Anna – O Perigo Tem Nome é uma mistura de Nikita, Atômica e uma pitada de John Wick, e se você já assistiu ou, pelo menos, ouviu falar desses filmes, está ciente sobre as referências. Mas, mais do que um bom filme de ação (sim, o filme é atrativo), o longa dirigido por Luc Besson vai prender a sua atenção com as inúmeras reviravoltas e, se você curte plot twists que faz o jogo mudar repentinamente, este é o filme certo para assistir.
A trama apresenta Anna (Sasha Luss), uma russa que vende matrioskas (bonecas russas) em uma feira do bairro que, logo em seguida, é vista por um agente de modelos que acredita que ela seja o perfil ideal que procuram. Assim, ela embarca para o mundo da moda, mas por trás dos flashes, o público descobre que ser modelo não é a sua única profissão. Anna é uma espiã e assassina destemida, que é requisitada em várias partes do mundo. Sua força e frieza são potencializadas a cada evento, levando o espectador a uma rede de jogos de poder, mentiras, manipulações, traições e, é claro, liberdade a qualquer preço.

O primeiro ato, como disse anteriormente, revela a ida da protagonista ao universo fashion, mas assim que ela encontra o seu primeiro alvo, faz o público se surpreender, ao mesmo tempo em que receia sobre o que se passou naquele momento, afinal, o que realmente aconteceu para levá-la a ter uma atitude radical? É aqui que o roteiro e a direção engrenam o jogo, entregando uma narrativa não linear que se movimenta entre passado e presente em um intervalo que pode ser anos, meses e dias.
Assim, o espectador regressa precisamente três anos, onde se toma o conhecimento sobre quem é a Anna, como era sua vida e a razão que a faz aceitar a proposta de se tornar uma infiltrada e assassina. Anna vivia uma vida simples, com um namorado criminoso, violento e manipulador, mas quando as circunstâncias lhe tiram tudo, não resta nada a não ser aceitar a proposta do espião Alex Tchenkov (Luke Evans), que lhe promete liberdade total e uma vida plena após cinco anos de trabalho com fidelidade. A partir daqui, ganha-se uma compreensão ampla da sua nova profissão, as parcerias com quem ela faz e as pessoas e os cenários utilizados para encobrir a sua verdadeira identidade.

É preciso notar que entre ser modelo de fachada e uma espiã fria, Anna – O Perigo Tem Nome comete o erro de não detalhar mais o treinamento da protagonista, o que faz o público duvidar, em certos momentos, sobre suas habilidades. As cenas de lutas até que são boas, mas não entregam uma credibilidade alta, uma vez que não se sabe o nível de aptidão da protagonista. No fim das contas, é possível relevar, mas sempre com certo receio.
Entre o segundo e terceiro atos, a narrativa se divide em vários ramos que levam o público a se surpreender o tempo todo, uma vez que essas bifurcações dentro do roteiro são os exagerados plot twists, que acontecem sem respiro, mas isso não significa que seja algo ruim. Havia a possibilidade de o filme ser prejudicado tanto na edição – com o vai e vem da trama – quanto no roteiro, uma vez que a história ganha repetições, mas o que faz fugir da margem de erro é que o público ganha uma nova perspectiva da mesma situação, trazendo uma compreensão maior sobre a trama, junto com o fator surpresa que atrai os olhares.

Ao final, são tantos plot twists que alguns ficam previsíveis para quem estiver com um olhar mais atento, devido às pistas deixadas nas cenas, os olhares desconfiados dos personagens, diálogos indiretos e atitudes suspeitas. Mas, mesmo assim, o filme não perde o ritmo e consegue prender a atenção cada vez mais, sem dar uma prévia de quando essa história irá acabar.
Crítica: Era Uma Vez Em Hollywood
A atriz Sasha Luss é uma grata surpresa neste filme, pois ela entrega uma Anna fragilizada, que ganha força e frieza ao entrar neste mundo de poder, violência e manipulação. Aos poucos, ela recupera seus sentimentos e o sonho de ter a tão aguardada liberdade para viver uma vida sem fugas, medos e sangue nas mãos. Sua interpretação é satisfatória, as cenas de ação também, apesar de não ter ganhado certa profundidade no treinamento da personagem, além do seu destino ser uma caixinha de surpresa.

Quem também não fica para trás e se torna um ponto positivo na trama é Helen Mirren que, a princípio, dá a entender que fará apenas uma pequena participação, no entanto, Olga engrena no jogo de manipulação ao lado de Anna e Alex e entrega ótimas cenas e bons diálogos, especialmente quando ela desconfia de algo. Apenas prestem atenção nesta personagem. Luke Evans também está bem no papel e tem uma química mais feroz e apaixonante com Anna, ajudando-a a despertar suas emoções adormecidas.

Cillian Murphy também não fica para trás e graças às boas reviravoltas, o agente da CIA Lenny Miller cria seu próprio jogo para descobrir quem está por trás de todas as mortes.
Considerações finais
Quando o público acredita que o filme irá acabar, a reta final ganha mais reviravoltas que tornam até engraçadas, levando a história a um ritmo alucinante e um desfecho bem esperto.
Anna – O Perigo Tem Nome tinha muitos motivos para entregar um roteiro mal feito, uma edição cheia de falhas e interpretações indesejadas, no entanto, tanto a direção, quanto a trama e o elenco costuram bem os acontecimentos, entregam pistas até previsíveis, mas que conseguem surpreender o público com reviravoltas agitadas e inesperadas, em meio as cenas de ação, lutas e agressividade sem respiro. É um filme que diverte e entretém, especialmente para quem curte este tipo de gênero.
Ficha Técnica
Anna – O Perigo Tem Nome
Direção: Luc Besson
Elenco: Sasha Luss, Helen Mirren, Luke Evans, Cillian Murphy, Lera Abova, Alexander Petrov, Nikita Pavlenko, Anna Kripa, Aleksey Maslodudov e Eric Godon.
Duração: 1h59min
Nota: 7,0