Zoey’s Extraordinary Playlist chegou sem alarde e conquistou o público com uma 1ª temporada fantástica que agrada desde a premissa de uma garota que escuta os pensamentos e sentimentos das pessoas por meio da música até os dramas, as cenas divertidas, uma trilha sonora viciante até o seu desfecho emocionante.
A série retorna em uma 2ª temporada que engata após os últimos eventos que impactam a vida da protagonista e todos a volta. Mas será que os novos episódios conseguiram superar a estreia arrebatadora da série? Posso dizer que a 1ª temporada continua sendo a minha favorita, enquanto a 2ª começou engatinhando e com alguns tropeços (talvez propositais), mas conseguiu crescer gradativamente e entregar, novamente, uma trama envolvente e personagens que continuam evoluindo e fazendo a diferença na história. Mesmo com pequenas ressalvas, a série te encanta mais uma vez e faz o espectador repetir esta playlist agradável várias vezes.
******CONTÊM SPOILERS******
As fases de Zoey

A 2ª temporada de Zoey’s Extraordinary Playlist dá continuidade aos eventos finais da 1ª temporada e passa semanas após a morte de Mitch, revelando como a família está lidando com o luto e encontrando meios de seguir em frente. Obviamente, a série tem o maior foco em Zoey que, na minha opinião, encontra-se bem perdida e confusa até quase metade da temporada.
Vale a pena assistir Zoey’s Extraordinary Playlist?
A princípio, vê-la perdida, sem rumo e tomando decisões precipitadas até incomoda o espectador, que acredita que a série não sabe para onde levar a protagonista. Mas quando se enxerga a temporada como um todo, é possível pensar que a proposta do roteiro seja que o público se coloque no lugar da personagem para sentir os mesmos sentimentos incômodos de uma pessoa que está tentando levar a vida após uma grande perda.
O início da temporada desenvolve não só o processo de luto, como também desencadeia outros problemas e mais situações para Zoey, que se intensifica por conta do seu poder. Aliás, o dom de ouvir o pensamento do próximo faz a protagonista ajudar quem está ao seu lado, enquanto ela fica em segundo plano, deixando os seus próprios sentimentos mal resolvidos, que se complicam mais para frente.
Tanto o luto quanto a força de vontade para seguir em frente começam a ser testados quando Zoey se torna a nova chefe da empresa SPQRT Point, já que Joan vai embora após receber uma proposta para trabalhar no Japão. Esta decisão não é precipitada, uma vez que a atriz Lauren Graham precisou sair da série por conta de conflitos na agenda, já que ela é protagonista de outra série do Disney Plus.
A princípio, a decisão de colocar Zoey no posto de líder não foi uma das melhores, pois ela não consegue dar a atenção total ao cargo, dando a sensação de que ela não queria estar nesta posição, o que a deixa ainda mais confusa por não saber quem ajudar ou por onde começar. A personagem Joan tinha uma ótima base na série e era fundamental para esta parte do enredo que ficou com um buraco no início, mas se salvou até o final da temporada.
Como disse, talvez a proposta desta 2ª temporada era fazer o espectador sentir na pele o mesmo incômodo e a mesma confusão de Zoey, uma vez que a personagem consegue sair dessa espiral e dar os primeiros passos para trabalhar no assunto que realmente lhe afeta. A partir daí, a série fica melhor e a emoção vai crescendo.
Triângulo amoroso de volta?

Se tem uma coisa mal resolvida em Zoey’s Extraordinary Playlist é o coração de Zoey, o que é normal dentro das circunstâncias em que a garota se encontra. O vai e vem entre Zoey e Max confunde e incomoda novamente, justamente por ser um casal que o público ama e torce para que fiquem juntos. No início, o namoro até engrena, mas tanto o luto quanto o poder deixam Zoey ainda confusa, colocando o relacionamento (novamente) em ‘stand by’ e, automaticamente, deixando o caminho livre para outras pessoas surgirem. E é exatamente isso que acontece.
De um lado vemos Max resgatar uma relação da juventude quando a amiga de infância Rose retorna para sua vida, uma personagem espontânea, agradável e que conquista o público rapidamente. Do outro lado temos Zoey que, cada vez mais confusa, enfia os pés pelas mãos e engata um namoro com Simon, sem valorizar os sentimentos que ele tem por ela, o que não é justo em boa parte da trama. É possível relevar pelo fato da Zoey tomar decisões em cima de questões mal resolvidas, mas a série faz questão de deixar claro o quanto a protagonista sabota os seus relacionamentos.
Aliás, um ponto que esta 2ª temporada promete no início é trabalhar a relação de Max e Simon, que se aproximam no começo da história tanto pela amizade com a Mo quanto pelo apoio à Zoey. No entanto, a série simplesmente esquece essa proposta, deixando esta possível amizade em cima do muro, dando outros rumos para os personagens.
Terapia

