Missão No Mar Vermelho (Red Sea Diving Resort) é a nova aposta da Netflix com duas horas de duração e Chris Evans como protagonista, que prende o telespectador por se tratar de um filme de ação, heroísmo e inspirado em fatos reais, mas que apresenta uma pequena falha em sua composição.
O longa retrata a missão da agência de inteligência israelense, a Mossad, em resgatar os judeus etíopes do Sudão e levá-los para Jerusalém, a terra prometida, em Israel. A história se passa no começo dos anos 80, quando a Etiópia enfrentava uma guerra civil que transformava todos, desde crianças a idosos, em vítimas da violência e de assassinatos.

Além disso, nos deparamos com Chris Evans representando (mais uma vez) um herói, mas, diferente do que estamos acostumados a ver com o conhecido ‘Capitão América’, o personagem Ari Levison não possui planos, ele é mais levado pela sua sorte nos momentos em que se arrisca para salvar todos e não deixar nenhuma pessoa para trás.
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Ari fica inconformado que sua missão, no começo do filme, não é bem-sucedida como gostaria, e mesmo salvando algumas dezenas de pessoas, o agente deseja fazer mais, sabendo que existem milhares de judeus refugiados no Sudão, sofrendo com a guerra, morrendo de fome e sonhando com um novo lar.

Além de Ari, outro agente que comanda a operação é o corajoso etíope Kabede Bimro (Michael Kenneth Williams) que recruta os refugiados, os coloca em abrigos longe das cidades para, assim, com a ajuda de Ari, os transportar para Israel. Mas a missão é perigosa e, sem um bom plano, tudo ocorre com muitos riscos, colocando a vida, tanto dos refugiados quanto dos agentes, em risco constante.
Assim, o protagonista decide tomar ações e, desta vez, com um bom plano. Ele convoca um grupo de cinco pessoas para formar a equipe de resgate e sugere uma brilhante – e um tanto perigosa- ideia aos seus superiores, um plano que imaginou para salvar mais pessoas daquela situação de forma mais prática e escondida.

Ele sugere que a equipe viaje para o Sudão, compre um hotel-resort abandonado, o use como fachada para transportar, de noite, os refugiados para a praia. Lá, estariam os botes da Mossad chegando para resgatar centenas de pessoas. Com isso, após convencer todos, a operação inicia e dura, aproximadamente, dois anos, salvando milhares de refugiados e obtendo sucesso.
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Dirigido por Gideon Raff, Missão No Mar Vermelho é um compilado de emoções e realidades que se chocam e aproximam o telespectador, mesmo de forma adaptada, de uma realidade difícil e atual que é a realidade dos refugiados.
Com todos esses fatores, as duas horas do longa passam como se fossem minutos, no final, além de impressionados com a história, elenco e cenas, o filme traz para nós “cenas extras”, filmagens dos anos 80 da missão, fazendo com que toda a história retratada nos emocione mais ainda. Além disso, consegue nos fazer prender a respiração com as cenas que mostram as muitas adversidades que a equipe precisa enfrentar, colocando em perigo a própria vida para salvar aqueles que necessitam de segurança e paz.

O elenco é composto por grandes nomes, como Ben Kingsley, Greg Kinnear, Haley Bennett, Alessandro Nivola, Alex Hassel e Michiel Huisman, que emprestam sua atuação e talento para colocar nas telas do streaming os heróis da vida real. Além, é claro, Chris Evans e Michael K. Williams.
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A história retratada, a inspiração em fatos reais, o elenco e as emoções que transpassadas no clímax, formam um longa-metragem que surpreende, emociona e desperta nossa percepção para uma situação crítica que muitas pessoas enfrentam na vida real. Porém, apresenta uma pequena falha.

O longa é focado muito no personagem de Evans como o herói. Isso, pode ser entendido como positivo – tendo em vista o ótimo ator- mas falha ao não equilibrar as aparições e o heroísmo do personagem Ari em relação ao personagem Kabede interpretado por Williams. Ficamos ‘por fora’ do que os refugiados estão, de fato, enfrentando, desconhecemos seus dramas pessoais e nomes, justamente porque o lado que eles estão da missão, em que Kabede (personagem que atribui vida ao agente real Farede Yazazao Aklum) atua não aparece tanto.
Aklum foi quem agrupou os refugiados, começou essa missão, porém, ele não é muito mostrado, é recortado, limitado às violências que sofre e situações de vulnerabilidade que enfrenta. Falta atribuir heroísmo para o personagem ou equilibrar em comparação ao outro.
A missão de resgate dos refugiados pela Mossad começa – na história real – por ele, personagem de Williams. Farede Yazazao Aklum trabalhava secretamente na Etiópia com a agência Mossad protegendo os etiópicos judeus. Quando ele foge do país e envia cartas pedindo ajuda para a agência é que o personagem de Evans (na vida real é Danny Limor) é enviado para a missão.

Por isso, mesmo com todo seu esplendor de produção, cenas e roteiro, o filme de Gideon Raff possui uma pequena falha, comum em filmes baseados em fatos reais, ao precisar adotar uma ótica que pode mudar o real ou distorcê-lo um pouco. Porém, a ótica escolhida foi justamente aquela que transformou apenas uma pessoa no herói.
O filme pode ter distorcido um pouco a realidade por precisar mostrar, por apenas, uma perspectiva de uma história complexa e real, mas com isso, propositalmente ou não, atribui-se muito heroísmo a um personagem e minimiza para os outros, fazendo com que tenha um único herói em toda a história.
Por isso, Missão No Mar Vermelho falha ao focar em um personagem, atribuir apenas a ele ações, falas e cenas de heroísmo, partindo de uma história real que todos os envolvidos foram heróis, mas que na adaptação, não atuam como um.
Ficha Técnica
Missão No Mar Vermelho
Direção: Gideon Raff
Elenco: Chris Evan, Michael K. Williams, Ben Kingsley, Greg Kinnear, Alessandro Nivola, Alex Hassel, Haley Benett e Michiel Huisman.
Duração: 2h09min
Nota: 6,5