Oxigênio (Oxygène) é a mais nova produção francesa da Netflix que entrega um suspense fora da caixa. A atmosfera e ambientação claustrofóbica inicia uma corrida contra o tempo para relatar o que acontece neste espaço pequeno, criando teorias e hipóteses em meio a segredos que devem ser descobertos em nome da sobrevivência.
Por desenrolar um grande mistério sobre a identidade da personagem e como sair dali, o filme sai da zona de conforto e entrega uma narrativa com reviravoltas exorbitantes e surreais, que são coerentes dentro de sua proposta, mas, talvez, não caia no agrado de alguns espectadores. É um filme ousado e que se arrisca em resoluções diferentes, distanciando de desfechos óbvios.
Dirigido por Alexandre Aja (Predadores Assassinos), Oxigênio acompanha uma mulher presa em uma câmara criogênica. Sem saber quem é, onde está, como foi parar ali e como sair daquele local, ela deve agir com precisão e calma para conseguir escapar. Mas a corrida contra o tempo será acirrada, uma vez que ela precisa tomar decisões rápidas e importantes à medida que o oxigênio diminui, reduzindo suas chances de sair com vida.
Oxigênio é uma mistura de mistério e claustrofobia, uma vez que o filme é quase totalmente ambientado dentro desta cápsula criogênica na qual a protagonista se encontra, com algumas ambientações externas em apenas flashbacks que ajudam a montar este grande quebra-cabeça. Além da sensação de aperto e sufoco, tal espaço minúsculo dá a sensação de que há poucos meios para encontrar uma saída, o que faz a personagem raciocinar ligeiramente enquanto o desespero bate em sua mente inúmeras vezes.

As primeiras perguntas que o filme implanta não só para a protagonista, mas também para o público é: Quem ela é? Quem a colocou nessa câmara? Ela está enterrada? Qual é a finalidade de prender uma pessoa desta forma? O que aconteceu no passado? Há quanto tempo ela está presa e como poderá sair?
Enquanto a protagonista controla suas emoções, o filme apresenta o ambiente e como ele funciona com a ajuda da inteligência artificial MILO (Mathieu Amalric), que fica presente o tempo todo, sendo o único vínculo que a personagem tem e poderá contar para sair desta situação. À medida que ela conhece MILO e recebe ajuda para saber como funciona a câmera, a personagem dá os primeiros passos de como agir, como saber a sua verdadeira identidade, se ela foi responsável por estar ali, ou se há mais pessoas envolvidas nisso.

Assim que Oxigênio entrega informações sobre a personagem, o público toma conhecimento sobre seu passado, as pessoas próximas a ela e suas verdadeiras conexões, como o fato dela trabalhar em um hospital e ter conhecimento pleno sobre criogenia, o que a faz compreender que é responsável por se encontrar nessa situação. Mas ainda assim, certos pontos não se ligam e o mistério se torna maior ao fazer o primeiro contato externo e suspeitar de quem está por trás do seu confinamento.
A atriz Mélanie Laurent entrega uma ótima atuação, justamente por estar limitada fisicamente para agir. O ponto alto de sua interpretação está em suas expressões faciais de calmaria e desespero em que, muitas vezes, o filme cria uma atmosfera de alucinação em que o público não sabe se, em certos momentos, a protagonista está alucinando ou se aquilo é real. Os movimentos do corpo são limitados, criando certa aflição em que assiste, enquanto a personagem encontra dificuldade e jeitos para se mexer e dar o próximo passo.
Filme fora da caixa

Em meio a tantas incertezas e um desespero sem fim, Oxigênio finalmente entrega as primeiras descobertas sobre a personagem e o local com a ajuda de MILO, o que já torna a trama ainda mais intrigante.
Conforme as suspeitas da personagem aumentam e as informações são entregues, a história toma proporções maiores, saindo da obviedade e caminhando para descobertas inesperadas, o que faz a narrativa crescer e sair da zona de conforto. Em algum momento, o público pensará no óbvio e é justamente neste ponto que o filme prega uma peça no espectador ao revelar que a resolução é surreal sem fugir da proposta inicial.
A partir do terceiro ato, o filme consolida o caminho para onde a trama será finalizada, confirmando uma resolução grande, exorbitante e surreal. Ou seja, o filme começa minúsculo e cheio de incertezas e termina de uma forma inimaginável.
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Talvez, Oxigênio divida a opinião do público, o que é normal, mas uma coisa é clara: o longa caminha fora da zona de conforto e entrega uma história cujo desfecho é compreensível, mas bastante ousado, o famoso final ‘explode cabeças’.
Ficha Técnica
Oxigênio
Direção: Alexandre Aja
Elenco: Mèlanie Laurent, Mathieu Amalric, Malik Zidi, Marc Saez, Eric Herson-Macarel, Laura Boujenah e Lyah Valade.
Duração: 1h41min
Nota: 7,5