Querido gentil leitor, Bridgerton está de volta e nos traz o mais novo pretendente da temporada, que promete roubar o coração dos fãs ao lado de sua amada. A parte 1 da 4ª temporada está disponível na Netflix, e posso dizer que Benophie é apaixonante e vai encantar os espectadores, especialmente os leitores de Um Perfeito Cavalheiro.
Sim, os primeiros episódios da nova temporada mostram ótima fidelização ao livro, em especial, ao desenvolvimento do casal protagonista. Além disso, a série desenvolve tramas iniciadas na temporada anterior, adicionando outras subtramas interessantes e que roubam a nossa atenção.
******CONTÊM SPOILERS******
O início da 4ª temporada traz novidades e informações frescas e, até o 4º episódio, posso dizer que a temporada acerta na adaptação e agrada muito, até este momento. Claro que há um detalhe ou outro que ganha uma opinião diferente, mas prefiro dar um veredito quando a temporada estiver completa. Sem mais, o saldo é positivo até aqui.
A 4ª temporada de Bridgerton já inicia dando informações sobre a família: o bebê de Kate e Anthony nasceu na Índia. E a prévia divulgada ao final da parte 1 confirma que o casal irá aparecer nesta temporada.
A segunda novidade é que Gregory foi para escola Eton, justificando sua ausência na Casa Bridgerton inicialmente, mas logo retorna no 3º episódio, levemente maiorzinho e amadurecido.
Eloise volta de sua viagem à Escócia, ao lado de Francesa e John, que pretendem passar a temporada em Londres. Já Penelope e Colin continuam felizes e apaixonados, unindo Bridgerton e Featherington novamente, em especial, com a presença de Elliott, filho do casal, e ele é a cara da mãe.
Por fim temos Benedict, o pretendente da vez, que segue firme em sua caminhada de ser um homem livre, sem amarras, desfrutando dos prazeres e desejos…até o baile de máscaras acontecer e ele conhecer a misteriosa Dama de Prata, mais precisamente, Sophie Baek.
Benophie

Bridgerton finalmente adapta a história de amor de Benedict e Sophie, que ganha a atmosfera do conto de fadas da Cinderela. O príncipe se apaixona pela gata borralheira e são felizes para sempre. Mas aqui, a diferença de classe social é quem dita as regras, levando ao casamento arranjado e aos possíveis relacionamentos extraconjugais, seja por prazer ou para viver um amor verdadeiro. E isso reflete no dilema do amor entre Benedict e Sophie.
Bridgerton: tudo o que rolou na 3ª temporada
A parte 1 segue fiel ao 3º livro Um Perfeito Cavalheiro, iniciando com o Baile de Máscaras de Violet Bridgerton, que dá início a temporada das debutantes. O 1º episódio é todo dedicado ao baile, tornando esta sequência mágica, encantadora e linda, sendo vista pela perspectiva de Benedict, que vê Sophie pela primeira vez.
O desenvolvimento de Benedict e Sophie adapta bem o desenvolvimento da história de amor deles, como o baile de máscaras, a luva sendo identificada por Violet, a busca pela Dama de Prata, a partida de Sophie da Casa Penwood, o reencontro de Benedict e Sophie meses depois (e não dois anos como no livro) na casa da família Cavender, com direito a Sophie ajudando a outra empregada e Benedict a salvando.
A sequência no chalé é a minha favorita no livro e a série soube retratar muito bem, com direito a Benedict machucado (no livro ele fica gripado), a cena do lago e o beijo deles; os momentos descontraídos e românticos como eles soltando pipa ou Sophie ensinando Benedict a ter um sotaque melhor para falar francês.

E sim, a série também segue o livro e vemos Sophie indo trabalhar na Casa Bridgerton, a pedido de Benedict à mãe, que a recebe de braços abertos. Sophie é bem vista e quista pelos integrantes como Eloise e Hyacinth, despertando interesse e mistério por ser uma empregada extremamente bem instruída.
Luke Thompson e Yerin Ha conseguem esbanjar carisma e uma química na qual eles nem precisam sem encostar. Basta estarem próximos ou os olhares se cruzarem para o espectador sentir uma conexão sentimental que transpassa pelo corpo.
Uma cena em específico que achei interessante é quando Benedict desdenha das damas no baile, enquanto a Dama de Prata/Sophie as defende e diz o quanto as mulheres dão o melhor de si na aparência e nos talentos que têm, apenas para serem notadas por alguns minutos, o que pode ditar o próximo passo do futuro delas ou não.
Sophie tem propriedade para falar justamente por trabalhar nos bastidores e assistir todo o processo de camarote. E é instantâneo ver a postura de Benedict mudar diante dessa informação, justamente por perceber a verdade, a dificuldade de ser mulher nesta época e por ter irmãs que passaram ou passam por isso.
Mas Benedict também pertence a uma classe social superior e transita pelos bastidores da sociedade em que homens optam por ter amantes para viverem o amor verdadeiro cuja realidade não permite por conta das diferenças. É por este caminho que ele quer seguir com Sophie, mas ela não aceita, como vemos no final do 4º episódio em uma cena hot nas escadas. E as consequências disso serão vistas na parte 2.
Origem de Sophie

