X-Men: Fênix Negra (X-Men: Dark Phoenix) encerra a franquia X-Men da Fox, com um final satisfatório e honesto. Mesmo com uma história regular e ótimos efeitos especiais, o filme perde pontos por não criar momentos mais ousados, muito menos nenhum tipo de vínculo emocional com o público, tornando-se um filme apático e sem o impacto merecido para o desfecho desta saga.
Como já diz o próprio título, a trama dirige totalmente o foco para a personagem Jean Grey, que se divide entre ser uma mutante heroína e vilã. O filme logo introduz o passado da protagonista, revelando seus poderes na infância, o destino de seus pais, o primeiro encontro com Charles Xavier e a forma como ela se torna integrante da escola X-Men. Todos esses aspectos fazem o espectador tomar conhecimento sobre o tipo de personagem que seguirá e como a sua transformação será traçada.

Logo em seguida, somos levados para a grande missão no espaço, em que os x-men viajam para fora da órbita pela primeira vez, com o objetivo de salvar os astronautas atingidos por uma força. Tal cena é bem realizada, com boas participações de Mercúrio e Noturno/Kurt que, juntando velocidade e teletransporte, conseguem salvar a maior parte das vítimas. No entanto, para que todos estejam em segurança, Jean Grey arrisca a pele para impedir o impacto da força por mais alguns minutos. No entanto, a mutante acaba sugando toda a explosão cósmica, o que a faz desintegrar e retornar a sua forma, tornando-se, assim, uma fênix. Mas as consequências estão prestes a se iniciar, uma vez que a personagem perde o controle e sente o gosto do poder sombrio, capaz de torná-la uma arma destruidora e mortal.

No geral, o roteiro se mantém equilibrado por uma narrativa cuja estrutura é bem simples, mostrando a capacidade letal de Jean Grey e os rastros de seus efeitos colaterais, seja com inimigos e, até mesmo, com os seus próprios amigos. A atriz Sophie Turner tem uma performance satisfatória, sem se arriscar muito na atuação. Os efeitos especiais ajudam a visualizar os momentos de tensão, conflito interno e muita dor ao lidar com uma força imponderável dentro de si. Assim como tais efeitos apoiam as performances, há cenas que recebem essa contribuição visual, seja na sequência no espaço, no trem e no confronto final.
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Infelizmente nem tudo são flores e X-Men: Fênix Negra peca pela falta de ousadia, especialmente na estruturação dos personagens, mesmo que as atuações estejam no nível regular, além de uma trilha sonora fraca. Diferente de X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido, o filme não faz questão de criar um vínculo emocional com o espectador para fazê-lo torcer ou ter algum sentimento com relação à história, seja de amor ou ódio. Em momento algum é possível se sentir instigado pela trama, pois não há entrega de emoção, seja de angústia, medo, susto, raiva ou esperança. A atmosfera é apática e não há nenhuma empatia com qualquer personagem a ponto de querer vibrar a favor ou contra.

Outra grande falha é a má exploração dos personagens e a entrega de momentos importantes nos materiais de divulgação do filme, desmanchando a grande surpresa da história. Há uma cena importante que muda o ritmo da trama, posiciona os personagens diante do fato, mas não choca como deveria, justamente por ter se transformado em algo previsível. Quem acompanhou os trailers e outros materiais, tomou conhecimento do que iria acontecer, apagando completamente o fator ‘surpreendente’.
Com relação ao elenco, todos estão bem na medida do possível, mas absolutamente nenhuma atuação surpreende como deveria. Como disse, Sophie Turner está bem, mas sua emoção ganha nitidez somente no visual gráfico, especialmente quando Jean Grey expele a sua força, mas perde créditos pela falta de energia em suas expressões de dor, sofrimento e remorso.

Jessica Chastain é grande vilã cuja identidade foi um grande mistério até agora. Ao descobrir quem ela é, a personagem não ganha profundidade, muito menos uma base em que o espectador toma conhecimento sobre sua origem, apenas a razão dela estar obcecada pelo poder de Jean Grey, o que também não surpreende em nada. Infelizmente a atuação fica a desejar no nível máximo.

James McAvoy entrega um Charles Xavier com personalidade dúbia ao proteger os mutantes. Ele garante tal segurança a partir da projeção da fama da escola, o que leva também ao aguçamento de seu ego. Isso o faz ter atitudes egoístas, causando discordância, revelando segredos e arriscando a vida de todos em vários momentos. Seria ele um vilão oculto?

Jennifer Lawrence tem pouca participação, mas é a melhor de todas até agora, garantindo uma ótima cena e diálogo com McAvoy, quando Mística confronta o Professor diante de suas ações duvidosas. É o único momento em que vemos o peso da emoção em uma atuação. Uma pena que isso tenha ocorrido uma única vez.

Mesmo com a compreensão de que o filme é focado em Jean Grey, os demais personagens ficam de escanteio. Ciclope (Tye Sheridan) torna-se apenas uma espécie de recuperação emocional à Jean, trazendo-a a seu estado normal em alguns momentos. Noturno/Kurt (Kodi Smit-McPhee) tem seus bons momentos de luta, mas não ousa mais que isso. Tempestade (Alexandra Shipp) está ali apenas para tirar os inimigos do caminho.
Magneto (Michael Fassbender) anda em uma corda bamba ao descobrir as atrocidades cometidas por Jean Grey. Ora ele quer derrotá-la; ora ele quer protegê-la. O mesmo acontece com Fera (Nicholas Hoult), o que é possível compreender tais oscilações nas atitudes de ambos.
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Infelizmente Mercúrio (Evan Peters), um dos meus personagens favoritos da história, é retirado de cena e só retorna apenas no final, sem nenhuma justificativa plausível.
Considerações finais
X-Men: Fênix Negra encerra a saga com um final simples, mas sem ousadia nenhuma na história e nas atuações. Há algumas sequências de confrontos bem realizadas, enquanto outras perdem o impacto por serem previsíveis. A ausência de emoção e vínculo com o público tem peso, tornando o filme apático e esquecível.
Ficha Técnica
X-Men: Fênix Negra
Direção: Simon Kinberg
Elenco: Sophie Turner, James McAvoy, Jessica Chastain, Tye Sheridan, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Alexandra Shipp, Evan Peters e Kodi Smit-McPhee.
Duração: 1h54min
Nota: 5,9