Após inúmeros conflitos, sabotagens e sentimentos mal resolvidos, finalmente a série coloca a protagonista frente a frente ao terapeuta, rendendo cenas excelentes e momentos emocionantes nesta 2ª temporada. A partir do momento em que as peças do quebra-cabeça mental de Zoey começam a se encaixar, o espectador toma conhecimento do que realmente está acontecendo com a personagem, o que faz o público compreender a trama e a proposta de ver a protagonista tão perdida no começo.
Zoey resgata sentimentos e acontecimentos que faz chegar à compreensão que o sentimento de perda é o ponto mais forte de lidar e o mais fraco para desestruturar a personagem. Neste momento, a série retorna ao passado em que descobrimos como a amizade de Zoey e Max começou, o sonho de ir trabalhar na SPQRT Point, como ela entrou na empresa – e esta é uma boa reviravolta – e o momento em que ela revela que quase perdeu a mãe, outro ponto que surpreende e emociona justamente por saber que esta é a raiz que desencadeia a ideia de perda e o medo de se relacionar, o que faz Zoey admitir que colocou Max na ‘friendzone’ por medo de se apaixonar e de ter uma relação. Aliás, o episódio flashback é simplesmente incrível e ainda traz de volta cenas com Mitch (Peter Gallagher) antes de ficar doente.
Tudo isso vem à tona por conta da despedida de Max, que decide ir embora para Nova York com a Rose para expandir os negócios do restaurante em sociedade com a Mo. Esta é a chave principal tanto para a protagonista quanto para o público entender que esta não é só uma história sobre perda, mas também é uma história de amor.
Família

É claro que Zoey’s Extraordinary Playlist não deixaria os demais personagens de lado e a família de Zoey ganha um espaço ainda maior, plots interessantes que revelam que o luto e a superação também lhe afetaram de formas variadas. Se Zoey lida com a morte do pai, Maggie enfrenta a perda do seu grande companheiro de vida. Entre altos e baixos, a mãe de Zoey retoma as atividades, volta ao trabalho, passa por situações desconfortáveis, que antes não imaginava que isso pudesse acontecer se Mitch estivesse por perto, se diverte, extrapola, flerta, sorri, chora e se emociona também, tanto sozinha quanto do lado da amiga Deb ou de Jenna, irmã de Emily, personagens que apoiam e complementam positivamente a trama da personagem.
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Já David, irmão de Zoey, passa por um momento de crise profissional em que ele não se vê mais na área de advocacia e, assim, decide ir em busca de novas aventuras, como montar uma banda ou tocar em uma. Já Emily tem um ótimo plot que retrata a depressão pós-parto junto com a alegria da chegada do filho, um mix de sentimentos que se divide entre felicidade e culpa, uma subtrama muito bonita que traz um tema importante a se discutir.
Destaque de outros personagens

Entre o leque de personagens, Simon é quem ganhou uma subtrama relevante nesta 2ª temporada, que destacou a questão do racismo e preconceito dentro da empresa, uma vez que Simon não se sente apoiado e acredita ser o único a sentir e passar por essa situação.
De forma leve e nada superficial, a série consegue consolidar essa temática ao colocar o personagem na posição de porta-voz desta causa, mudando os pensamentos quadrados da empresa, como a gente vê com a própria Zoey e o dono Danny Michael Davis, e atraindo mais vozes e diversidade para o ambiente, como foi o plot de Tobin em que ele traz a discussão sobre xenofobia. São episódios bons e com temas fortes, mostrando que a temporada começa a elevar o seu potencial. Além disso, a série consegue tirar a sensação de ver o Simon perdido na história.

