Entre mais baixos do que altos, finalmente The Walking Dead entrega uma temporada boa, equilibrada, com episódios instigantes e outros de deixar o queixo caído. A 9ª temporada é marcada por despedidas, luto, novas parcerias, massacre e um clima congelante.
Com a saída do ator Andrew Lincoln e a despedida de Rick Grimes, foi possível imaginar que a série pudesse sofrer um declínio drástico com a ausência do maior protagonista. Mas a verdade é que a série não deixou a peteca cair, explorou a perda dos personagens, desenvolveu bem cada um deles diante de uma nova fase, introduziu inimigos à altura (ou até pior) que os salvadores e entregou um desfecho trágico e emocionante.
Após a suposta morte de Rick (quem se lembra, ele foi levado pelo misterioso helicóptero), os anos se passam e a série relata como estão todos após o evento traumático, o que cada um está fazendo e o que aconteceu com as comunidades. Atualmente, Hilltop se encontra equilibrada, com bons integrantes que trabalham unidos, sob o comando de Jesus, uma vez que Maggie deixou o local. A série explica a saída da personagem dando a justificativa que ela foi para outro lugar procurar um recomeço. Mas aonde? Que possível local poderia lhe proporcionar tal bem-estar? Sinceramente, achei a explicação bem superficial e a saída de Maggie bem frustrante.

Alexandria está sob o comando do conselho formado por Michonne, Aaron, Padre Gabriel, Rosita e Siddiq. Já o Reino está sob a liderança do rei e da rainha Ezekiel e Carol que, finalmente, ficam juntos e ainda adotam Henry. Com a ausência de Rick, as comunidades ficam distantes, desunidas, acreditando que esta é a melhor forma de sobreviver, o que é uma grande mentira. Elas ainda conversam entre si, mas a mais distante que fica é Alexandria, enquanto Hilltop procura manter seu funcionamento e o Reino luta para sobreviver.
A transformação de Michonne

O público compreende aos poucos a transformação drástica de Michonne que, com a perda de Rick, confronta um improvável luto (já que nunca encontraram o corpo), segura as rédeas da comunidade e ainda lida com a maternidade ao cuidar de Judth e RJ (filho dela com Rick). O medo, a insegurança e a falta de credibilidade moldam a nova personalidade de Michonne, mas essa mudança não se deve somente a perda e, sim, a um momento angustiante que marcou essa transição. Um dos episódios volta no tempo e mostra Michonne na fase da gravidez, quando ela recebe em Alexandria uma amiga do passado. Solitária, ela se sente mais calma por ter alguém conhecido por perto, porém, as coisas mudam repentinamente, quando essa amiga sequestra Judith (ainda pequena) e revela comandar um grupo de crianças e adolescentes que saqueiam e matam. Para salvar Judith e proteger o bebê que está a caminho, Michonne é obrigada a fazer algo inconsequente, na qual ela jamais esquecerá: ela mata as crianças, inclusive a amiga.
Primeiras impressoões de The Perfectionists
Tal episódio não só justifica a mudança como também explica melhor a relação entre ela e Judith que, no início, começa distante e tremida.
Judith e Negan

Um ponto improvável e que funcionou bem na temporada foi a parceria entre Judith e Negan. A série molda os personagens, apresentando a garotinha crescida e inteligente e trazendo um Negan arrependido e conformado, após anos encarcerado. Judith não tem muita ideia do que realmente os salvadores fizeram com sua família, mas segue os mesmos conceitos que seu irmão, Carl, ao acreditar na mudança e dar uma nova chance às pessoas. Ela sabe como Negan é, mas opta em dar espaço para que ele mostre sua transformação. De um lado, temos uma Judith que carrega a criança inocente, mas apresenta um olhar e uma expressão mais madura, determinada e cheia de atitude; Negan aceita que o mundo mudou, que ele não é mais o mesmo e que não há mais nada lá fora para ele. A relação dos dois é minimalista, interessante e o telespectador torce para que Negan não faça nada de errado. Pelo contrário, ele admite e prova o carinho que construiu por Judith.
Novos integrantes

Novos integrantes chegam em Alexandria e, no início, é normal desconfiar de tudo e todos quando não se sabe as verdadeiras intenções. Mas a verdade é que Magna, Luke, Connie, Kelly e Yumiko são um ótimo acerto na série. Todos eles são carismáticos, fortes e com personalidades bem atrativas.
Sussurradores

