O mundo pós-apocalíptico já se tornou um tema recorrente em séries, filmes e livros, mas ainda é possível inovar este assunto em suas mais variadas formas, e Amor e Monstros (Love and Monsters) é um ótimo exemplo de como renovar tal temática com uma história envolvente, divertida e emocionante em que o destino é apenas o pano de fundo enquanto a aventura em si é o grande protagonista. Confira a crítica em texto ou em vídeo.
Com direção de Michael Matthews, Amor e Monstros se passa no mundo pós-apocalíptico em que criaturas gigantes assumem o controle da Terra, fazendo com o que o resto da humanidade busque por refúgio no subsolo. Após sete anos deste apocalipse de monstros, o jovem Joel Dawson (Dylan O’Brien) consegue se reconectar via rádio com Aimee (Jessica Henwick), sua namorada da época de escola, e a paixão ressurge. Mesmo ela vivendo a quase 130 km de distância, Joel percebe que não há nada que o prenda ao subterrâneo e resolve ir em busca de sua amada, apesar de todos os perigos que possam aparecer no seu caminho.
Amor e Monstros traz como grande cenário um mundo pós-apocalíptico devastado após o homem impedir um asteroide de colidir com a Terra. Como efeito colateral, elementos radioativos foram espalhados por toda parte fazendo com que animais e diversos insetos ganhassem formas gigantes e grotescas capazes de engolir várias pessoas em questão de segundos. Já imaginou fugir de um sapo gigante? Teria coragem de enfrentar uma barata 100 vezes maior e muito mais letal? Já pensou se deparar com um crustáceo na praia, como um caranguejo gigante?
Animais que, anteriormente, seriam apenas parte da natureza, tornam-se os seres mais terríveis e temíveis do mundo, que dizimou quase 90% da humanidade. O filme entrega uma boa introdução ao relatar como tudo aconteceu para dar início a jornada do protagonista, que faz a gente entender a razão do filme chamar Amor e Monstros.
Mas antes, quero ressaltar que o filme entrega ótimos efeitos visuais ao criar tais criaturas que dominam a Terra, animais e insetos que ganham uma ampliação estrondosa aos nossos olhos, como se estivéssemos olhando com uma lupa. Tais monstros ganham uma aparência feia, gosmenta e aterrorizante, assustando em alguns momentos e dando um tom cômico à situação em outras circunstâncias, o que faz o filme até ser denominado uma dramédia pós-apocalíptica.
O protagonista

Amor e Monstros ganha o mundo pós-apocalíptico como cenário, mas este não é o ponto principal que a trama irá discorrer. O público acompanha uma história de amor, resiliência, coragem, altruísmo, maturidade e evolução com a nova aventura de Joel, que decide sair do casulo e enfrentar as surpresas que se encontram na superfície em nome do amor.
O filme traz flashbacks que explicam como era a vida de Joel, o seu relacionamento com Aimee, como o mundo apocalíptico lhe afetou a e as pessoas que ele perdeu, deixando grandes traumas psicológicos no protagonista. À medida que o espectador entende o que aconteceu no passado, compreende os motivos de Joel ser um rapaz prestativo com o seu grupo, mas medroso ao ter que encarar algo maior; um rapaz apaixonado, mas solitário mesmo com outras pessoas ao redor.
Mesmo que o foco seja reencontrar a namorada, como prometera anos atrás, é importante entender que o amor é quem move Joel e faz ele evoluir no decorrer do filme. Quando o público entende qual é o destino do protagonista (encontrar Aimee), já se pode prever momentos clichês, previsíveis e o que pode e vai dar errado, e é bem possível que você acerte em cheio no que vai resultar neste reencontro. No entanto, o filme surpreende no desenvolvimento, ou seja, traz as melhores surpresas na aventura de Joel e em tudo o que ele vai conhecer e as situações pelas quais ele vai passar, não focando apenas na linha chegada.
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O ator Dylan O’Brien está muito confortável no papel e entrega uma atuação genuína e cativante, afinal, o ator transborda carisma neste filme e faz o público torcer pelo personagem o tempo todo. Dylan entrega um Joel que sofre uma transformação radical e positiva no filme, indo de um garoto medroso e traumatizado até se tornar um aventureiro e descobridor de um mundo cheio de surpresas, mesmo que o perigo ainda exista. Acompanhar a evolução do personagem e tudo o que ele aprende e quem ele conhece é um dos pontos mais significativos do filme.
Jornada pós-apocalíptica

