Five Nights At Freddy’s é uma franquia de muito sucesso no universo do videogame. Agora, o jogo de terror ganha uma versão cinematográfica pela produtora Blumhouse, especializada neste gênero. Posso dizer que Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim apresenta potencial, a faca e o queijo na mão para dar 100% certo, mas que falha com as más decisões no desenvolvimento da história. E vou te dizer quais são e os porquês.
Com direção de Emma Tammi, Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim acompanha Mike, um rapaz que, infelizmente, não consegue parar em nenhum emprego por conta das suas atitudes. Ele é assombrado por um passado triste, sem encerramento e, agora, precisa cuidar da irmã mais nova Abby.
Para não perder a guarda da irmã para a tia Jane e nem a casa onde mora, Mike aceita o emprego de segurança noturno na pizzaria Freddy Fazbear, oferecida pelo gerente empregador Steve Raglan (Matthew Lillard), que tenta ajudá-lo de alguma forma. Mas Steve deixa claro que a tarefa é simples: não dormir no horário de trabalho, ficar atento às câmeras do local e não deixar que absolutamente ninguém entre lá.
Mas ao iniciar o trabalho, Mike logo percebe que o turno da noite no Freddy’s não será tão fácil assim, uma vez que sons, sensações e movimentos sinistros começam a rolar pela pizzaria abandonada, marcada por uma tragédia nos anos 1980.

Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim é baseado no game e não na série de livros. Como não tive contado com nenhum dos dois, esta crítica será focada apenas no filme. Sendo assim, o primeiro ponto a se ressaltar é que a trama apresenta potencial, um terror que poderia agradar tanto os fãs do game quanto atrair aqueles que vão ter o contato com a história pela primeira vez. É o tipo de filme para não se levar a sério, não é extremamente ruim, mas apresenta problemáticas em seu desenvolvimento devido as más decisões na narrativa.
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O longa é protagonizado por Mike, vivido pelo ator Josh Hutcherson, que entrega uma atuação satisfatória ao apresentar um rapaz abatido e problemático, carregando o fardo do desaparecimento do seu irmão mais novo, Garrett, nos anos 80. Até hoje, ele tenta lembrar a qualquer custo o rosto de quem sequestrou o seu irmão e, para isso, ele abusa de remédios que o leva a ter sonhos perturbadores no local onde tudo aconteceu.
O background do protagonista é interessante, pois molda suas atitudes e a forma como ele age e reage diante do que ocorre dentro da pizzaria e como protege Abby que, a princípio, é deixada de escanteio por Mike por conta deste peso que não o deixa seguir em frente.
No entanto, o filme vai e volta diversas vezes neste sonho na tentativa de conectar o passado e o presente o que, às vezes, soa cansativo, uma vez que demora a engrenar e entregar respostas mais diretas ao que está acontecendo, sendo que o espectador já compreende as entrelinhas rapidamente. Qual a necessidade de repetir as mesmas cenas? Mas a maior frustração se encontra no desfecho do plot envolvendo o irmão de Mike, cuja resposta é curta e sem emoção, não condizendo ao sofrimento do protagonista e as inúmeras voltas que o filme dá em torno da subtrama.

Quando somos levados para dentro da pizzaria abandonada, Mike logo conhece a policial Vanessa (Elizabeth Lail), que está ciente sobre local há bastante tempo, o que a faz dar alertas sobre como agir lá dentro. A personagem faz revelações a conta gotas, além de apresentar ações um tanto quanto estranhas diante dos animatrônicos com vida, o que faz o público imediatamente suspeitar da policial, enquanto as respostas causam desequilíbrio e falhas na história.
Já a personagem Abby (Piper Rubio) ganha um bom destaque ao lado de Mike, por ser uma menina sozinha e sem contato com outras crianças, esculpido pela ausência dos pais e por um irmão distante em razão do passado sombrio. Isso faz o público entender a rápida afeição que Abby tem com os animatrônicos, cuja estranheza ao ver robôs vivos passa longe da garota que, no fim, quer se divertir com os seus novos amigos.
Um ponto positivo e negativo de Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim é com relação às estrelas do filme. Os animatrônicos foram construídos do zero e ganha um design fidelizado aos personagens do jogo, causando estranheza pelo tamanho e as características medonhas de cada um. Aqui, conhecemos Freddy (o líder do grupo), Chica, Foxy, Bonnie e o cupcake parceiro de Chica.

De um lado, estes personagens despertam medo quando ativam o lado violento deixando um bom rastro de sangue, enquanto assustam suas vítimas com vozes, barulhos e passos medonhos. A sequência em que os robôs matam um grupo de invasores é bem feita, mostrando a capacidade letal de cada um.
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Por outro lado, quando o espectador fica ciente sobre a tragédia na pizzaria e como esses robôs ganharam vida, as peças não se encaixam direito por conta das decisões pouco condizentes, que vai depender do público em aceitar o que está sendo dito e mostrado ou não. A verdade é que se a história tivesse se inclinado totalmente ao lado sobrenatural, o desenvolvimento da trama ganharia um sentido maior e melhor. Ah, e não há jump scares, ou seja, o susto passa bem longe.
Considerações finais
A reta final de Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim acaba se tornando anticlímax com uma resolução falhada, consequência das decisões tomadas na história. Ainda assim há um desfecho, com direito a uma cena pós-créditos (que é bobinha), mas deixa uma pequena porta aberta quando o público escuta lá no finalzinho do filme uma voz soletrando: ‘VEM ME ACHAR’. Isso pode significar que podemos ter uma nova sequência no futuro, ou pode não significar nada.
No fim das contas, Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim apresenta bom potencial, personagens interessantes e animatrônicos bem feitos e que amedrontam com o design e a agressividade, mas perde a força com decisões que trazem falhas, desequilíbrio e pontas soltas na história.
Se vai agradar os fãs do game eu já não sei, mas quem tiver o contato com a história pela primeira vez, pode torcer o nariz ou simplesmente não se importar e apenas se divertir. Vai depender de cada um.

