, Hypnotic – Ameaça Invisível acompanha o detetive Danny Rourke que passa por momento delicado após o desaparecimento de sua filha Minnie, que foi sequestrada no parque durante um passeio com ele. Após quatro anos do ocorrido e sem encontrar o corpo, as sessões de terapia faz o público entender o fardo da culpa de Danny em não conseguir proteger a filha, enquanto tenta seguir em frente após a separação da esposa e o trabalho.
Determinado a focar no trabalho, o detetive logo é acionado para o caso de roubo a banco, cuja ação já fora realizada três vezes. E desta vez, Rourke encontra o líder do assalto, conhecido por Dellrayne que, de forma misteriosa, coordena e manipula as pessoas com a mente a fim de que o plano saia perfeitamente.
Mas Rourke chega a tempo e descobre que o inimigo o atraiu, uma vez que ele sabe o paradeiro de sua filha. Agora, resta saber como e por que Dellrayne está por trás do sequestro de Minnie e a razão para atingir o detetive. Assim, Rourke conta com a ajuda de Diana, uma mulher com poderes psíquicos que sabe e entende os movimentos arquitetados por Dellrayne. Juntos, eles se infiltram nesta conspiração criminosa que desafia a realidade, enquanto buscam entender o objetivo do vilão. Com isso, ambos serão confrontados por uma série de acontecimentos perturbadores que farão questionar absolutamente tudo.

Hypnotic – Ameaça Invisível deixa claro como funciona todo mecanismo que é a base fundamental para o desenvolvimento da história. Tanto Dellrayne quanto Diana são hipnóticos, ou seja, eles têm o poder psíquico de distorcer a realidade de uma pessoa, controlando o que pensa, vê e como age, fazendo-a esquecer de completamente tudo o que fez, viu ou viveu.
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A construção da realidade distorcida é bem feita, com imagens seja de ponta cabeça ou completamente verdadeiras apenas na mente da pessoa manipulada, controlada por códigos ou frases literais ditas olhando diretamente nos olhos, o que a faz ter ações e sensações fora do bom senso, como sentir calor e tirar a roupa no meio da rua, assaltar um banco, causar um acidente, mirar o revólver para alguém, ver um rosto quando, na verdade, é outro, entre outras coisas.
No entanto, todo o primeiro ato de Hypnotic – Ameaça Invisível é extremamente premeditado, cada passo planejado, cada ação e reação controlada o que soa muito estranho ao espectador pelo fato do filme entregar tudo de bandeja, como o vilão sendo rapidamente apresentado e o funcionamento do poder de um hipnótico.
A ausência do mistério é logo sentida fazendo o público questionar para qual caminho a história irá. Porém, quando o primeiro grande plot twist acontece, a trama começa a fazer sentido ao contar e, também, a descrever o passo a passo de tudo o que realmente estava acontecendo até agora. Mas, não para por aí, pois logo em seguida temos o segundo plot twist que torce mais a trama, mas também entrega mais uma peça que faz o quebra-cabeça ganhar forma aos nossos olhos. Por fim, a reta final, ganha mais dois plots twists, sendo um deles uma cena pós-créditos que dá abertura para uma possível sequência acontecer no futuro.

Hypnotic – Ameaça Invisível apresenta uma premissa muito interessante e que ganha uma narrativa bem desenhada, com reviravoltas surpreendentes e que prendem a atenção do espectador. No entanto, ao abordar sobre a mente humana, distorção da realidade e controle mental, a trama carece explorar uma atmosfera de mistério a fim de envolver e confundir o espectador, somente apoiando-se no momento do plot twist ou esmiuçando todo o passo a passo de tudo o que está acontecendo com os protagonistas.
O ator Ben Affleck está bem, entrega um detetive abatido pela dor da perda da filha, a tentativa de recuperar a sua rotina, enquanto lida com o inimigo e a possibilidade de encontrar a menina, uma vez que as pistas ressurgem a sua frente. Mas, assim como a história, o ator também entrega uma atuação premeditada, sem reações mais acaloradas quando a ocasião exige, o que também soa estranho, mas se conecta ao que está sendo contado.

