Seis meses após o sucesso de Soul, a Pixar retorna com mais uma produção para o catálogo do Disney Plus. Luca é a mais nova animação do estúdio que traz um roteiro simples cuja originalidade está em celebrar a infância a partir de uma comovente amizade fora da zona de conforto em que duas crianças peculiares vivenciam o melhor verão de suas vidas. É um filme relaxante de ver por trazer diversão para adultos e crianças e emoção na medida certa. Vale a pena dar o play.
Com direção de Enrico Casarosa, Luca se passa na bela cidade litorânea na Riviera Italiana e acompanha Luca, um monstro marinho que vive no fundo do mar, mas no instante em que coloca os pés na terra é capaz de se transformar em um menino. O garoto-marinho tem uma vida simples no mar, na qual cuida do grupo de peixes-ovelhas e fica curioso quando objetos estranhos caem na água, desde relógio, talheres até uma vitrola. Sua família é extremamente cuidadosa, especialmente sua mãe que acredita que a superfície guarda os maiores perigos, proibindo o filho de ir até lá.
Mas o destino lhe reserva outro caminho quando Luca conhece Alberto, um monstro marinho que vive na terra como garoto e ama sua liberdade e independência. Com esta nova amizade, Luca inicia uma aventura na superfície repleta de descobertas, conhecimentos e curiosidades sobre o mundo humano, mas eles precisam tomar cuidado para não revelar sua verdadeira identidade, uma vez que os humanos desta ilha têm como hobby a pesca e, especialmente, a captura de monstros marinhos raros que rondam o local e assustam os moradores.

O primeiro ponto positivo desta animação é a amizade improvável de Luca e Alberto que se torna agradável, divertida e entrega uma química nostálgica de uma infância em que as descobertas e curiosidades estão nas pequenas coisas, como admirar e conhecer os objetos estranhos, correr, pular, andar de bicicleta e a realização de andar de scooter, grande sonho de Alberto que passa a ser de Luca também.
O filme tem o carinho e cuidado em construir seus personagens monstros marinhos, desde a forma do corpo e suas cores até a transformação divertida em garoto, o que faz Alberto ensinar Luca a andar e se movimentar como um humano de verdade.
Por ser um mundo completamente novo, a euforia de Luca cresce à medida que ele vai aprendendo cada detalhe e como as pessoas são e convivem com as outras. Quando o medo e a insegurança falam mais alto, a técnica de dizer ‘Silêncio Bruno’ ensinada por Alberto não só se torna um momento engraçado, como também pode ser considerado didático para os espectadores mais jovens a enfrentarem os seus medos e a permitir que a coragem fale mais alto. Mais uma vez, a Pixar acerta na mensagem nesta animação doce.
Todo o cenário da Riviera Italiana ganha cores fortes, alegres e vibrantes como azul, amarelo, verde e vermelho, uma ambientação com estética de pintura e pequenas homenagens ao local e a cultura como o figurino e os diversos pratos de espaguete, comida típica da região que, inclusive, desperta a fome em que está assistindo. O público conhece e passeia pela ilha ao lado de Luca e Alberto que ingressam em uma aventura à procura de uma scooter para, assim, conhecerem mais lugares.

É neste momento que a animação nos presenteia com o melhor trio de amizade com a chegada de Giulia, que passa as férias de verão na casa de seu pai e treina para participar do campeonato de Portorosso, que inclui os seguintes desafios: andar de bicicleta, comer macarrão e nadar. É a partir deste campeonato que a animação se aprofunda nesta amizade e traz descobertas que o protagonista não imaginava que, um dia, pudesse almejar por isso.
À medida que o trio treina para ganhar o campeonato e derrotar de vez o temido e antipático garoto da cidade Ercole – que, por sinal, rendem cenas divertidas – o filme mergulha em questões mais sentimentais sobre o medo de Luca ao enfrentar os pais e retornar para o mar; o passado de Alberto e a verdadeira razão para ele morar na terra; e a amizade singela com Giulia que abre o olhar de Luca com relação à vida na superfície e os aprendizados que ele pode ter, além de trazer o significado simples e bonito sobre família para Alberto.
Os demais personagens também ganham bons destaques como Massimo, pai de Giulia, um homem grande, meio carrancudo de bom coração; Daniela e Lorenzo, os pais de Luca, que carregam a proteção excessiva e o bom humor rendendo em uma divertida caçada à procura do filho na superfície; e Ercole, o arqui-inimigo do trio que faz o público não ter peso na consciência por odiá-lo.

Aliás, o terceiro ato do filme envolve ainda mais o espectador com boas reviravoltas e muita emoção a partir de certas atitudes de Luca, que até chocam e irritam, e a forma como os três amigos solucionam o problema com relação à verdadeira identidade dos garotos.
A animação fica ainda melhor na versão dublada que não só está muito bem feita, como mistura os idiomas português e italiano de um jeito bem divertido.
Considerações finais
A animação Luca não supera a força do roteiro de Soul, mas propõe um frescor e uma leveza com uma história simples e bonita que celebra a amizade e a infância em meio às diferenças e aceitação a partir do olhar do protagonista prestes a conhecer um novo mundo, cuja ambientação é alegre e colorida. Luca é uma animação doce e apaixonante, com personagens que divertem em meio a uma história sobre descobertas, curiosidades e amadurecimento.
Ficha Técnica
Luca
Direção: Enrico Casarosa
Elenco de voz: Jacob Tremblay, Jack Dylan Grazer, Emma Berman, Maya Rudolph, Marco Barricelli, Jim Gaffigan, Giacomo Gianniotti, Sandy Martin, Saverio Raimondo, Marina Massironi, Giuseppe Russo, Francesca Fanti e Gino D’Acampo.
Duração: 1h35min
Nota: 8,0