Como sair de um relacionamento tóxico? E se esta relação for com o Conde Drácula? É exatamente isso que você leu e verá em Renfield – Dando Sangue ao Chefe, que chega aos cinemas como uma comédia de horror que beira ao pastelão, entregando momentos que mesclam ação, diversão e sangue. É um filme para entreter com uma história legal de acompanhar na tela, mas sem criar expectativas, afinal, não é perfeito, e tem falhas, mas te conquista com a sinopse e o carisma dos atores que entregam personagens peculiares e bons.
Com direção de Chris McKay, Renfield – Dando Sangue ao Chefe acompanha Robert Montague Renfield, o leal assistente do temido Conde Drácula. Renfield dedica totalmente o seu tempo a servir ao seu mestre, obedecendo prontamente todas as ordens dadas, especialmente aquela em que ele precisa encontrar presas perfeitas para que o vampiro possa continuar vivendo por toda a eternidade.
Mas, após anos de servidão, finalmente a ficha de Renfield cai e ele percebe que está vivendo uma vida que não é mais dele. Ao começar a frequentar um grupo que fala sobre relações tóxicas, o assistente percebe que está vivendo em looping um relacionamento abusivo e controlador com o seu chefe. Assim, ele decide dar um basta e iniciar uma nova vida.
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Mas, enquanto vive à mercê do chefe, precisando encontrar novas vítimas para alimentá-lo, o destino coloca Renfield no caminho de Rebecca, uma policial que trabalha em blitz de trânsito, mas deseja fazer mais em sua profissão e trazer justiça para acabar com o império de uma família criminosa que domina a cidade. Quando os dois se cruzam em um confronto com esta máfia, Renfield usa do seu poder para acabar com os inimigos, enquanto se apaixona pelo forte empoderamento de Rebecca ao se impor diante do oponente.

À medida que um vai conhecendo o outro, Renfield descobre mais sobre esta família mafiosa e o que são capazes de fazer, enquanto Rebecca lida com o fato do novo amigo trabalhar para o Drácula. Mas e quando os caminhos destes inimigos se cruzam? O que pode acontecer?
Renfield – Dando Sangue ao Chefe passa longe de ser um filme de terror e quem criar tal expectativa, de fato, ficará frustrado. A atmosfera de horror existe sim, seja para ambientar as cenas do Conde Drácula e seu assistente, juntamente com as sequências regadas de banho de sangue, seja com Drácula aniquilando suas vítimas e inimigos com rasgos na garganta e cabeças decepadas enquanto aproveita para saciar a sua sede e deixar a sua pele viçosa; ou quando Renfield entra em ação e desmembra todos aqueles que tentam matá-lo ou ferir a Rebecca. Inclusive, uma sacada boa é a forma como o assistente adquire os poderes ao ingerir insetos, obtendo força sobrenatural. Já a sua longevidade fica por conta do próprio Drácula, capaz de fazer outras coisas também. Mas só assistindo para você saber.
A comédia se encontra no tema central ao abordar o relacionamento tóxico entre chefe e funcionário, cuja diversão está em acompanhar uma figura vampiresca que exala opressão e manipulação para controlar seu submisso, enquanto a força e o poder são usados para algo maior e letal.

Renfield – Dando Sangue ao Chefe se segura mesmo é pelo protagonismo de Nicholas Hoult e Nicolas Cage que entregam um dinamismo tragicômico, na qual o espectador torce para que o assistente consiga sair desta relação tóxica, escrachada, sufocante e literalmente mortal para qualquer um. Enquanto isso, o público se diverte com as caras e bocas de Cage ao encarnar um Drácula impetuoso, sanguinário, desdenhoso e narcisista.
Mas o filme também tenta dar uma pincelada de romance ao envolver Renfield e Rebecca, cuja química é mais divertida do que romântica. A atriz Awkwafina entrega uma policial movida por um passado trágico, enquanto alimenta a raiva que a move impetuosamente para fazer a coisa certa. Digamos que a Rebecca é uma ‘esquentadinha’ com a melhor e verdadeira intenção. Ainda assim, a atriz entrega uma atuação bem caricata, em que algumas vezes você não sabe se precisa levá-la a sério.
Talvez, Renfield – Dando Sangue ao Chefe se perca em seu desenvolvimento por não saber em qual gênero quer se aprofundar (horror, comédia ou romance), passando por cada um superficialmente. No fim, chega-se à conclusão de ser uma comédia de horror beirando ao pastelão, com sangue e ação.

Aliás, o arco da criminosa família Lobo protagonizada por Ben Schwartz e Shohreh Aghdashloo também soa caricato, salvando-se nos momentos mais realistas, seja com tráfico de drogas ou eliminando os obstáculos que atrapalham os negócios familiares.
Claro que o longa é recheado de efeitos, especialmente nas cenas sangrentas que mesclam o gore e cômico, seja com a Rebecca batendo em alguém com um braço decepado; Renfield literalmente criando uma pilha de corpos. No entanto, mesmo a cena sendo regada de sangue, nota-se que os personagens não ficam nem sujos em meio às vísceras. Claramente esqueceram de colocar os efeitos nos atores na pós-produção.
Considerações finais
A reta final ganha até uma sequência satisfatória em que vemos todo o núcleo do filme reunidos para o último confronto. No entanto, por se tratar do Conde Drácula e o poder que carrega, esperava-se um embate mais ousado (e daria para fazer), frenético e perigoso, digno da figura vampiresca mais icônica das histórias de horror. No entanto, o desfecho acaba fazendo jus a todo o desenvolvimento do filme.
Renfield – Dando Sangue ao Chefe passa longe de ser um terror, mas dá pitacos de romance, ação e horror, se debruçando mais no estilo comédia pastelão. Não é perfeito e pode se tornar até esquecível com o tempo, mas não deixa de ser um filme despretensioso e divertido de assistir, na qual você não sente o tempo passar.
Ficha Técnica
Renfield – Dando Sangue ao Chefe
Direção: Chris McKay
Elenco: Nicholas Hoult, Nicolas Cage, Awkwafina, Ben Schwartz, Shohreh Aghdashloo, Adrian Martinez, Bess Rous, James Moses Black, Brandon Scott Jones e Camille Chen.
Duração: 1h33min
Nota: 2,9/5,0