O primeiro Medo Profundo (47 Meters Down: Uncaged) até surpreende com elementos surpresas, reviravoltas interessantes e uma atmosfera sufocante. Com a mesma direção de Johannes Roberts, Medo Profundo – O Segundo Ataque coloca mais personagens em perigo, migra para um cenário ainda mais agoniante, há sustos satisfatórios, mas não foge do clichê e previsível. Novamente temos um filme de tubarão que não traz nenhuma novidade, mas que sabe assustar e entreter mesmo com alguns tropeços.
Medo Profundo – O Segundo Ataque conta a história de uma família que se muda para o Havaí, focando nas irmãs Mia (Sophie Nélisse) e Sasha (Corinne Foxx), filhas do mesmo pai e mães diferentes. O pequeno detalhe é que as duas não têm um bom relacionamento fraternal, colocando ambas em situações complicadas. Enquanto Mia sofre bullying gratuito na escola, Sasha não tem nenhuma reação para defender a irmã, dificultando ainda mais a adaptação dos novos ares.

Para tentar melhorar o clima, os pais das meninas, Grant (John Corbett) e Jennifer (Nia Long) fecham um passeio de barco em que elas podem observar os tubarões no fundo do mar. Mas por se tratar de adolescentes, é óbvio que o cronograma muda de última hora e, assim, junto com as amigas Alexa (Brianne Tju) e Nicole (Sistine Stallone), as irmãs partem para um passeio misterioso, em que descobrem um local secreto que esconde as ruínas de uma cidade submersa. A fim de explorar a primeira caverna, elas resolvem mergulhar até o local com o propósito de dar apenas uma volta e retornar à superfície. Mas tudo desanda após um acidente que as deixam presas em um labirinto enclausurado. Para piorar a situação, elas notam que não estão sozinhas ao se depararem com diferentes espécies de tubarões.

Antes de mais nada, é importante saber que este filme não faz nenhuma ligação com o primeiro. Ainda assim, o diretor utiliza os mesmos elementos para desenvolver a trama, como por exemplo, momentos clichês em que as amigas aceitam a ideia absurda de mergulhar em uma caverna sem proteção, segurança ou supervisão de algum profissional. Tal passeio é simplesmente por pura diversão, seguindo a credibilidade de uma das personagens que diz conhecer o local. Por ventura, há equipamentos profissionais de mergulho na região. Coincidência? Não, uma vez que o pai de Mia e Sasha é arqueólogo e está explorando o local ao lado de sua equipe. No entanto, tal situação acaba soando forçada, afinal, quem deixaria à mercê equipamentos e peças importantes para qualquer um pegar? Mas em filmes de suspense como este, tal clichê é até digerível.
Desta vez, o roteiro não se preocupa em apresentar com mais profundidade as personagens, apenas situar o status de relacionamento de todas elas para criar algum tipo de vínculo com o público e até certa torcida, uma vez que desde a primeira cena o espectador já toma conhecimento de quem vai sobreviver, restando apenas a dúvida de quanto tempo isso irá acontecer. Talvez isso seja um ponto negativo para quem queira saber mais sobre as garotas, no entanto, o filme prende a atenção com outro tipo de elemento.

Se o primeiro filme explora minuto a minuto os momentos de tensão das irmãs, especialmente na parte psicológica ligada à falta de oxigênio, medo e sobrevivência, Medo Profundo – O Segundo Ataque se distancia disso, focando apenas no cenário extremamente escuro e claustrofóbico, com cavernas cujas curvas são estreitas; as entradas e as saídas são amedrontantes e a escuridão faz caminhar em um vazio inesperado, já que não há como saber o que está à frente, apenas quando o grande momento acontece. É neste elemento que o filme se apoia e bem por sinal, pois assim que adentramos na caverna e tomamos conhecimento de que só vamos sair ao final do filme, cada minuto e cada tomada de decisão é agoniante.
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Os jump scares cumprem a função de assustar e são mais utilizados durante os ataques dos tubarões e situações de riscos que podem levar o grupo até o perigo em si. Novamente, o diretor não abusa da imagem do tubarão, apenas concentrando a presença mortal mais para o final, e explica a razão destes seres aquáticos estarem em uma caverna secreta e escura.

Como disse anteriormente, a previsibilidade do filme já faz o público ter uma boa noção de quem irá ou não sobreviver. No entanto, como não foi apresentado uma introdução mais concisa dos personagens para criar um laço mais forte, tais mortes tornam-se um efeito colateral de viver uma situação altamente perigosa. É possível se assustar e sentir pena, mas as tragédias são bem passageiras fazendo o espectador não se importar tanto com o personagem como deveria e merecia.
Se antes a gente acompanhou apenas duas irmãs, aqui temos quatro garotas em uma jornada de sobrevivência, na qual apenas duas ganham mais destaque, como é o caso de Mia e Sasha, e em alguns momentos Alexa consegue ganhar mais espaço.
Ao entrarmos na reta final, a atmosfera claustrofóbica aumenta ainda mais, mas o desfecho consegue ser bastante brega, absurdo e desesperador.
Medo Profundo – O Segundo Ataque apresenta alguns elementos do primeiro filme, utiliza de clichês, apresenta uma trama previsível, mas que se apoia positivamente em um cenário claustrofóbico e uma atmosfera ainda mais sufocante. Falta ousadia no desenvolvimento da história, mas, ainda assim, o filme consegue entreter e ser um razoável passatempo.
Ficha Técnica
Medo Profundo – O Segundo Ataque
Direção: Johannes Roberts
Elenco: Sophie Nélisse, Corine Foxx, Brianne Tju, Sistine Stallone, John Corbett, Nia Long, Brec Bassinger, Khylin Rhambo e Davi Santos.
Duração: 1h30min
Nota: 6,0