Nesta era de ouro dos remakes que estamos vivendo, Convenção das Bruxas (The Witches) ganha uma nova versão do clássico dos anos 90, com direito a um elenco com grandes nomes, nova produção, novo design e efeitos especiais. Mas será que isso é suficiente? A trama segue a mesma linha da história criada por Roald Dahl, no entanto, perde a oportunidade de inovar em alguns pontos e ainda derrapa em outros. No geral, é um filme ao estilo ‘sessão da tarde’ que, mesmo com altos e baixos, irá atrair uma nova geração para conhecer esta história que marcou a infância de muitos.
Você pode conferir a crítica em texto ou em vídeo.
Dirigido por Robert Zemeckis (Forrest Gump, De Volta Para o Futuro), o remake Convenção das Bruxas traz uma nova adaptação da obra de Roald Dahl que vamos acompanhar um garoto que, por destino da vida, passa a morar com sua amorosa avó. Em meio aos infortúnios que a vida trouxe, os dois decidem passar uma temporada em um hotel de luxo que um membro da família conseguiu. Mas ao chegar lá, neto e avó se deparam com uma convenção de bruxas, que são hospedadas involuntariamente pelo gerente do hotel. Ao descobrir o objetivo cruel da Grande Bruxa, o garoto terá que não só se proteger, como também tentar salvar todas as crianças.
Quem assistiu ao filme de 1990, sabe muito bem o que esperar com relação à história, mas com alguns toques especiais que fazem jus aos dias de hoje. Além disso, um ponto interessante a se saber é que Roald Dahl não gostou da alteração do final da história, no entanto, acredito que o remake seja mais fiel à sua obra.

Convenção das Bruxas ganha uma narração de Chris Rock, que traz a versão adulta do garoto, em que narra a experiência que viveu. Este é o primeiro ponto positivo, afinal, a voz do ator, além de ser icônica, envolve mais o público a querer acompanhar essa história.
Além da narração entonada, o que torna este remake de Convenção das Bruxas diferente do filme original? Poucas coisas. No geral, o filme cumpre a promessa de ser fiel ao livro e entrega uma história que já conhecemos, com alguns pontos que vão agradar e desagradar, mas o destaque é o elenco, suas interpretações e, é claro, os efeitos especiais.
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Um ponto interessante é o início do filme, que cria uma atmosfera familiar maior, fazendo o espectador se atrair e se convencer com a conexão entre avó e neto, tornando esse laço mais forte. Além disso, o roteiro faz questão de trazer uma introdução mais enraizada e com mais detalhes sobre a origem da bruxa, ao explicar o que são, como elas são e quais são as suas motivações, exemplificando as maldades que elas já realizaram.
Tais efeitos trazem uma atmosfera mais fantasiosa ao remake, se comparado ao filme dos anos 90, em que temos uma bruxa mais realista e que assusta muito mais com uma maquiagem real e horrenda.
Ao mesmo tempo que o filme de 2020 inova, o longa acaba derrapando ao se exceder nos efeitos especiais, como por exemplo, ao apresentar uma cobra e um gato em CGI. Realmente era necessário? Não. A produção poderia ter usado um gato real, afinal, ele não fala e nem faz diferença na trama. Já os ratinhos ganham bons efeitos especiais e melhor humanização.

Infelizmente nem todos os personagens vão agradar, muito menos são relevantes na trama. Jahzir Bruno interpreta o garoto e, infelizmente, sua atuação fica aquém ao entregar uma interpretação apática, sem energia e sem graça. O garoto não tem expressão, muito menos ousadia, e isso afasta o público. Ele só melhora quando é transformado em rato (isso não é spoiler, tá?), o que salva o personagem.
A grande estrela do filme, sem dúvidas, é Anne Hathaway e ela faz o melhor que pode. A Grande Bruxa ganha uma versão maldosa com efeitos especiais, ou seja, temos uma personagem repleta de CGI que revela a sua versão original com direito a uma boca rasgada de orelha a orelha, sem cabelos e garras nas mãos e nos pés. Além disso, alguns de seus dons são enfatizados, como por exemplo, um nariz grande para identificar o cheiro da criança e o poder de voar.
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A caracterização ficou interessante, mas outros pontos se tornam negativos, como o sotaque ‘russo’ ou ‘ucraniano’ da Bruxa, que simplesmente é desnecessário e um elemento a mais que acaba atrapalhando a atuação de Hathaway. Além disso, a antagonista não esconde a sua identidade e revela demais, em vários momentos, quem ela é, o que diminui a atmosfera de mistério da personagem.

Octavia Spencer está muito bem no papel de avó, que não só ajuda o neto a sair dessa situação, como também traz um lado místico que vai bater de frente com a Bruxa. Já o Stanley Tucci faz apenas uma pequena participação no filme como gerente do hotel, porém o personagem não passa de um mero coadjuvante que, no fim das contas, não faz diferença.
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O ator Codie-Lei Eastick interpreta Bruno, que se torna um dos amigos do protagonista que vai ajudá-lo nessa aventura perigosa. É um personagem agradável e fofo. Além disso, temos também a participação de Kristin Chenoweth, mas que vocês só vão saber o que ela faz assistindo ao filme.
Considerações finais
O final do filme é diferente do longa original, tornando-se mais fiel à obra de Roald Dahl. Convenção das Bruxas ganha um remake mais fantasioso, mais colorido e mais fiel ao livro, no entanto, os efeitos especiais não agradam muito e algumas interpretações ficam a desejar. No geral é um filme que vai atrair um novo público a conhecer uma história que agradou e marcou a infância de muitos.
Ficha Técnica
Convenção das Bruxas
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Anne Hathaway, Octavia Spencer, Jahzir Bruno, Stanley Tucci, Chris Rock, Kristin Chenoweth e Codie-Lei Eastick.
Duração: 1h46min
Nota: 5,9