Mais uma produção do Universo Cinematográfico da Marvel está entre nós. As Marvels (The Marvels) marca o encontro de três heroínas cuja química hipnotiza o olhar do espectador. No entanto, apresenta uma história assistível e divertida, mas que se torna esquecível com o tempo, servindo apenas para mostrar a dinâmica das protagonistas e um estepe para o próximo passo do MCU. No fim das contas, As Marvels é um longa divertido, tem um trio fascinante que segura as pontas, mas uma trama fraca e, possivelmente, descartável.
Com direção de Nia DaCosta, As Marvels traz de volta Carol Danvers como Capitã Marvel, que recuperou sua identidade dos tirânicos Kree e se vingou da Inteligência Suprema. No entanto, as consequências deste embate deixaram um rastro de destruição, miséria e dizimação para o povo de Hala, algo que Carol não imaginava e, agora, carrega o fardo de um universo desestabilizado, sendo conhecida como Aniquiladora.
Quem se põe à frente de Hala é Dar-Benn, que lidera uma revolta para recuperar o que foi perdido, já que seu povo não tem luz, água e nem ar puro para respirar direito. Ao encontrar o bracelete – o mesmo que Ms. Marvel tem – ela usa do objeto para dar saltos temporais entre espaço e tempo com o intuito de viajar entre os universos para pegar o que é de Hala por direito. No entanto, estas “viagens” acabam criando buracos que podem desestruturar por completo o multiverso.

Ao ver esta movimentação acontecendo, Carol Danvers se depara com um buraco anômalo. Paralelamente, a Capitã Monica Rambeau que, agora, trabalha como astronauta para a S.A.B.E.R, também se depara com uma energia estranha no espaço. Enquanto isso, na Terra, Kamala Khan segue com sua rotina de estudante, enquanto usa e se diverte com os seus poderes e crias histórias sobre sua heroína favorita.
Quando Carol e Monica tocam nesta energia desconhecida, as três se entrelaçam fazendo com que elas troquem de lugar toda vez que ativam seus poderes, o que faz elas entrarem em algumas confusões. Agora, elas formam um trio improvável que deve aprender a trabalhar em equipe para entender como usar os poderes juntas, além de impedir que a vilã piore as coisas para o universo.
Para assistir As Marvels, pressupõe-se que o espectador já tenha visto ao filme Capitã Marvel e as séries WandaVision e Ms. Marvel, que introduzem a história das protagonistas para que, assim, conecte as três neste novo longa e siga em frente a partir daqui, sem a necessidade de reintroduzi-las. Com isso, entendemos melhor a cena pós-créditos de Ms. Marvel, na qual compreendemos como Carol Danvers foi parar no quarto de Kamala; e os poderes de Monica Rambeau, adquiridos em WandaVision quando Wanda transforma uma cidade em seu próprio universo, colocando-a frente a frente com a bruxa Agatha Harkness.

Dito isso, o maior ponto positivo do filme e que carrega toda a história é a conexão e dinâmica das protagonistas. As três tem personalidades e carregam backgrounds inchados por tudo o que já passaram. De um lado, vemos o reencontro de Carol Danvers com a sobrinha Monica (Teyonah Parris) anos depois, um encontro questionado, uma vez que Carol havia prometido que retornaria, mas não cumpriu, fazendo o tempo distanciarem as duas. E a morte de Maria Rambeau fez esta distância aumentar ainda mais, já que Carol sabia da doença da melhor amiga e se negava em perdê-la; enquanto Monica não estava presente (por que ela foi blipada por Thanos) quando a mãe morreu.
É interessante o filme colocar esta discussão em pauta e os pratos limpos sob a mesa a fim de que o público entenda o status de cada uma, além do motivo real de Carol não ter retornado, razão esta que é desenvolvida neste longa.
O que complementa o fascínio desta dinâmica é o bom humor trazido por Kamala Khan (Iman Vellani), que retorna com sua essência de ‘fanfiqueira’ e apaixonada pela Capitã Marvel, como a conhecemos em sua série original. O encontro entre fã e ídola é divertido e leve ao espectador, que dá boas risadas com uma Kamala não só deslumbrada ao conhecer sua heroína, mas também por fazer parte do universo dos Vingadores e, logo de cara, ser recrutada para uma missão de salvar o universo, já que o trio está conectado.
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Junto com Kamala, sua família também retorna para dar aquele toque especial ao plot, reunindo o clã Khan com Nick Fury (Samuel L. Jackson), com destaque para a mãe de Kamala, Muneeba (Zenobia Shroff), que já havia conquistado o espectador na série original.

A atriz Brie Larson continua bem no papel de Capitã Marvel, que traz uma heroína que precisa encarar as consequências de seus atos no passado. Ao vencer os Kree, ela não imaginava a destruição que deixaria para Hala e seu povo inocente. Não é à toa que é chamada de Aniquiladora, motivo pela qual ela não retorna para a vida de Monica por vergonha do que fez, indo de heroína a monstro. Agora, com uma equipe ao seu lado, ela precisa lidar e resolver os problemas que criou a fim de que o multiverso não se desestruture.
As Marvels apresenta protagonistas cuja química é maravilhosa, mas isso não basta para fazer o filme funcionar. A história é o elemento crucial e, aqui, o longa entrega uma trama que, se pensarmos friamente, poderia ser facilmente descartável ao MCU, servindo apenas de estepe para o futuro do universo construído até aqui.
Um ponto que preciso ressaltar é a forma como o filme explica o funcionamento dos poderes entrelaçados das personagens. A princípio, dá a entender que as três trocam de lugar quando o trio ativa os poderes ao mesmo tempo. Mas depois, o público descobre que isso pode acontecer quando somente duas deles ativarem os poderes juntas. Confesso que esta informação é compreensível, mas a explicação não é tão bem feita, podendo confundir em alguns momentos em este entrelaço do trio funciona.

