Finalmente Fate: A Saga Winx chegou na Netflix, uma série que muitos estavam esperando, especialmente aqueles que são fãs do desenho na qual foi inspirado, O Clube das Winx. Confesso que estava com o pé atrás para assistir e temia que a história fosse uma fantasia teen que cairia em uma trama arrastada, cansativa e com clichês enjoativos de acompanhar, mas admito que não foi dessa forma e, no geral, gostei do que vi.
Eu curti a série, mas não morri de amores e ainda tenho algumas observações a fazer, que espero que a série possa corrigir em uma possível 2ª temporada. Você pode conferir a crítica em texto ou vídeo.
Criado por Brian Young, showrunner da série, Fate: A Saga Winx tem seis episódios de 40 a 50 minutos (não chega a 1 hora) e este já é o primeiro ponto positivo, uma vez que entrega uma história que consegue se desenvolver em poucos episódios sem dar espaço para ‘barrigadas’ e enrolações que não acrescentariam nada na trama. É uma temporada curta e na medida certa que você pode assistir em um único dia, como também acompanhar aos poucos, vai do gosto e do tempo de cada um.
Na trama vamos acompanhar a jornada de cinco fadas adolescentes que vão estudar em Alfea, um internato mágico que fica em um lugar chamado Outro Mundo, diferente do Primeiro Mundo onde a sociedade normal vive. A partir daí, vamos vê-las lidando com os estudos, o conhecimento e controle dos seus poderes, romances e amizades. Mas a pitada especial fica para os segredos escondidos nos corredores de Alfea, a origem da Bloom e a razão para ela estar nesta escola e, é claro, as rivalidades, obstáculos e monstros que ameaçam existência das fadas.
Antes de dar continuidade sobre o desenrolar da história e dos personagens, quero ressaltar que o cenário e as paisagens de Fate: A Saga Winx não ficam a desejar. A construção de Alfea é muito bonita e dá gosto quando a câmera passeia por toda a área da vasta escola que traz uma aparência medieval (só aparência, tá?) e muito bonita. Curti bastante os quartos dos alunos, a praça de alimentação, biblioteca, sala da diretora, as paredes secretas, entre outros. Quem curte este tipo de ambientação, vai se apaixonar pelo cenário da série. Além disso, os efeitos especiais são bons e satisfatórios, nada espetacular, mas que ficam bem bonitos quando os personagens usam os poderes.
Origem da Bloom

Logo no primeiro episódio o espectador é apresentado à Bloom (Abigail Cowen), protagonista da série que já chega em Alfea de forma receosa. Logo de cara sabemos que ela é fada e filha de pais humanos, o que faz público compreender a estranheza e o encanto dela com um local que jamais imaginou conhecer na vida.
Toda a história de origem da Bloom se desenvolve a temporada toda, afinal, este é o gatilho principal para fazer a história ganhar força e render, trazendo reviravoltas interessantes e algumas atitudes relapsas da protagonista. No decorrer dos episódios, o espectador entende que Bloom é uma trocada, ou seja, filha de fada criada por pais humanos, uma trama que é bem explicada; a relação difícil com os pais, a motivação que a fez ir para Alfea, a origem de Bloom e sua linhagem de fada que foi escondida dela por tantos anos.
Além de ser a trama principal, a história da Bloom ajuda a apresentar os demais personagens, a unir o grupo que irá ajudá-la nesta busca por respostas, além de lutar com os inimigos que estão indo em direção a todos, especialmente o quinteto.
Antagonismo

À medida que Fate: A Saga Winx nos apresenta os personagens e a protagonista, a série imediatamente introduz a grande ameaça que ficará a temporada toda, que são os Queimados, monstros que atacam qualquer pessoa assim que os vê, o que traz uma atmosfera sombria interessante à história.
Junto a estes monstros, a série nos apresenta Beatrix (Sadie Soverall), a nova aluna de Alfea que carrega uma boa carga de mistério ao longo da temporada, afinal, o espectador fica na expectativa de entender logo quais são as verdadeiras intenções da personagem dentro da escola, uma vez que ela se interessa demais pelos segredos de Alfea, o que a diretora Farah Dowling esconde de todo mundo, o que aconteceu anos atrás na escola, como tudo isso está conectado à trama de Bloom e quais consequências irá trazer quando esses segredos forem revelados.
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Outro ponto interessante de Fate: A Saga Winx é que tanto o passado misterioso da Bloom quanto a aparição dos Queimados se complementam e entregam um bom antagonismo na história. Se a série apenas colocasse os queimados como vilões ou apenas desenvolvesse a origem de Bloom, ficaria algo cansativo e sem graça. A união desses elementos traz um bom gás à trama, que ainda expõe os segredos de Alfea. Entendem o que quero dizer?
Fadas de Alfea

