Lupin é a mais nova série da Netflix que cai como luva para qualquer pessoa, desde os apaixonados por uma história de mistério e investigação até para aquele que deseja ver um bom entretenimento que fuja um pouco dos dramas. É uma série curta, instigante e divertida e vou lhe dizer o porquê vale a sua atenção.
Você pode conferir a crítica em texto ou vídeo.
Criada por George Kay e François Uzan, Lupin é uma série francesa estrelada por Omar Sy, ator conhecido pelo filme de sucesso Intocáveis, e inspirado nas aventuras de Ársene Lupin – conhecido como o Ladrão de Casacas – livros do autor Maurice Leblanc. No entanto, a série não é uma adaptação em si do personagem na tela, mas, sim, traz uma história original que usa da jornada do personagem da literatura para contar a história do protagonista da série.
Lupin contêm 10 episódios divididos em duas partes. A primeira parte da série traz cinco episódios que fluem muito bem entre 40 a 50 minutos de duração, trazendo um bom desenvolvimento da história que prende a atenção do espectador do começo ao fim. Vale até mesmo uma maratona que, por sinal, não será nada cansativa.
A trama acompanha Assane Diop, um ladrão profissional e único filho de um imigrante senegalês que veio para França em busca de uma vida melhor ao seu filho. O pai de Assane é acusado de roubo na casa onde trabalha, o rico e poderoso Hubert Pellegrini. Por conta da injustiça feita e de sua condenação, ele se enforca na prisão por vergonha, deixando Assane órfão aos 14 anos. Vinte cinco anos depois, Assane dá início a uma nova jornada em que ele vai descobrir, de uma vez por todas, a razão para o seu pai ter sido preso e fazer o verdadeiro culpado pagar pelo que fez.

Logo no primeiro episódio, o público acredita que irá acompanhar apenas uma série de roubo, entregando apenas um personagem ladrão, no entanto, à medida que o episódio se desenrola, a reta final revela seu truque mágico escondido na manga, mostrando que Assane não é somente um ladrão, como suas ações são motivadas por um mistério do seu passado na qual ele deseja investigar e expor o culpado para todos.
A maior parte da sequência se passa no Museu do Louvre, e durante o leilão mais esperado, Assane consegue roubar o Colar da Rainha, peça mais cara e objeto principal que desencadeia toda a jornada de Assane ao longo desses 25 anos, uma vez que seu pai foi acusado de roubar esta mesma peça.
Todas as artimanhas e truques de Assane são inspirados nas obras de Ársene Lupin, livro favorito do protagonista que ganhou de presente do pai. É ao final do primeiro episódio que o espectador se dá conta de como a estrutura narrativa será desenhada que, por sinal funciona muito bem até a reta final.

Pode se dizer que Lupin faz o público lembrar das séries Sherlock Holmes e Revenge, justamente pelos objetivos principais da trama: investigação e vingança. Ainda que lembrem antigas produções, além de ter inspiração em uma obra de literatura, Lupin consegue ser original com um protagonista que cai nas graças do público de imediato.
Crítica da 3ª temporada de Cobra Kai
A cada episódio o espectador acompanha o protagonista em uma situação diferente – sempre seguindo a narrativa principal – em que ele mostra os seus truques a fim de conseguir o que quer, desde roubar um colar, entrar em uma prisão até despistar toda polícia, sem revelar a sua verdadeira identidade, o que deixa as autoridades de cabelos em pé o tempo todo. Aliás, um ponto interessante da série é que, por mais que Assane se inspire em seu personagem favorito e realize grandes feitos, isso não quer dizer que sejam truques infalíveis. Assane erra, deixa passar algumas coisas a ponto da polícia e de seus inimigos se aproximarem cada vez mais dele. E isso é um ponto positivo? Sim, pois torna a trama mais ‘pé no chão’ e menos fantasiosa.

O ator Omar Sy está sensacional na pele de Assane Diop, conseguindo conquistar todo o público com a pura simpatia de seu personagem. Ele entrega um Assane divertido e inteligente, mas seu toque especial está em sua lábia e boa manipulação que faz todos serem enganados por ele, o que torna a trama ainda melhor e a investigação ainda mais instigante de acompanhar. Impossível não gostar do protagonista de imediato.
Já assistiu a série Bridgerton?
Outro ponto interessante de Lupin é que a série traz uma trama que se mescla entre passado e presente, ou seja, à medida que o público acompanha as ações de Assane, os flashbacks revelam o que motivou as atitudes do protagonista. Além disso, é no passado que compreendemos o fascínio de Assane por Ársene Lupin, o seu envolvimento direto e indireto com a família Pellegrini, a relação com o seu pai, o início da amizade com Benjamin e como conheceu sua esposa Claire, amor de sua vida.
Considerações finais
O último episódio da primeira parte de Lupin traz um ótimo cliffhanger envolvendo a polícia cada vez mais perto de Assane, perdas, desaparecimento e a revelação da identidade do protagonista para uma pessoa que, na minha opinião, talvez se junte com Assane e o ajude nesta investigação para expor a família Pellegrini.
Lupin é uma série policial que, mesmo inspirado em um personagem da literatura, a trama consegue trazer toques de originalidade em uma investigação boa e instigante, cujo protagonista traz todo o seu charme tanto no roubo quanto em sua busca por justiça. É uma ótima recomendação tanto para quem curte o gênero, quanto para quem queira apenas assistir uma boa série.
Ficha Técnica
Lupin
Criação: George Kay e François Uzan
Inspirado na obra Àrsene Lupin, de Maurice Leblanc
Elenco: Omar Sy, Hervé Pierre, Ludivine Sagnier, Vicent Londez, Antoine Gouy, Etan Simon, Clotilde Hesme, Nicole Garcia, Johann Dionnet, Vincent Garanger, Soufiane Guerrab, Fargass Assandé e Shirine Boutella.
Duração: (Parte 1 – 5 episódios – 40min.)
Nota: 8,7