Estreou, na plataforma Netflix, a minissérie Olhos que Condenam (When They See Us), composta por quatro episódios emocionantes e com uma imersão psicológica impactante. O enredo é baseado em fatos reais: cinco garotos negros, de 14 a 16 anos, são condenados por um estupro coletivo que não cometeram.
O caso, conhecido como “Cinco do Central Park”, ficou famoso em 1989, mexendo com a população de Nova York quando a mídia realizou uma cobertura sensacionalista do ocorrido e a investigação foi denunciada, na época, por ser parcial, racista e incoerente.

Mesmo sem provas, Korey Wise, Antro McCray, Yusef Salaam, Raymond Santana e Kevin Richardson foram condenados a vários anos de prisão. O que colaborou para a injustiça foram os interrogatórios gravados “confessando” o caso. Os investigadores interrogaram os adolescentes durante horas, com persuasão e violência, além de serem impedidos de sair, comer ou ter presença de algum responsável. Algo totalmente ilegal.
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Mas foi considerado durante o julgamento, levando a vida de quatro meninos para um reformatório e, para um deles, Korey Wise, com 16 anos, para as prisões estadunidenses, sem terem cometido qualquer delito. Olhos que Condenam expõe injustiça e racismo, e mostra a vida dos adolescentes durante e após a condenação, relatando o desfecho do caso.

Após ficarem de seis a 12 anos presos, os cinco jovens, que passaram sua adolescência encarcerados, são inocentados após o verdadeiro culpado assumir, com detalhes e uma versão bem mais compatível com as provas do crime, o delito, além de seu DNA ser compatível com o que foi encontrado nas provas. A minissérie provoca e faz uma crítica ao sistema penal e ao forte racismo estadunidense, e também consegue criar emoção através da esperança, do medo e psicológico dos personagens.

Em especial, o último episódio pode ser considerado o melhor de toda a produção. Os produtores optaram por representar como que Korey Wise, com apenas 16 anos de idade, vivenciou, sofreu e aguentou: o sistema prisional estadunidense que, além de superlotado, é violento e mortal. Constituíram cenas e monólogos que refletem o medo, a esperança e o desespero de Korey que impactam de uma forma esplêndida a percepção do telespectador.
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Assim, utilizando as emoções dos personagens para exaltar as nossas, Olhos que Condenam não busca apenas denunciar a injustiça da história, expô-la e alertar sobre o racismo, mas, sim, relatar a resistência e perseverança psicológicas e emocional dos cinco jovens que, mesmo após presos, continuaram afirmando a inocência.
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Todos os episódios são emocionantes, com cortes e atuações – vale destacar a encenação de Jharrel Jerome como Korey – que impressionam. Somos imersos no emocional e, principalmente, no psicológico de cada personagem. Porém, o de Korey, é o que mais consegue impactar o telespectador por ter permanecido preso por mais tempo em prisões que sofriam violência constantemente.

Olhos que Condenam é uma ótima série que consegue contar uma história difícil e polêmica com um olhar sensível. Vale a pena assistir não só pela excelente crítica à injustiça, ao racismo e ao sistema penal estadunidense, mas também porque compensa por proporcionar reflexões a partir de cenas e interpretações dos atores, a respeito de como cinco meninos negros conseguiram resistir e sobreviver fisicamente, psicologicamente e emocionalmente a uma desumanização da imagem, a injustiça, violência e ao racismo imensuráveis que lhes privaram de viver dignamente anos de suas vidas.
Ficha Técnica
Olhos que Condenam
Autora: Ava DuVernay
Elenco: Jharrel Jerome, Asante Black, Caleel Harris, Marquis Rodrigues, Freddy Miyares, Ethan Herisse, Storm Reid, Vera Farmiga, Michael K. Williams, Marsha Stephanie Blake, Kylie Bunbury, Aunjunue Ellis, Felicity Huffman, John Leguizamo, Niecy Nash, Michael K. Williams, Jovan Adepo, Chris Chalk, Justin Cunningham e Freddy Miyares.
Duração: quatro episódios (60min a 90min aprox.)
Nota: 9,0