Minha Mãe É Uma Peça 3 mal chegou, mas posso dizer que é um filme que vai alegrar, divertir e fazer o público rir e se emocionar do começo ao fim. Não posso negar, Minha Mãe É Uma Peça é uma das minhas comédias brasileiras favoritas e uma trilogia cujo percurso, no geral, tem mais acertos do que erros. Paulo Gustavo retorna com uma das melhores mães do cinema brasileiro e, desta vez, precisa lidar com o crescimento da família e a síndrome do ninho do vazio que fica mais forte.

Dirigido por Susana Garcia, Minha Mãe É Uma Peça 3 acompanha Dona Hermínia em sua velha rotina, porém mais entediante. Com os filhos fora de casa, seu dia a dia mudou e, para não ficar no puro marasmo, ela tenta encontrar várias coisas para fazer, seja ir ao supermercado, feira ou farmácia nem que seja para comprar um único tomate ou remédio. A verdade é que a rotina de ser mãe deu uma freada e, agora, sua preocupação em ter tudo pronto dentro de casa para os filhos já não é mais frenética. Mesmo com o ninho vazio, quem disse que Dona Hermínia deixou de se preocupar diariamente, muito menos dar suas cutucadas com suas frases hilárias de mãe?
Já assistiu Minha Mãe É Uma Peça 2?
Mas uma novidade vai chacoalhar a vida da protagonista. Na verdade, duas grandes notícias. A primeira é que Juliano vai se casar com Tiago (Lucas Cordeiro), seu primeiro namorado conhecido lá no primeiro filme. A segunda é que Marcelina tem um novo namorado e está grávida. Isso faz a vida de Dona Hermínia mudar da noite para o dia, afinal, seus filhos vão formar novas famílias e ela vai ser avó novamente. Mas com esta grande mudança, Hermínia percebe o quanto ela deixou de lado a sua própria vida, fazendo-a refletir no que pode fazer para mudar este percurso daqui em diante. Para completar o pacote, a outra novidade é que o ex-marido, Carlos Alberto, decide se mudar para o mesmo prédio da ex-esposa, o que rende mais confusão e cenas divertidas.

Sem dúvidas, o primeiro filme continua no topo de liderança, mas Minha Mãe É Uma Peça 3 mostra uma evolução ainda maior cujo roteiro é melhor que o segundo filme, mesmo que apresente pequenos pontos a serem discutidos. Se no primeiro filme conhecemos detalhadamente cada personagem, suas manias e a rotina, o segundo inicia a jornada de cada um, enquanto o terceiro traz os pontos positivos dos passos dados ao longo deste caminho.
O mais interessante é que o filme questiona e explora a síndrome do ninho vazio e o fato de Dona Hermínia ter se afastado tanto de si. Com sua vez de modificar a rotina, ela decide mudar um pouco os passos, como por exemplo, fazendo terapia em grupo de mães e filhos que, por sinal, é uma cena bem divertida, afinal, ver Dona Hermínia desabafando e criticando os problemas alheios (com certa razão) é simplesmente sensacional. Outra coisa interessante é quando ela viaja com a amiga/vizinha para Hollywood a fim de espairecer e conhecer novos lugares. As cenas do aeroporto, restaurante e do museu Madame Tussauds são hilárias, juntando com o fato dela não saber falar inglês. Impossível não rir destes momentos. Uma pena que o filme não tenha deixado a personagem mais tempo no exterior e com mais cenas.

O relacionamento da protagonista com os demais personagens continua sendo a sensação do filme, isso sem contar que aflora ainda mais a personalidade de Hermínia que está mais afiada nesta história. Sua química com Herson Capri continua formidável, sempre atacando e jogando as coisas na cara de Carlos Alberto, mas no fundo, mantém o carinho, amor e a consideração por terem formado a melhor família. A relação com as irmãs Iesa (Alexandra Richter) e Lúcia Helena (Patricya Travassos) continua maravilhosa, sempre com provocações e discussões divertidas, sem nunca deixar de lado a união fraternal delas. Mas o melhor mesmo é quando Hermínia precisa conviver com a mais nova sogra do filho, iniciando uma rixa hilária, com momentos agradáveis.
Sem dúvida, o ponto forte de Minha Mãe É Uma Peça 3 é o relacionamento de Hermínia com Juliano e Marcelina, que estão com um destaque menor, dando mais espaço às preocupações da mãe. A verdade é que o filme tenta mostrar que Hermínia precisa aprender a lidar com a casa vazia e ver que os filhos são capazes de cuidar de si mesmos. Isso não quer dizer que eles nunca mais vão precisar do colo da mãe, mas até Dona Hermínia se dar conta disso, ela rende cenas divertidas ao se intrometer demais na vida deles, seja na preparação do casamento de Juliano ou no enxoval do bebê, o fato de Marcelina ser mãe e viver numa casa isolada na floresta e a forma como ela cria a criança.

Aliás, Mariana Xavier e Rodrigo Pandolfo entregam os personagens mais amadurecidos, especialmente Marcelina que, no início, começou desligada, desleixada e com a língua afiada e, agora, está mais calma, sabendo lidar com as preocupações excessivas de Hermínia. Já Juliano está mais afastado, mas presente em momentos pontuais no filme, justamente para dar mais ênfase ao arco da mãe ao lidar com sua vida, autoestima e casa vazia.
Crítica: Entre Facas e Segredos
Mesmo com uma boa evolução, Minha Mãe É Uma Peça 3 novamente não explora a relação de Hermínia com o filho mais velho Garib (Bruno Bebianno) e não explica a razão da protagonista ter largado o seu programa de televisão.
Considerações finais
O final é redondo, satisfatório, feliz e, é claro, cômico como o filme é do início ao fim. Minha Mãe É Uma Peça 3 desenvolve o gancho iniciado no segundo filme, entrega personagens mais amadurecidos e evoluídos, faz a família crescer, rende cenas ainda mais divertidas e afiadas, entrega uma Dona Hermínia mais preocupada, questionadora e reflexiva com sua própria vida e, é claro, mais feliz ao lado de quem sempre amou e protegeu, fazendo uma linda homenagem à família de Paulo Gustavo, afinal, esta história surgiu de uma mãe que é uma verdadeira peça.
Se vale a pena assistir? Ah vale, afinal, Dona Hermínia nunca é demais.
Ficha Técnica
Minha Mãe É Uma Peça 3
Direção: Susana Garcia
Elenco: Paulo Gustavo, Mariana Xavier, Rodrigo Pandolfo, Herson Capri, Alexandra Richter, Patricya Travassos, Malu Valle, Bruno Bebianno, Samantha Schumutz, Stella Maria Rodrigues e Lucas Cordeiro.
Nota: 8,0