Se os salvadores causaram nas duas temporadas passadas, na nona temporada os sussurradores chegam sorrateiros e mortais para quem cruzar o caminho deles. As duas primeiras cenas que surpreendem é quando Eugene e Rosita se perdem e descobrem que walkers podem falar. Seria uma evolução pós-apocalíptica? Não, são os sussurradores, pessoas que andam em bando vestindo a pele dos zumbis e caminhando iguais a eles. Para este grupo, o mundo atual pertence aos mortos e sobrevivem apenas os mais fortes e que aceitam esta realidade (como eles).
O grupo é liderado por Alfa, que conhecemos pelo ponto de vista da filha, Lydia, capturada por Daryl, quando um deles mata Jesus (atual líder de Hilltop). Com a morte repentina, o público se amedronta com o novo inimigo, uma vez que eles andam camuflados, dificultando a percepção alheia e facilitando ainda mais um provável ataque. A série nos entrega uma antagonista fria, calculista, que pensa em prol da realidade e da força, deixando os traidores e fracos para trás. Ao seu lado está Beta, que também tem uma presença assustadora.
Massacre das estacas

Um dos massacres mais conhecidos na HQ é o massacre das estacas, em que os sussuradores matam personagens importantes de The Walking Dead. Claro que a série faria suas mudanças, mas mesmo assim, o episódio não deixa de ser chocante, brutal e triste. Com a teimosia de Henry em ir atrás do inimigo para salvar Lydia, Daryl e o grupo precisam atacar o oponente para salvar o filho de Carol. Eles aproveitam e acolhem a garota, o que deixa Alfa preparada para atacar. Dito e feito. Durante a tão esperada feira arquitetada pelo Reino, Alfa se infiltra na festa e, assim, inicia o massacre que marca a série e a vida dos personagens.

Para deixar claro que as comunidades não podem ultrapassar o território dos sussurradores, ela mata Tara, Enid, Henry e outros integrantes do Reino e Hilltop e, com suas cabeças, faz uma demarcação sangrenta que impacta e choca a todos.
Com este final, os sussurradores deixam claro que são capazes de tudo, mas nem por isso as comunidades abaixam a cabeça para eles. Uma revanche virá no futuro. Só não sabemos quando.
O inverno chegou

Finalmente The Walking Dead sofre uma variação climática e finaliza a temporada com os personagens sobrevivendo ao rigoroso inverno. A mudança não é só no tempo e os personagens traçam novos rumos que serão desenvolvidos na próxima temporada. Com o massacre e a falta de suplementos e estrutura, o Reino é fechado e os integrantes partem para Hilltop. Acredito que Ezekiel comandará a comunidade, mas nada foi confirmado. Carregando a culpa pela morte de Henry, Carol decide se afastar de Ezekiel e ir morar em Alexandria. Com a ausência do garoto, Lydia será o novo destaque e deve ganhar um bom desenvolvimento nos próximos episódios. Ela já tem a proteção de Daryl e acredito que, com o tempo, ganhará a confiança e o carinho de Carol. A última cena deixa um pequeno cliffhanger: o rádio recebe a chamada de uma voz desconhecida, perguntando se há alguém do outro lado. Quem será? Será alguém relacionado ao helicóptero que levou Rick? Uma nova comunidade? Novo personagem? Será o grupo de Fear The Walking Dead, para termos um crossover das séries? Só vamos descobrir mais para frente.
Considerações finais
Após anos, The Walking Dead entrega uma temporada boa, relevante, mais equilibrada, menos maçante e mais impactante, com despedida do protagonista, novos personagens, inimigos camuflados, parcerias improváveis, um massacre chocante e um final congelante. Depois de muito tempo, devo dizer que estou feliz por ter acompanhando uma boa trama. Agora é torcer para que os novos episódios sejam bons ou melhores do que vimos até agora.
PS: Vale lembrar que a 10ª temporada será a última de Michonne;
PS2: E o triângulo amoroso de Rosita, Siddiq e Padre Gabriel? Achei bem estranho e divertido.
PS3: Além das mortes de Abraham e Gleen, o massacre das estacas também ficará marcado nos corações dos fãs.
PS4: Será que Alfa morre na próxima temporada? Quem vai matá-la?
PS5: Daryl e seu cachorro. Melhor dupla na série!
Nota: 8,0
Fotos: IMDB