Uma Segunda Chance Para Amar (Last Christmas) é uma comédia romântica com os tradicionais clichês de romance, mas até mesmo com certa previsibilidade, o filme cativa com o carisma dos personagens, hipnotiza o público com o cenário natalino de Londres, envolve os ouvidos com a contagiante trilha sonora de George Michael, surpreende com a reviravolta e emociona com a verdadeira mensagem que quer passar. É o típico filme que se encaixa nesta época festiva do ano.
Com direção de Paul Feig (A Espiã Que Sabia de Menos), Uma Segunda Chance Para Amar acompanha Kate (Emilia Clarke) que demonstra tamanha insatisfação por sua vida e as decisões precipitadas que toma. Mas há um motivo para isso: um ano atrás, Kate ficou entre a vida e a morte, passando uma cirurgia extremamente delicada. Após receber uma segunda chance, ela perde completamente o brilho de viver, deixando de lado qualquer otimismo ou esperança, levando uma rotina com mais baixos do que altos, sem dar o mínimo valor às pessoas ou às oportunidades.

Ela tem uma rotina que a faz trabalhar na loja natalina da Sra. Noel (Michelle Yeoh) de dia, porém ela não tem a mínima ideia de onde passar a noite, o que a faz andar com sua mala pela cidade londrina, ora ficando na casa da melhor amiga, ora passando horas andando pela rua, ora entrando em bares e conhecendo rapazes com quem passa a noite, mas que não acrescentam em absolutamente nada em sua rotina.
Mas, mais do que não ligar para o dia a dia, Kate ficou completamente desmotivada com a vida, tornando-se uma pessoa egoísta e até insuportável, uma vez que ela não tem paciência com a mãe – que ficou ainda mais preocupada e controladora desde o problema de saúde da filha; mantém um relacionamento na corda bamba com a irmã Marta; dá mancadas com a melhor amiga; e ainda não leva o seu trabalho na loja à sério, o que traz algumas consequências desagradáveis.

Um dia, ela conhece Tom (Henry Golding), um rapaz alto-astral que mostra que quer curtir mais o que a vida e a circunstâncias lhe proporcionam, já que, atualmente, as pessoas só se importam com o próprio umbigo e direcionam o olhar apenas para a pequena tela do celular, sem ao menos enxergar o que está ao redor. É este otimismo extremo e significativo que faz com que Kate passe a rever suas atitudes.
Mesmo com um roteiro clichê de encontros e desencontros, Uma Segunda Chance Para Amar faz o público acreditar que irá tratar de mais uma comédia romântica em que vamos acompanhar o romance florescer entre os protagonistas e os obstáculos que podem separá-los até o previsível final feliz. Mas é aí que está a surpresa. O roteiro de Emma Thompson e Bryony Kimmings quer mostrar ao público que o amor não está apenas em encontrar um parceiro, mas principalmente, em valorizar a vida que tem, a chance que lhe foi dada, as oportunidades que surgem no caminho e, é claro, as pessoas com quem você vai dividir este sentimento.

Henry Golding interpreta um Tom excêntrico e deslumbrado por tudo o que vê e faz, seja por um detalhe na rua que ninguém percebe; um jardim secreto que poucas pessoas conhecem; trabalhos voluntários que poucos se oferecem a fazer; ruas londrinas que quase ninguém presta atenção, entre outras coisas. Suas atitudes e intenções chamam a atenção de Kate que a faz mudar de perspectiva, mesmo pisando em falso em vários momentos, fazendo-a se encantar novamente por um sentimento que havia deixado para trás. Mas tal relacionamento, ao mesmo tempo que é clichê e previsível, é também estranho, já que o espectador passa a questionar as intenções do rapaz.

Mas mesmo aparentando certa previsibilidade, Uma Segunda Chance Para Amar entrega uma reviravolta que faz tudo se encaixar, as perspectivas mudarem, as intenções se modificarem e, é claro, faz Kate evoluir como pessoa e dar mais valor à vida que tem. Tal plot twist pode até ser algo esperado, mas vai emocionar e sensibilizar o público em algum momento.
Emma Thompson está divertida como a mãe preocupada, controladora e falante. Você compreende o desentendimento que Kate e Marta tem com ela, ao mesmo tempo que entende as intenções da mãe. Michelle Yeoh também está bem como a patroa de Kate, que dá puxões de orelhas na funcionária no momento certo, enquanto nos encanta com sua paixão pelo cliente que sempre a visita. É clichê? Sim, mas não deixa de ser fofo de acompanhar.

Durante o plot familiar da protagonista, o filme tenta tocar em assuntos importantes como homossexualidade, imigração e preconceito, mas tais pontos ficam mal explorados, servindo apenas para engatar o relacionamento da família de Kate.
Paul Feig sabe trabalhar muito bem o reluzente cenário londrino com frio e chuva, deixando a atmosfera romântica mais magnífica e apaixonante. Mas o ponto alto do filme, sem dúvidas, é a trilha sonora de George Michael que dá toda a forma para o desenvolvimento da história, com destaque para as músicas ‘Last Christmas’, ‘Freedom’ e ‘Faith’ que vai ficar na sua cabeça depois de assistir ao filme.
Considerações finais
Uma Segunda Chance Para Amar é uma comédia romântica com toques clichês e previsíveis, mas que encanta com o carisma da dupla de protagonistas, diverte com algumas cenas cômicas e emociona na hora certa ao falar sobre amor próprio, amor à vida, aproveitar as circunstâncias proporcionadas e o valor que se deve dar às pessoas ao seu redor. Às vezes, olhar para cima pode trazer momentos inesperados para o seu dia.
Ficha Técnica
Uma Segunda Chance Para Amar
Direção: Paul Feig
Elenco: Emilia Clarke, Henry Golding, Emma Thompson, Michelle Yeoh, Lydia Leonard, Boris Isakovic, Maxim Baldry e Patty LuPone.
Duração: 1h43min
Nota: 7,0