Se o trailer já havia empolgado, saiba que você sairá da sala do cinema satisfeito com Trem-Bala (Bullett Train), um filme irreverente que traz ação intensa, diversão na medida certa e personagens peculiares que vão exigir sua atenção em uma história cujo quebra-cabeça está nas conexões entre eles. O jogo de sorte e azar movimenta esta viagem rumo a um destino caótico. Se você curte filme frenético com uma trama até previsível e bem contada, Trem-Bala é a dica certa e vou te dizer o porquê vale a pena assistir.
******CONTÊM SPOILERS******
Com direção de David Leitch (Deadpool 2), o filme acompanha um elenco de assassinos com objetivos conectados e conflitantes, iniciando uma frenética viagem em um trem-bala em um Japão moderno como pano de fundo.
Cada personagem recebe um codinome diferente e engraçado e o público inicia esta jornada ao lado de Joaninha (Brad Pitt), um assassino de aluguel bem azarado que está decidido a fazer mais um trabalho de forma bem tranquila, após ter passado por várias situações que saíram do controle. Mas a missão apresenta outros planos e o coloca em colisão com adversários letais vindos de todas as partes do globo no trem mais rápido do mundo – e ele precisa encontrar uma maneira de desembarcar.

O primeiro ponto que chama a atenção é a narrativa aparentemente linear, mas que o espectador logo nota que a linearidade não será sempre seguida, uma vez que a história já começa apresentando um pai em busca de vingança após tentarem matar o seu filho, enquanto o avô se mantém concentrado em proteger a família enquanto aguarda o momento certo para atacar a pessoa em questão.
Logo depois, o filme corta e nos leva direto para o Joaninha que, sob os comandos da chefe Maria (Sandra Bullock), embarca no trem para encontrar a maleta de prata, cujo conteúdo é almejado por outros passageiros, mas com objetivos diferentes, em que todo o dinamismo, ação e frenesi se passam praticamente em um único e gigante cenário em movimento, fazendo pequenas pausas nas estações a fim de que mais conflitos embarquem nesta missão.
Como disse, Trem-Bala apresenta uma história que, talvez, o espectador até possa conectar os pontos com antecedência, mas ainda assim, o roteiro faz questão de trazer explicações contundentes e divertidas a fim de entender a motivação de cada um naquele mesmo espaço. Sendo assim, a história entra em um ritmo de vai e vem com cenas flashbacks de meses, dias, horas ou minutos para explicar quem é quem, a razão para estar ali, o que ocorreu anteriormente e como isso influencia e acarreta nas atuais circunstâncias. Acrescenta-se também uma atmosfera frenética com o trem como cenário principal com cores neon que intensificam um Japão caoticamente modernizado.

Além dos detalhes técnicos, obviamente o que faz Trem-Bala ganhar ritmo e entregar um bom desenvolvimento são os personagens, cujo elenco é grande e com nomes de peso, em que alguns são os maiores destaques, enquanto outros fazem meras participações especiais que dão aquele toque especial, mas sem acrescentar muito à trama.
Claro que o maior protagonista é Brad Pitt que não fica nada a desejar e entrega um Joaninha cansado deste trabalho, mas disposto a encarar mais uma missão enquanto orquestra internamente seus conflitos e sua mente perturbada por conta de diversas situações fora do controle, especialmente pela boa dose de azar que carrega mas que, no fim das contas, traz mais sorte a ele, enquanto a pessoa ao lado absorve todos os efeitos colaterais tornando tudo ainda mais cômico.
Apesar de aparentar um lado sonso, Joaninha mostra que não brinca em trabalho, lida com as circunstâncias mais peculiares – como o caso da cobra dentro do trem – e protagoniza ótimas sequências de ação com os demais personagens, entregando lutas eufóricas e sangrentas.

Todo o entrosamento de Joaninha dentro e fora do trem é positivo, colocando outros personagens em patamares também elevados, como é o caso dos irmãos Limão (Brian Tyree Henry) e Tangerina (Aaron Taylor-Johnson), assassinos contratados para resgatar o filho de uma figura imponente, poderosa e extremamente perigosa. Sem dúvida, os irmãos entregam ótimas cenas, diálogos cômicos e, aparentemente bobos, em que as entrelinhas mostram o bom nível de esperteza da leitura que ambos fazem sobre cada passageiro possivelmente suspeito. As metáforas sobre o desenho animado que o Limão gosta é simplesmente sensacional.
Quem também não fica para trás é Joey King com o codinome de Príncipe, uma jovem com aparência de garotinha doce, mas que de inocente ela não tem absolutamente nada. Ela pode parecer uma personagem aleatória, mas engana-se quem pensar desta forma, especialmente por suas ações e, é claro, o plot twist na reta do final em que descobrimos sua verdadeira identidade.
Os atores Hiroyuki Sanada e Andrew Koji são pai e filho em busca de vingança/justiça pelo o que acontece no início do filme, engatado por um passado repleto de sangue, mentiras e traições. O ritmo de seus arcos é um pouco mais lento, mas engrenam no momento certo da história.

Das participações especiais no filme, temos Michael Shannon que está incrível no papel de Morte Branca, tanto na caracterização quanto na atuação. Este é um personagem sempre mencionado na trama a fim de aumentar o clima de suspense, cuja aparição é apenas no final rendendo em cenas turbulentas e brutas.
Em Trem-Bala temos Logan Lerman no papel do filho resgatado pelos irmãos Limão e Tangerina, uma participação que aumenta o mistério, é razoável e positivo. Enquanto isso, temos Sandra Bullock como chefe de Joaninha e Channing Tatum como um dos passageiros do trem, participações de curta duração na tela, mas ótimos, assim como o de Ryan Reynolds que só oferece o rosto para dar vida a um personagem que deveria estar no local, mas não estava.
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Por termos um elenco enorme, nem todas as participações são tão relevantes, como é o caso de Bad Bunny no papel de Lobo, um personagem em busca de vingança no local errado e na hora errada, levando a pior no último minuto. É um personagem que, apesar de ganhar uma sequência melodramática e engraçada, só serviu para trazer um pequeno complemento que, no fim, não seria tão necessário.
É a presença do Lobo que acarreta na aparição da atriz Zazie Beetz, que até surpreende no primeiro minuto quando sua identidade é revelada, mas com uma duração mínima na trama, tornando-a apenas mais um obstáculo ao protagonista.
Considerações finais
A reta final de Trem-Bala eleva a potência do frenesi com sequências ainda mais caóticas, surreais e irônicas dando a entender que não haverá sobreviventes, mas sempre temos aqueles que ficam para contar a história.
Trem-Bala é um filme intenso, frenético e divertido tanto na exagerada dose de ação que oferece ao público, quanto na missão misteriosa que descarrilha conexões conflitantes de personagens absurdamente estranhos e cativantes. Trem-Bala é a dica para quem gosta de intensidade e ação em uma história bem contada.
Ficha Técnica
Trem-Bala
Direção: David Leitch
Elenco: Brad Pitt, Joey King, Aaron Taylor-Johnson, Brian Tyree Henry, Hiroyuki Sanada, Andrew Koji, Michael Shannon, Logan Lerman, Bad Bunny, Zazie Beetz, Sandra Bullock, Channing Tatum, Karen Fukuhara, Emelina Adams, Johanna Watts, Andrea Muñoz e Ryan Reynolds.
Duração: 2h6min
Nota: 3,8/5,0