******CONTÊM SPOILERS******
Esta segunda parte da crítica contém spoilers, pois vou apontar algumas falhas do filme.
Para começar, descobrimos que o irmão mais novo de Mike foi sequestrado nos anos 80, mesma época em que cinco crianças desapareceram na pizzaria Freddy’s Fazbear, cujos corpos jamais foram encontrados. Durante os sonhos, Mike tenta descobrir quem é o sequestrador de Garrett, mas também passar a ver as cinco crianças desaparecidas.
A verdade é que essas cinco crianças estão mortas e os corpos foram escondidos dentro dos animatrônicos, que possuem um mecanismo de prendê-las dentro. O assassino, na época, ficou conhecido como o ‘coelho amarelo’, uma figura vista como amigo dessas crianças. Quando manipuladas pelo coelho, os animatrônicos ativam o lado violento, matando o alvo da vez, por isso os seguranças noturnos do local nunca duravam.
Ao descobrir esta história, Mike entende a razão para ver estas crianças em seu sonho. Ele acredita ser uma pista sobre o paradeiro do seu irmão, mas a verdade é que estas crianças querem que ele entregue Abby em troca de uma resposta sobre o sumiço de Garrett. Como Abby se afeiçoou aos robôs, agora, as crianças querem que a alma dela se junte a eles, mas claro que Mike não permite isso.
Ao confrontar os robôs, ele finalmente se depara com o famoso ‘coelho amarelo’ e o verdadeiro responsável pela tragédia na pizzaria. Mas não se trata de apenas um robô e, ao revelar a identidade, descobrimos que o grande vilão do filme é Steve Raglan, quem deu o cargo de segurança para Mike. Ele não só matou as crianças do local, como também sequestrou Garrett. Mas ao revelar sobre a morte do irmão de Mike, essa informação é tratada com desdém, enquanto o filme todo faz o espectador acompanhar as várias cenas do sonho e a perturbação sobre esse desaparecimento. É frustrante.

Outro ponto que traz falhas e questionamentos: Steve matou as cinco crianças e escondeu os corpos dentro do animatrônicos. Durante a investigação, ninguém sentiu o cheiro dos cadáveres em decomposição dentro desses robôs? Além disso, fica claro que as almas dessas crianças não encontraram paz e luz, ficando no local em busca de vingança sob controle do ‘coelho amarelo’. No entanto, o vilão ainda está vivo. Como o assassino consegue controlar as almas das crianças nesses robôs? Se pelo menos Steve já estivesse morto e sua alma tivesse ficado presa no animatrônico, faria muito mais sentido ele conseguir controlar os demais robôs e arquitetar toda a vingança.
Mas as falhas não param por aí, pois logo em seguida descobrimos que a policial Vanessa é filha de Steve, daí o motivo para ela conhecer a história da pizzaria, tentar proteger Mike e Abby e achar que faz sentido os robôs estarem “vivos”. O que pega aqui é o fato da personagem ser da polícia e ficar à mercê do pai assassino ao invés de entregá-lo às autoridades. Faria mais sentido se Vanessa fosse a única sobrevivente do massacre nos anos 80 e retornar ao local por saber que seus antigos amigos ainda estão ali; ou ela ter perdido um irmão/irmã e sempre retornar na pizzaria ciente de que encontraria o espírito no local. Como disse, teria sido bem melhor se o filme tivesse se debruçado totalmente ao sobrenatural.
Por fim, na reta final vemos que Abby finalmente entende o que está acontecendo e descobre que o ‘coelho amarelo’ é o vilão. Como há uma parede com vários desenhos mostrando que ele é o amigo, Abby faz um desenho para mostrar a verdade a todos. Ou seja, só precisava fazer um desenho para os robôs perceberam quem era o verdadeiro inimigo? As crianças não se lembram de absolutamente nada do passado, muitos menos da imagem do coelho amarelo eliminando cada uma? Memória ruim essas crianças tem! Isso faz o final ser anticlímax, com um desfecho fácil e com pontas soltas diante de todas as respostas que tivemos.
Assim, em Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim, Mike e Abby se salvam e ele consegue a guarda total da irmã mais nova que, finalmente, passa a se abrir mais e a ter amigos na escola. Já Vanessa é atacada pelo pai e termina internada no hospital. O filme encerra sem sabermos se ela acordou, mas achei um final justo servindo como punição a personagem que se omitiu diante das atrocidades do pai depois de adulta.
Mas a melhor ponta solta do filme é com relação à tia Jane (Mary Stuart Masterson). Na cena, vemos que o robô Freddy vai até a casa de Mike para buscar Abby e, consequentemente, ataca Jane que fica caída no chão. A personagem simplesmente some e não sabemos o que aconteceu, ficando a critério do espectador em dar um desfecho a personagem. Para mim, Jane morreu e todos fingiram que nada aconteceu.
Ficha Técnica
Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim
Baseado nos jogos Five Nights At Freddy’s
Direção: Emma Tammi
Elenco: Josh Hutcherson, Elizabeth Lail, Piper Rubio, Matthew Lillard, Mary Stuart Masterson, Kat Conner Sterling, Christian Stokes, Joseph Poliquin, Lucas Grant, Grant Feely, Asher Colton Spence, David Huston Doty, Liam Hendrix, Jophielle Love, Bailey Winston, Theodus Crane, Ryan Reinike e Victoria Patenaude.
Duração: 1h50min
Nota: 2,4/5,0