Rambo – Até o Fim (Rambo Last Blood) traz de volta um dos personagens ícones do cinema de ação e aventura, provando que Sylvester Stallone está em ótima forma em um longa com uma história simples, dilacerante e brutal, em que o destaque fica, mais uma vez, para o protagonista em uma missão concluída com sacrifícios e maestria.

Dirigido por Adrian Grunberg, Rambo – Até o Fim mostra que o tempo passou e John Rambo é um ex-soldado envelhecido, que vive mais recluso em seu rancho, mas sem nunca deixar de lado o seu instinto de justiceiro. Inclusive, a primeira cena apresenta o protagonista em ação durante um resgate na floresta em plena tempestade, em que a água se torna seu oponente mais difícil de combater. A vida de Rambo é marcada por lutas que ficou para trás, mas que deixou marcas inesquecíveis. No entanto, quando uma jovem de uma família amiga é sequestrada, Rambo terá que confrontar lembranças do seu passado e resgatar habilidades de combate para enfrentar o mais perigoso cartel mexicano. Tal busca pela garota se transforma em uma grande caçada por justiça, trilhando um destino fatal e bastante violento.
Em pleno 2019, temos mais um filme da franquia Rambo, provando que o personagem continua marcando presença forte nos corações dos fãs e conquistando mais pessoas desta nova geração. Posso dizer que, por mais que a história seja simples e sem muitas firulas, a fórmula ‘personagem imortalizado, ‘ator de sucesso’, ‘ação misturado à brutalidade’, funciona e, mais uma vez, vai agradar aos simpatizantes deste tipo de gênero. Aliás, quem já assistiu aos filmes John Wick com Keanu Reeves e, até mesmo, aos filmes de ação e vingança com Liam Neeson, vai encontrar algumas similaridades em Rambo – Até o Fim, que não perde a essência original.

A esta altura do campeonato, dispensa-se qualquer introdução sobre o protagonista, uma vez que temos quatro filmes para conhecê-lo bem. Acredito que a ideia deste quinto filme é focar apenas no ressurgimento da força de Rambo, ponto principal que fez muitos se apaixonarem pelo personagem. Vê-lo com mais idade, mais recluso e com feridas semi-cicatrizadas, faz o público questionar se o ex-boina verde ainda é capaz lutar ou a falta de força se tornou a sua grande vulnerabilidade. E este quinto filme responde tais questionamentos.
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Mesmo sendo um homem solitário, Rambo não está sozinho desta vez. Agora ele mora com Maria (Adriana Barraza), uma senhora que ele acolheu e passou a ter grande carinho como amiga e, até mesmo, ‘mãe’; e a jovem Gabrielle (Yvette Monreal), que ajudou a criar desde pequena e a considera sua filha que, por sinal, está prestes a ingressar na faculdade. A relação de Rambo e Gabrielle é fraternal e bonita de se ver, fortalecendo mais o lado humanizado do protagonista e diminuindo a sua solidão. Talvez alguns achem que o filme não tenha aprofundado neste relacionamento e, de fato, isso não acontece, mas ainda assim o tempo dos dois em cena é o suficiente para fazer o espectador criar torcida, o que se torna algo imprescindível para o segundo e terceiro atos.

Mesmo recebendo todo o amor e carinho, Gabrielle necessita de mais respostas sobre o seu passado e, com a ajuda de uma amiga, ela viaja para o México, contrariando Rambo e Maria, que a alertam sobre certas pessoas do passado que, infelizmente, continuam perigosas. Sem dar ouvidos, ela parte em busca de respostas que tanto necessita, porém, Gabrielle não só se decepciona como também cai em uma grande armadilha e nas mãos de pessoas que ninguém gostaria de cruzar o caminho.
É com Gabrielle que Rambo – Até o Fim ganha o seu grande ponto de partida, fazendo o público matar as saudades de um Rambo que resgata uma força inacreditável e brutal para proteger quem mais ama. E isso faz o protagonista mergulhar no subconsciente e trazer memórias tanto bonitas quanto dolorosas da sua época no exército, dos grandes amigos que fez e das tragédias pelas quais passou.

Sylvester Stallone prova que os anos passam, mas que é possível honrar um personagem notável que exige fisicamente. Em uma entrevista, o ator revelou que foi difícil gravar este filme, mas “se não doer é porque você não se esforçou”. Posso dizer que aos 73 anos de idade, Stallone resgata com maestria a força de Rambo e entrega uma performance bem brutal e excitante de assistir.
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A narrativa é previsível e, é claro, que veremos os altos e baixos do protagonista, no entanto, quando o roteiro prega uma peça, o público se surpreende com a nova reviravolta, uma vez que se pode imaginar que a história ganhe outro caminho.

É esse plot twist que se transforma na grande válvula para o início da missão final de Rambo, que o coloca frente a frente com um cartel mexicano perigoso, cujo negócio é altamente criminoso, impiedoso e revoltante de ver. Nesta cruzada entre herói e inimigo, conhecemos a jornalista Carmen, que investiga o cartel a fim de expô-los ao mundo. A personagem de Paz Vega até tenta ser promissora, mas acaba ficando a desejar por ter pouca participação e um vínculo menor com o protagonista. Talvez se Carmen fizesse parte de um núcleo de investigação com grandes autoridades ou, até mesmo, criasse um laço mais forte com Rambo, ela poderia ter mais força na trama.
A sequência final do terceiro ato é a mais ludibriante em termos de violência e brutalidade. As cenas de luta envolvem armadilhas esmagadoras, além de muita frieza de ambos os lados, mas especialmente de Rambo que protagoniza momentos de luta rápidos, agonizantes e viscerais. Sem dúvida, é uma das melhores partes do filme.
Considerações finais
Rambo – Até o Fim tem uma trama simples, mas que atrai a atenção com sequências de luta e vingança ferozes e dilacerantes. Mais do que isso, o filme resgata um dos personagens mais notáveis da carreira de Sylvester Stallone, com uma vulnerabilidade já creditada no personagem, mas que mergulha nas habilidades de combate de forma magistral. O filme não só homenageia e honra, como também faz o público matar as saudades de um personagem icônico no cinema há 37 anos.
Ficha Técnica
Rambo – Até o Fim
Direção: Adrian Gruneberg
Elenco: Sylvester Stallone, Yvette Monreal, Paz Vega, Óscar Jaenada, Sergio Peris-Mencheta, Adriana Barraza, Joaquín Cosio e Fenessa Pineda.
Duração: 1h29min
Nota: 7,0