O que move o filme é o desenvolvimento da vingança de Dar-Benn, que deseja colocar as mãos no par de braceletes a fim de viajar entre os universos e adquirir os recursos naturais para ressuscitar seu lar e devolver o que é de direito ao povo inocente. É até uma motivação plausível, mas ainda assim é uma trama fraca para o filme – talvez funcionaria melhor como subtrama em uma série.
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A atriz Zawe Ashton interpreta a vilã Dar-Benn e entrega muitas caras e bocas, além do objetivo de se vingar. Ela faz o que pode e não tem muito para onde ir, infelizmente. Não é uma antagonista forte e que causa medo, apenas confusão e desastres para as protagonistas consertarem.
As Marvels apresenta três plots muitos interessantes e que vão despertar risadas ou raiva no espectador. A primeira é do gatinho Goose que, agora, não está mais sozinho. A S.A.B.E.R encontra ovos estranhos espalhados pela espaçonave, acreditando ser um vírus de alta periculosidade quando, na verdade, são filhotes de gatos com os mesmos poderes de engolir qualquer coisa que vem pela frente. Ora alguns vão achar esta sequência hilária, ora vão achar completamente desnecessário.
Outra sequência bem interessante no filme é quando as protagonistas viajam para Aladna, local em que Capitã Marvel é famosa na comunidade por ter ajudado o príncipe com questões legais, criando uma conexão inusitada entre eles.
Quem interpreta o príncipe Yan é o ator Park Seo-joon, bastante conhecido no universo dos doramas. Mas quem estiver esperando por uma grande participação, diminua as expectativas, pois o personagem aparece em apenas cinco minutos. Ainda assim, é um plot divertido justamente por descobrirmos como o universo funciona e a forma como se comunicam, o que torna ainda mais agradável e engraçado de assistir.
Com relação à produção, no geral, os efeitos estão melhores, não são perfeitos, mas a qualidade não fica a desejar. Além disso, o figurino do filme está ótimo, desde os uniformes das heroínas e da vilã até as roupas usadas em cada universo. Aliás, Carol Danvers usa um vestido lindo na sequência em Aladna.
Final explicado

A reta final de As Marvels é um pouco previsível quando vemos o desfecho da vilã e, consequentemente, o trio impedindo que o multiverso se colida com os buracos criados entre espaço-tempo.
Com a derrota de Dar-Benn, que não resiste à força do par de braceletes e se desintegra, Monica diz que Capitã Marvel pode devolver a luz e os demais recursos naturais à Hala com o seu poder e, assim, Carol Danvers cumpre o que prometeu e devolve a vida e o ar a este povo.
Para impedir que os buracos cresçam e provoquem danos maiores, Monica Rambeau diz ser capaz de absorver os poderes das três para fechar estas fendas. E assim, ela realiza tal feito, mas não consegue sair dali a tempo antes de fechar o buraco. Com isso, Monica fica presa do outro lado, sendo levada para outra realidade, outro universo.
Com a “perda” da sobrinha, Carol Danvers não perde as esperanças e acredita que irá revê-la em breve. Enquanto isso, ela passa a ajudar Kamala e a família, que se mudam para Louisiana, antiga casa onde Maria e Monica Rambeau moravam.
Nick Fury retorna à Terra e consegue salvar todos da tripulação S.A.B.E.R graças à ajuda de Goose e os gatinhos que “transportaram” todos de um jeito bem diferenciado e engraçado.
Com relação à aparição dos Skrulls, quando o refúgio deles é atacado por Dar-Benn, Capitã Marvel consegue ajuda com Valkíria (Tessa Thompson), que leva parte da população skrull embora. Acredita-se que eles tenham ido para a Nova Asgard.
Cenas pós-créditos

As Marvels contêm duas cenas pós-créditos. A primeira acontece logo no finalzinho do filme, antes mesmo dos créditos subirem na tela. Na cena, vemos Kamala Khan na casa de Kate Bishop (Hailee Steinfeld) para recrutá-la ao futuro novo grupo. A cena é engraçada ao ver Kamala agindo como se fosse o Nick Fury, enquanto Kate insinua gostar desta ideia.
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A segunda cena pós-créditos mostra o paradeiro de Monica Rambeau. Ela é resgatada e, ao acordar em um quarto, se depara com uma mulher igual a sua mãe, Maria. Mas logo depois, percebe que não é sua mãe e, sim, a Binária (Lashana Lynch), uma forma mais poderosa da Capitã Marvel, um ser de pura energia.
Vemos também um dos integrantes dos X-Men, A Fera, explicando que Monica se encontra em outro universo e que, agora, precisa repassar as informações ao Professor Charles Xavier.
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Considerações finais
As Marvels não é terrível, tem um trio de protagonistas cuja dinâmica segura as pontas e a química é infalível. No entanto, a história em si é descartável, juntamente com uma vilã fraca. O filme diverte, mas serve apenas de degrau para o futuro do MCU, o que não é tão justo.
PS: Os Srkulls só aparecem para se ferrar, né? Que povo sofrido!
Ficha Técnica
As Marvels
Direção: Nia DaCosta
Elenco: Brie Larson, Teyonah Parris, Iman Vellani, Samuel L. Jackson, Zawe Ashton, Park Seo-joon, Zenobia Shroff, Gary Lewis, Mohan Kapur, Saagar Shaikh, Leila Farzad, Abraham Popoola, Tessa Thompson, Hailee Steinfeld e Lashana Lynch.
Duração:1h45min
Nota: 2,9/5,0