Outra personagem que continua fabulosa e só engrandece a trama é Mo, que evolui profissionalmente ao engatar uma sociedade com Max, e ainda ganha um plot romântico com a chegada do bombeiro Perry (David St. Louis) em sua vida, que não só vai despertar o seu coração, mas também trazer discussões sobre gênero, sexualidade, aparência e como a Mo não tem mais medo de mostrar quem é de verdade. Já Leif e Tobin continuam agradáveis e com plots interessantes que divertem.
Novos personagens

A 2ª temporada de Zoey’s Extraordinary Playlist adiciona novos personagens temporários que, no fim das contas, não engrandecem tanto a trama quanto se esperava, mas rendem plots divertidos, como é o caso de Aiden (Felix Melard), o vizinho de Zoey. O episódio em que ela, Aiden e Danny Michael Davis experimentam uma droga e ficam completamente fora de si é simplesmente sensacional. É o auge em que vemos a protagonista 100% perdida em si, ao mesmo tempo em que ela começa a voltar a colocar os pés no chão. No entanto, Aiden não rende tanto na série, tirando o fato dele ter um ‘crush’ em Zoey, o que rende uma cena engraçada, além de convidar David a tocar em sua banda.
Já o personagem George (Harvey Guillén) é o novo funcionário da SPQRT Point e, a princípio, acreditei que ele fosse acrescentar algo no elenco da empresa. Porém, o rapaz só serviu para irritar a Zoey em um momento conturbado, o que acabou gerando em sua demissão, pois ele não se encaixava no ambiente. Qual a necessidade de colocar um personagem que vai sair tão repentinamente?
Em contrapartida, os personagens Perry, Jenna (Jee Young Han) e Danny Michael Davis (Noah Weisberg) são os únicos que funcionam e complementam as tramas de Mo, Maggie e Zoey, como disse anteriormente.
Playlist trocada

Se a 1ª temporada entregou uma trilha sonora fantástica, a 2ª temporada de Zoey’s Extraordinary Playlist não fica nada a desejar com sua playlist ainda mais pop e com o diferencial de apresentar músicas originais com na cena em que Aiden canta e se declara para Zoey em sua festa de aniversário. Nestes novos episódios, o público diverte, canta e emociona ao som de ‘Watermelon Sugar’, ‘Kiss Me’, ‘What Does The Fox Say’, ‘Someone You Loved’, ‘I Want To Break Free’, ‘Stronger’, ‘Shake It Off’ e muitas outras canções.
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No entanto, nesta 2ª temporada temos um ótimo episódio em que vemos Zoey ouvir as playlists trocadas, ou seja, um personagem canta a canção do outro e ela e Mo começam a investigar ao estilo CSI para saber qual música pertencem a quem e, assim, descobrir qual dificuldade cada um está passando. Esse episódio é sensacional e o final é bem tocante.
Final excelente

Se tem uma coisa que Zoey’s Extraordinary Playlist sabe fazer é entregar finais de temporada emocionantes e, novamente, a série acerta em cheio. Nesta season finale, finalmente Zoey se declara para Max, enquanto ele reconhece que seus sentimentos pela amiga ainda são fortes, o que o faz desistir da mudança para Nova York e, consequentemente, ambos darem uma nova chance à relação. Espero que a série explore e trabalhe muito bem este relacionamento que, por sinal, vai vir com surpresas.
Uma dessas surpresas é o fato de Max ter o mesmo poder de Zoey, uma vez que ele escuta o pensamento da protagonista em forma de canção pela primeira vez. Como ele adquiriu o poder? O que aconteceu com ele no instante em que ele desiste de viajar?
Além deste ótimo gancho, a série traz de volta o personagem Mitch em uma cena linda em que Zoey sonha com o pai e pede conselhos a ele. Impossível não se emocionar com a conversa dos dois e a música que eles cantam.
Enquanto isso, vemos Mo e Perry engatando no romance, Maggie pronta para voltar a se relacionar com alguém, David e Emily se apoiando um ao outro no casamento e Simon engatando em um grande projeto que pode mudar muito a empresa.
Mesmo com um início um pouco perdido e até incômodo em certos momentos, além de personagens que não acrescentaram muito, a 2ª temporada de Zoey’s Extraordinary Playlist não fica a desejar e entrega uma trama que evolui ao longo dos episódios, trabalha os sentimentos da protagonista com o objetivo de que o próprio público se coloque no lugar da personagem, apresenta uma playlist viciante com músicas pops e originais, desenvolve temáticas importantes e entrega um desfecho emocionante e com bons ganchos para uma possível nova temporada.
Espero muito que Zoey’s Extraordinary Playlist seja renovada o quanto antes.
Ficha Técnica
Zoey’s Extraordinary Playlist
Criação: Austin Winsberg
Elenco: Jane Levy, Skylar Astin, Peter Gallagher, Lauren Graham, Alex Newell, John Clarence Stewart, Mary Steenburgen, Andrew Leeds, Zak Orth, Alice Lee, Kapil Talwalkar, Michael Thomas Grant, Kate Findley, Noah Weisberg, David St. Louis, Harvey Guillén, Jee Young Han, Bernadette Peters e Felix Melard.
Duração: 2ª temporada (13 episódios)
Nota: 8,0