Maria e João (Gretel & Hansel) é inspirado nos contos de fada dos irmãos Grimm, que muitos conhecem como ‘João e Maria’, mas aqui há um propósito de colocar a personagem feminina na frente, um objetivo que, por sinal, ganha uma execução satisfatória, uma trama infanto juvenil sombria, obscura e com certos aspectos a fim de amedrontar os mais novos, mas que talvez adolescentes e adultos não sintam tanto impacto assim com a história.
Dirigido por Osgood ‘Oz’ Perkins, Maria e João traz a tradicional história dos irmãos que vão morar na floresta e se deparam com a bruxa e sua atraente casa repleta de comida. O primeiro ponto positivo do filme é que a trama não se inicia pelos irmãos e, sim, pela origem da antagonista.

Antes do público conhecer os protagonistas, toma-se o conhecimento da famosa lenda da menina do capuz rosa, uma garota considerada a mais bonita do vilarejo desde que nasceu, no entanto, quando é acometida por uma doença fatal, o pai a leva para uma feiticeira curá-la, entregando sua pequena com total confiança. Mas toda magia sempre vem com um preço e, ao livrá-la deste mal, a menina adquire o poder de enxergar o bem e o mal que acomete as pessoas, um dom que a consome por completo a ponto de causar o mal ao próximo. Isso faz com que a garotinha seja excluída e isolada na floresta, tornando-se um ser esquecido pelos demais.
Assim que o espectador conhece uma parte dessa história, ele migra para conhecer a trama de Maria, uma jovem que precisa encontrar meios de colocar comida dentro de casa, ajudar a mãe e cuidar do irmão, uma vez que seu pai não é mais presente. Quando a peste e a fome chegam, Maria e João são obrigados a sair de casa e ir para a floresta, sem saber qual rumo tomar. É a partir daqui que o filme desvenda os mistérios da floresta, da bruxa e, é claro, dos famosos irmãos dos contos de fada.

Maria e João faz uma adaptação do conto de fada dentro do gênero infanto juvenil em uma atmosfera bastante sombria, obscura e macabra. As cenas são escuras, com foco de luz no rosto dos personagens a fim de criar medo, insegurança e dúvida sobre o que pode ter em volta e em que ou quem podem confiar. O único objetivo deles é encontrar teto e comida. Entre idas e vindas pela floresta, eles conhecem um caçador que lhe fornece o caminho certo, no entanto, ao se depararem com uma casa triangular e preta, atraente pelo olfato e visão com a deliciosa mesa de guloseimas, abre-se um caminho suspeito e traiçoeiro, uma vez que não se sabe o que se passa por trás daquelas paredes. A senhora que os acolhe é uma idosa que causa certo medo com suas expressões e olhares, mas as atitudes ainda são boas, já que o objetivo é atrai-los sem que jamais saiam de lá.
O roteiro utiliza bastante da imaginação para fazer com que a protagonista descubra o que realmente se passa dentro da casa e desconfie da exagerada bondade da senhora. Em alguns momentos, as cenas são medonhas e confundem propositalmente para dividir o espectador sobre o que pode ser real ou não.
Crítica – Para Todos Os Garotos: PS Ainda Amo Você
Junto a essas cenas macabras, o filme entrega aos poucos as pistas sobre o que acontece dentro da casa, como e por quais razões acontecem; quem realmente é a bruxa; o mistério por trás do conto da menina do capuz rosa; e é claro, o motivo de Maria ser a protagonista mais velha e a responsável por cuidar de seu irmão mais novo. Quando o público toma conhecimento de tudo, a conclusão da trama chega de forma bem simples, com uma explicação plausível, mas sem muito impacto.

A verdade é que Maria e João traz uma história infanto juvenil em um clima de medo e suspense, mas que não assusta muito e demora um pouco para conectar as tramas. O segundo ato se arrasta a ponto de ser cansativo, mas se salva no momento da revelação dos segredos que a floresta esconde.
Quase impossível não gostar da Sophia Lillis (It – A Coisa, Objetos Cortantes), e aqui a atriz entrega uma boa performance, uma Maria que precisa amadurecer precocemente, cuidar do seu irmão, ao mesmo tempo que ela precisa aprender e soltá-lo para a vida, afinal, há um mistério que faz com que esse laço fraternal seja desfeito para o bem de ambos.

Sammy Leakey entrega um João inocente, ao mesmo tempo que mostra força e competência ao querer ajudar a irmã, mesmo que não compreenda direito o que está acontecendo ao seu redor.

Alice Krige interpreta a bruxa com excelência, trazendo as pitadas certas do medo e medonho nas ações, diálogos e, é claro, nas expressões faciais.
Considerações finais
Maria e João traz uma satisfatória inspiração sobre o famoso conto dos irmãos Grimm, se desdobrando no gênero infanto juvenil e ganhando uma atmosfera bem sombria que pode impactar o público mais novo. O elenco é bom e os mistérios em torno da história são interessantes, porém o filme demora a conectá-los, o que pode causar certo desinteresse ao espectador. O final é sólido e bem explicado, mas não surpreende. É um filme até bom, mas que pode se tornar esquecível.
Ficha Técnica
Maria e João
Direção: Osgood ‘Oz’ Perkins
Elenco: Sophia Lillis, Sammy Leakey, Alice Krige, Jessica De Gouw e Charles Babalola.
Duração: 1h27min
Nota: 6,0