Nesta saga de filmes de terror de 2024, Abigail se encontra na safra de boas produções do gênero deste ano ao entregar uma história que cumpre o que promete, sem se levar à sério. O filme diverte o espectador com a galhofa gore bem feita, ótimos personagens em suas caracterizações e estereótipos divertidos e reviravoltas que sabem surpreender bem. Vale a pena assistir este terrorzinho gostoso e vou te dizer o porquê.
Com direção de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, Abigail acompanha um grupo de criminosos que são recrutados por Lambert (Giancarlo Esposito) – arquiteto do plano – para sequestrar uma bailarina de 12 anos, filha de um dos homens mais ricos do mundo, em troca do resgate de R$ 50 milhões.
A principal tarefa deste grupo é passar 24 horas em uma mansão para vigiar a menina até o resgate ser pago. Entre as regras está não revelar as verdadeiras identidades para não dedurar, caso as autoridades sejam acionadas. No entanto, as coisas desandam quando informações são expostas levando ao nome do pai da menina, o que deixa todos alarmados.
Além disso, integrantes deste grupo começam a sumir repentinamente pelo casarão, o que faz o grupo descobrir que a menina, chamada Abigail, não é apenas uma garota…e, sim, uma vampira.

O primeiro ponto positivo de Abigail é ser um terror galhofa e com uma proposta boa, que não se leva à sério, mas cumpre o que promete com amadurecimento. Digo isso, pois a história ganha nuances surreais e absurdas, mas completamente condizentes à trama, uma vez que envolve a mitologia vampiresca, trabalha satisfatoriamente todos os personagens, sendo alguns a se destacar mais que os outros, usa e abusa do horror escatológico e entrega reviravoltas manipulativas bem orquestradas.
Abigail não hesita no quesito gore, com cenas violentas e viscerais, banhadas de muito sangue, especialmente na reta final, tornando o filme uma grande piscina vermelha.
Junto a isso, temos o elemento chave do horror que é a protagonista mirim interpretada por Alisha Weir, que entrega acidez, deboche e medo em todas as cenas. Abigail é uma doce manipuladora, ardilosa com as palavras e brutal nas ações, sendo a responsável por derramar boa parte do sangue na tela. Sua performance como bailarina deixam as cenas deliciosamente sarcásticas ao envolver uma dança delicada com ataques horripilantes quando transformada em vampira.
Aliás, outro ponto positivo é a caracterização da personagem, como a cor dos olhos e especialmente os dentes, que deixam a boca ainda maior, dando um tom jocoso, medonho e assustador. E isso vale não somente à garota.

O caos engrena de vez dentro da mansão, uma ambientação muito bem aproveitada, uma vez que os diretores gostam de explorar cada canto de um cenário visualmente gigantesco internamente, entre corredores, escadas, porões, tetos altos e passagens secretas. Claro que isso faz o espectador lembrar do filme Casamento Sangrento, dirigido pela mesma dupla deste filme, não somente no cenário, como também os personagens.
O elenco é satisfatoriamente bem misturado, improvável e divertido de se ver na tela. Melissa Barrera é Joey, nossa segunda protagonista que movimenta a situação paralelamente com a bailarina vampira, a fim de entender o que se passa, enquanto encontra formas de sair desta situação e dar um fim a este mal de uma vez por todas.
À medida que o público passa o tempo com os personagens que lidam com o horror e se protegem a todo custo, novas informações são dadas a fim de não só criar empatia (ou não), mas também avaliar as possibilidades de sobrevivência para cada um.

O grupo conta com Dan Stevens como Frank, o segundo líder que não mede as palavras; Rickles (William Catlett) que usa da experiência militar para agir; Peter (Kevin Durand) e sua brutalidade misturados ao lado cômico; Dean (Angus Cloud), motorista do grupo e o mais desligado e bobo; e a hacker Sammy, que ganha uma interpretação estranhamente deliciosa da atriz Kathryn Newton, sendo um dos destaques do grupo, junto com Joey e Frank.
Cada um tem um motivo para ter sido recrutado e estar dentro da mansão passando pelos maiores maus bocados, o que gera plots twists repletos de gore e uma manipulação que joga os personagens de um lado a outro até sobrar apenas o mais apto à situação.
Considerações finais

A reta final se entrega ao horror por completo, em uma teia de reviravoltas que beira ao absurdo, mas que fazem sentido levando a uma conclusão palpável e divertida. O desfecho conta com uma participação de um personagem apenas citado no filme, mas que o espectador não espera vê-lo, até o momento em que surge em cena, o que é assustador e engraçado.
Crítica: Ghostbusters: Apocalipse de Gelo
Abigail é o tipo de filme de terror que não se leva à sério, apresenta uma premissa instigante e sem grandes expectativas, surpreende pelo desenvolvimento surreal e coerente, repleto de gore e com personagens cuja química é deliciosamente estranha e funcional.
Um filme de terror galhofa que serve bem ao entretenimento para maiores de 18 anos.
Ficha Técnica
Abigail
Direção: Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett
Elenco: Melissa Barrera, Alisha Weir, Dan Stevens, Kathryn Newton, Kevin Durand, William Catlett, Angus Cloud, Giancarlo Esposito e Matthew Goode.
Duração: 1h49min
Nota: 3,9/5,0