Como disse, é a jornada do protagonista que faz a diferença e traz momentos emocionantes de acompanhar. Para começar, é preciso ressaltar a parceria de Joel com o melhor amigo cão, o Garoto, a melhor dupla que você verá nesta história. Ambos representam as melhores características da trama como afeição, cumplicidade, honestidade, proteção e amizade. Impossível não se apaixonar por Joel e o cachorro e não suspirar em todas as cenas.
É no decorrer desta caminhada de 130 km que Joel se depara com as criaturas insanas e terríveis do filme. Mas antes de deixar o medo falar mais alto e apenas derrotar a criatura, o protagonista entende os tipos de criaturas que existem, como cada um age e como lidar com eles a fim de garantir a própria sobrevivência. Ao adquirir tais conhecimentos, Joel cria, página por página, o manual de sobrevivência deste mundo pós-apocalíptico reforçando, novamente, a importância desta aventura do rapaz e não apenas do seu destino.
É a partir daqui que o público conhece outros personagens incríveis, como a dupla Clyde (Michael Rooker) e Minnow (Ariana Greenblatt). O filme explica de onde eles vêm e a razão para eles irem rumo às montanhas, o que faz Joel se juntar a eles na caminhada, mas também aprender tudo o que ambos têm a oferecer, desde de como acampar, escolher a prioridade da vez (comer ou dormir?), lidar com as criaturas e, principalmente, entender o tipo de monstro que está lidando. Os personagens participam apenas de uma parte do filme, o que é uma pena, pois o carisma deles poderia ter sido aproveitado na história por mais tempo.
O final, mas não o fim

Amor e Monstros já entrega um resultado previsível e ao revelar o que acontece no reencontro de Joel e Aimee, o público até fica triste, mas não fica chocado com o resultado, afinal, já se espera por isso. A atriz Jessica Henwick entrega uma Aimee madura, evoluída e com uma independência precoce, afinal, ela precisou crescer e aprender a sobreviver em um mundo devastado imposto para todos. É compreensível as motivações da personagem e a razão para ela ser uma pessoa completamente diferente de quem ela era sete anos atrás, assim como Joel também é.
No entanto, a reta final do filme ainda surpreende pelas circunstâncias que ocorrem na praia, quando Joel compreende as verdadeiras intenções das pessoas e como a ruindade, o poder e o egoísmo se sobressaem em um mundo pós-apocalíptico em que o restante da humanidade luta para sobreviver em meio ao perigo e a fragilidade da vida.
O final de Amor e Monstros é bonito, envolvente e emocionante. É um novo sopro na vida que mostra que é possível encarar os medos e o perigo para se viver novamente e se reconectar com tudo que foi perdido um dia. Amor e Monstros é mais do que uma história pós-apocalíptica, é uma trama sobre amor, coragem, amizade e recomeço em que a caminhada, aventura e o aprendizado é maior e melhor do que a linha de chegada.
Ficha Técnica
Amor e Monstros
Direção: Michael Matthews
Elenco: Dylan O’Brien, Jessica Henwick, Michael Rooker, Ariana Greenblatt, Dan Ewing, Ellen Hollman, Tre Hale, Pacharo Mzembe, Senie Priti, Amali Golden e Joel Pierce.
Duração: 1h49min
Nota: 8,9