Agora vamos falar sobre as fadas que fazem tudo acontecer nesta série? Bloom é o grande destaque de Fate: A Saga Winx. Como disse, a história de origem da protagonista é o ponto forte da trama, algo interessante de acompanhar, além de unir as demais personagens. No entanto, Bloom não é uma personagem que você gosta de imediato e, talvez, a antipatia por ela cresça por conta de algumas atitudes.
Em muitos momentos, Bloom é egoísta nas ações, olha para o próprio umbigo, fica revoltada em momentos desnecessários e quando age, não pensa nas consequências graves que pode trazer aos demais em sua volta. São momentos que podem incomodar bastante o espectador, mas ela consegue corrigir alguns erros a tempo. O último episódio prova isso que falei com as boas reviravoltas por conta de uma atitude radical de Bloom.
Do grupo, há duas personagens que podem se tornar as favoritas de muitos, como elas são para mim: Aisha e Musa. Nossa fada da água, Aisha (Precious Mustapha) é a personagem mais honesta, sincera e pé no chão. Ela é quem mais ajuda Bloom e, em alguns momentos leva a fama de ‘não amiga’ por ter feito a coisa certa. Gostei muito da Aisha e acho o poder dela fantástico e forte, porém a série não soube desenvolvê-la nesta temporada, deixando o público com o gosto de querer conhecê-la, mas acaba ficando sem informações. Um exemplo é quando Aisha sente dificuldade em controlar seus poderes e a série deixa apenas nisso, sem aproveitar para mergulhar na história dela, dizendo apenas que ela está estressada. Sério mesmo? Outro ponto que incomoda é que a Aisha é a amiga que ajuda a Bloom em todas as enrascadas que ela entra, servindo de muleta para a protagonista. E quem ajuda a Aisha? Cadê a história dela?
Assim como Aisha, Musa (Elisha Appelbaum) também ganha o mesmo caminho, apesar de apresentar grande potencial. No início é possível que a personagem seja mal interpretada, vista como a antissocial, mas quando descobrimos que ela lê e absorve os pensamentos e emoções das pessoas, compreendemos o fato dela querer manter distância. No entanto, por ela ter o poder da mente, um elemento tão forte e incrível, a série não soube aproveitá-la em várias circunstâncias. Outra personagem boa e forte que é mal aproveitada.
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Posso dizer que Stella (Hannah van der Westhuysen) é aquela personagem incompreendida. No começo, ela é apresentada como a fada mimada, líder do grupo, que quer tudo do jeito dela e não aceita que ninguém se aproxime do seu namorado (ex-namorado, no caso rs). Além disso, descobrimos o que ela fez com a ex-melhor amiga, o que a tornou malvista na escola e temerosa por todos. Mas quando a série se aprofunda na história, revela a relação entre ela e a mãe Rainha, o peso da coroa que lhe espera, o medo de fracassar com os seus poderes e, o que, de fato, realmente aconteceu com a ex-amiga, Fate; A Saga Winx entrega boas camadas da personagem e faz o público mudar a opinião sobre Stella, que corre o risco de não ganhar a empatia, mas acaba conquistando no último minuto.
Na minha opinião, Terra (Eliot Salt) é uma personagem mal construída e culpo o roteiro por ter pedido a chance de entregar uma personagem que fuja dos padrões clichês de séries teens. A Terra tem elementos que poderiam ser muito bem trabalhados se saíssem da zona conforto, no entanto, temos uma personagem estereotipada: gorda que sofre bullying e tenta ser engraçada para se destacar e chamar a atenção. Não tem problema em ser gorda e engraçada, mas poderiam ter enaltecido a Terra ao colocá-la em uma posição mais feroz, independente e com voz para calar a boca daqueles que tentam diminuí-la. Fate: A Saga Winx perde a oportunidade de ouro de entregar uma ótima personagem e com um bom poder que, simplesmente, se estaciona no clichê, tornando-a chata em vários momentos. Uma pena.
Por fim, temos a misteriosa Beatrix, que movimenta todas as subtramas, uma vez que ela faz o público entender melhor quais são os segredos de Alfea e como isso está conectado à origem de Bloom, aos Queimados e, é claro, ao passado de Beatrix, que traz plots twists interessantes. É uma personagem forte e que ajuda no desenvolvimento da história.

O grupo docente é apenas formado por três pessoas, mas que sabem se destacar na série. A diretora Farah Downling (Eve Best) tem ótima presença na história, carrega os segredos de Alfea, guia todos os alunos, especialmente Bloom, e está sempre disposta a ficar na linha de frente para combater o mal. Junto a ela, temos o treinador Silva (Robert James-Collier) e o professor Harvey (Jacob Dudman) que complementam bem a trama.
Do elenco de garotos, temos Sky, Riven e Dane, que até tem boa presença na série, porém não chama tanto a atenção. De todos, o que menos conquista é Riven (Freddie Thorp), já que ele tem uma personalidade um pouco antipática e machista. A série cria um envolvimento de Sky (Danny Griffin) e Bloom, que até funciona, porém é o tipo de casal que você não shippa e nem torce para ficarem juntos.
E o final?
Os dois últimos episódios trazem boas conclusões para alguns plots e as melhores reviravoltas, inclusive alguns que o espectador nem cogitava que poderia acontecer, criando bons ganchos para uma possível 2ª temporada.
Fate: A Saga Winx tem uma história bem desenvolvida em poucos episódios, o que não torna chato de acompanhar. A ambientação, cenários e os efeitos especiais são bons e não ficam a desejar. No entanto, a série peca com o desenvolvimento de alguns personagens e tomadas de decisão que não agradam, pontos que podem (e devem) ser corrigidos se a série ganhar uma nova temporada.
Ficha Técnica
Fate: A Saga Winx
Criação: Brian Young
Elenco: Abigail Cowen, Hannah van der Westhuysen, Precious Mustapha, Eliot Salt, Elisha Applebaum, Danny Griffin, Sadie Soverall, Freddie Thorpe, Eve Best, Robert James-Collier, Theo Graham, Alex Macqueen, Jacob Dudman, Sean Sagar, Lesley Sharp e Eva Birthistle.
Duração: 1ª temporada (6 episódios – 50min aprox.)
Nota: 6,9