É claro que Bridgerton não deixaria de contar a história de origem de Sophie, já que é uma trama fundamental no livro e jamais poderia faltar na série.
Dito isso, o espectador toma conhecimento que Sophie é fruto do relacionamento do Conde Penwood com a empregada da casa. Ela fica sob os cuidados do pai após o falecimento da mãe, recebendo educação, casa e comida, mas sem o reconhecimento devido, afinal, ela é uma filha ilegítima.
Mas as coisas se complicam quando Lorde Penwood se casa com Lady Araminta, que já tem duas filhas, a mimada Rosamund e a doce Posy, que mantém um carinho maior com Sophie. Com a morte do Lorde, Sophie é rebaixada para empregada, sofrendo anos de maus tratos pela madrasta.

A atriz Katie Leung encarna uma detestável Lady Araminta e isso está perfeito, assim como no livro. Ela esbanja um lado bem desagradável por onde passa, quer casar as duas filhas, mas só se importa com Rosamund, enquanto desdenha e trata mal Posy.
Bridgerton: final da 3ª temporada caótico, feliz e com mudanças
É ela quem dá início a guerra dos criados – para substituir Sophie – e, para complicar ainda mais, ela compra a casa bem ao lado da família Bridgerton. O caos está instalado e a Sophie vai passar por maus bocados com a madrasta na parte 2 da 4ª temporada.
Brigas entre amigas e irmãs

Bridgerton acrescentou dois plots interessantes nesta 4ª temporada, na minha opinião. A primeira é o desentendimento entre a Rainha Charlotte e Lady Danbury. Amigas desde quando Charlotte assumiu o trono, Danbury sempre fora sua fiel dama de companhia. Mas cansada da rotina e dos compromissos dentro da alta sociedade, Lady Danbury quer se distanciar das responsabilidades e ter um tempo para si e para revisitar suas raízes.
Mesmo pedindo o afastamento, a Rainha não aceita e não permite isso, o que faz as duas brigarem e, consequentemente, afetar a amizade. Claro que isso não dura muito e Charlotte admite que não quer a amiga longe, em especial, se o Rei George partir a qualquer momento. Confesso que me emocionei com a cena das duas e é possível entender os sentimentos de ambas, em especial, de Lady Danbury, pois ela merece novos ares e uma nova rotina.
Para isso, ela escolhe Alice Mondrich como a perfeita candidata a dama de companhia da Rainha, deixando-a surpresa e chateada por ser pega desprevenida com tal proposta. Mas Lady Danbury explica que isso a fará destacar na sociedade, mas também como uma mulher firme de suas escolhas. Achei o plot interessante, pois dá destaque à Alice que, convenhamos, ela e o Sr. Mondrich são personagens desperdiçados há um tempo.
Pelo menos, agora, acredito que ambos vão engrenar na trama. Ainda assim, questiono o motivo da produção insistir neste casal e não trazer Daphne Bridgerton de volta à série.

Outro desentendimento que surge é entre as irmãs Bridgerton. Desde a viagem à Escócia, Eloise está determinada a ser solteirona, mesmo se esforçando em deixar algum pretendente se aproximar dela. Por ora, isso e outras lições que envolvem obrigações da mulher com a casa ou o casamento estão fora de cogitação para ela. E isso até a deixa deslocada perto de Penelope e Francesca, que estão vivendo este momento.

Já Hyacinth não perde as lições e os aprendizados, além do fato de estar ansiosa para debutar e participar dos bailes. Gostei que a série deu mais espaço à personagem nesta temporada, injetando certa indisposição entre ela e Eloise, já que Hyacinth joga na cara que Eloise é egoísta e só pensa em si mesma, sem demonstrar interesse algum pela irmã. Curti a desavença e quero ver mais disso.
Outro ponto interessante é o fato da série estar preparando o terreno para Eloise. Acredito que ela será nossa protagonista na 5ª temporada.
Francesca e John

Até este momento, o plot de Francesca e John é focado em eles encontrarem uma conexão carnal verdadeira. Francesca admite que nunca chegou no ápice (não gozou) com John e, inicialmente, parece engraçado, mas ao mesmo tempo, preocupante.
Percebe-se que Francesca está seguindo tudo certinho no casamento, quer ter filhos, mas até não consegue, acreditando que seja por não conseguir chegar nos finalmentes quando o assunto é sexo. E é aqui que a dúvida surge: Francesca realmente se casou apaixonada por John? Os dois são fofos juntos, mas admito que não sinto aquela química entre eles e este plot aumenta esta desconfiança. Confesso que acho os dois um casal sem graça. Para complicar mais um pouco, Michaela Sterling entra em cena e promete confundir ainda mais a cabeça de Francesca, né?
Eu não li o livro da Francesca, então não sei os detalhes sobre a história dela, mas pelo que li por cima, a série já dá indícios sobre o problema de infertilidade da personagem no livro, mas isso ainda não foi dito. Mesmo assim, eu queria ver uma química mais forte do casal.
Violet merece ser feliz