A atriz Alice Braga também está muito bem no filme e entrega uma coprotagonista que surpreende ao revelar suas verdadeiras intenções, assim como o próprio filme também arquiteta surpresas à personagem. A dinâmica de Affleck e Braga funciona exatamente de acordo como a narrativa é desenhada. Mas, continuo insistindo que se o filme tivesse injetado mais mistério e menos explicações, o filme teria sido uma explosão mental maior e mais gostosa de ser sentida.
Junto ao elenco também temos William Fichtner que dá vida ao antagonista Dellrayne; Dayo Okeniyi que vive River, um especialista em tecnologia e teórico da conspiração que ajuda a entender como funciona o poder de um hipnótico; e JD Pardo que é Randy Nicks, colega de trabalho de Rourke que também se envolve nesta conspiração. Todos também são uma caixinha de surpresa. Assista e descubra.
A reta final de Hypnotic – Ameaça Invisível entrega os plots twists finais e o restante da explicação para tudo o que aconteceu, resultando em um desfecho funcional e bem premeditado, assim como foi desde o início.
Hypnotic – Ameaça Invisível causa estranheza por entregar uma história premeditada e arquitetada, cujos plots twists, de fato, surpreendem. Ainda assim, o filme poderia ter ousado na atmosfera de mistério para causar dúvidas, curiosidades e intrigas maiores ao espectador. No geral, o filme funciona bem, é protagonizado por uma dupla que segura bem as pontas e serve com uma boa sessão pipoca para entreter.
******FINAL EXPLICADO******

Hypnotic – Ameaça Invisível soa estranho e premeditado no início, mas a primeira explicação surpreende ao revelar que Danny Rourke não é um detetive e, sim, um hipnótico muito poderoso. Ele é casado com Diana e, ambos hipnóticos, trabalham em uma corporação chamada Divisão que usa da tecnologia para refinar e deixar esses poderes psíquicos ainda mais fortes a fim de controlar as pessoas e as situações.
Tudo o que Rourke viveu e fez foi arquitetado por essa instituição, sendo Diana uma das responsáveis por este jogo ao lado de Dellrayne que, na verdade, é um dos líderes desta empresa, enquanto River, Randy Nicks e os demais personagens compõe o quadro de funcionários.
Mas qual a razão para fazer isso com Danny? A verdade é que ele não teve a filha sequestrada e, sim, ele a escondeu, uma vez que Minnie é uma hipnótica poderosa, uma junção da força de seus pais, algo que ambos temiam. Ao descobrir o tamanho do poder da filha, Danny recusa entregá-la para a Divisão, enquanto Diana afirma que é necessário refinar o controlar o poder da menina, colocando ambos em decisões opostas.
Após quatro anos escondida, Danny deixou pistas no caminho para lembrar da filha – uma delas, é o nome ‘Dellrayne’, uma palavra-código que significa o local onde a menina se encontra – caso sua mente fosse resetada. A mente de um hipnótico pode ser apagada, o que faz Rourke passar pela mesma situação mais de 10 vezes, ou seja, não é a primeira vez que acontece tudo o que vimos até agora.
Mas ao passar pela situação de novo, Rourke consegue escapar deste mundo arquitetado pela Divisão e segue de encontro com a filha, levando todos ao seu percalço propositalmente. Ao chegar em uma fazenda, ele reencontra Minnie (não mais criança), colocando pai, filha e mãe frente a frente depois de tanto tempo.
Assim, temos o novo plot twist: Diana também teve a mente resetada e distorcida, ou seja, sua mente foi reprogramada para pensar que ela é a favor de controlar a filha, quando a verdade é que tanto ela quanto Rourke sempre concordaram em não deixar a menina à mercê da instituição. Assim, os dois decidem resetar a mente, mas antes, Rourke esconde a filha, distorce a mente da esposa e começa a passar pela mesma situação em um ciclo vicioso.
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Ao fim, quando Diana e Rourke finalmente recuperam suas memórias e se juntam a Minnie que mostra ser uma hipnótica extremamente poderosa ao dizimar todos os funcionários da Divisão, colocando um ponto final na situação e, finalmente, unindo a família novamente.

Cena pós-créditos
Hypnotic – Ameaça Invisível tem uma cena pós-créditos que mostra que o líder da Divisão, o Dellrayne, não morreu. Ele conseguiu ativar seu lado hipnótico a tempo, colocando outra pessoa para morrer em seu lugar. Assim, Dellrayne sobrevive ao massacre, dando a entender que irá atrás da família Rourke novamente. Tal cena abre portas para que Hypnotic ganhe uma sequência no futuro.
Ficha Técnica
Hypnotic – Ameaça Invisível
Direção: Robert Rodriguez
Elenco: Ben Affleck, Alice Braga, William Fichtner, Dayo Okeniyi, JD Pardo, Jeff Fahey, Zane Holtz, Jackie Earle Haley, Hala Finley, Ionie Olivia Nieves, Nikki Dixon e Sandy Avila.
Duração: 1h33min
Nota: 2,9/5,0