Se tem uma personagem que merece ser feliz em Bridgerton é Violet, que se destaca mais uma vez na série, só que ainda melhor.
Finalmente a personagem sai da atmosfera de responsabilidade como mãe e matriarca da família e dá atenção aos seus desejos, vontades e sua felicidade. O que foi plantado na 3ª temporada finalmente está sendo colhido agora. Violet não só deixa Lorde Marcus Anderson cortejá-la, como ela marca um ‘chá noturno’ e a noite de amor entre eles finalmente acontece!
É muito interessante a forma como a série mostra a preocupação da mulher em realizar seus desejos enquanto julga seu corpo, sua idade e tudo o que viveu com o primeiro marido. Os questionamentos de Violet são válidos, especialmente para época, e a forma como a série mostra com delicadeza e firmeza são incríveis. Violet é adulta e dona de si e merece encontrar a felicidade novamente e não se esconder mais.
Lady Whistledown pressionada?

Agora que a identidade de Lady Whistledown é conhecida pela sociedade, Penelope precisa prestar contas à Rainha Charlotte a cada artigo que escreve, o que a deixa desconfortável, pressionada e com certo receio de usar as palavras erradas. Isso sem contar com o fato das mães lhe procurando para poder encontrar o pretendente certo para suas filhas.
Confesso que achei divertido no começo, mas depois um pouco chato ver a Rainha tentando controlar o que Lady Whistledown escreve. Pelo menos, o plot com a Lady Danbury deu uma movimentada e fez a rainha esquecer um pouco da autora.
Além disso, temos o prazer de testemunhar a felicidade de Penelope e Colin, com direito a uma nova cena hot na carruagem. Também gostei do entrosamento de Penelope com Francesca, principalmente quando Pen ajuda a cunhada a entender melhor o seu corpo e os prazeres que pode sentir.
O mundo da criadagem

Em entrevista, a showrrunner Jess Brownell havia dito que a série ia mergulhar nos bastidores da alta sociedade, pela perspectiva dos empregados, e acertou em cheio ao retratar isso na 4ª temporada. A câmera leva o espectador a passeios pela cozinha, lavanderia e quartos para entendermos a quantidade de empregados que trabalham em cada casa e a função de cada um. Aliás, a cena do sininho na parede sendo acionado é exatamente igual ao que vemos na animação da Cinderela.
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O espectador entende o sistema de cada casa, uns com muitos empregados e outros com poucos que acumulam os afazeres, revelando um universo árduo, mas ao mesmo tempo, harmonioso. Eles são amigos, se entendem, se ajudam e conhecem sua posição, sem abrir mão de poder sonhar com uma vida melhor, além de lutar para ter seu reconhecimento no trabalho. O que era apenas coadjuvante ou figurante, os funcionários ganham seu merecido destaque nesta temporada, até porque, nossa protagonista Sophie vem deste mundo.
E claro que os empregados são a alma da fofoca, aqueles que escutam e enxergam muitas coisas, além de serem os responsáveis por manterem a ordem. Com isso, a série acerta ao trazer a Guerra dos Criados em que famílias pegam os empregados de outras famílias, sobretudo quando este novo emprego os valoriza mais.
É por isso que Varley, empregada de longa data dos Featherington, deixa o posto ao ver que a matriarca Portia não a recompensa pelos anos de dedicação e serviço à família. O plot twist? Varley vai trabalhar para Lady Araminta.
O que você achou da parte 1 da 4ª temporada de Bridgerton?
Ficha Técnica
Bridgerton
Criação e produção: Chris Van Dusen, Shonda Rhimes, Betsy Beers
Showrunner: Jess Brownell
Adaptação do 3º livro Um Perfeito Cavalheiro
Elenco: Luke Thompson, Yerin Há, Nicola Coughlan, Luke Newton, Claudia Jessie, Golda Rosheuvel, Adjoa Andoh, Ruth Gemmell, Katie Leung, Michelle Mao, Isabella Wei, Lorraine Ashbourne, Hannah Dodd, Harriet Cains, Florence Hunt, Martins Imhangbe, Will Tilston, Polly Walker, Hugh Sacks, Emma Naomi, Daniel Francis e Julie Andrews.
Duração: 4ª temporada (Parte 1 – 04 episódios)
Nota: 4,7/5,0



















