Mais uma adaptação da obra de Taylor Jenkins Reid está chegando. Amores Verdadeiros (One True Loves) chega aos cinemas e traz uma história romântica que mescla drama e humor sobre o amor e a escolha a se fazer. É um filme leve que diverte e emociona equilibradamente, mas incomoda pela edição e montagem e carece de uma conexão mais forte entre personagens e o público. Alguns irão achar ruim, enquanto outros conseguirão aproveitar desta história, mas que, infelizmente, se tornará esquecível com o tempo.
Com direção de Andy Fickman, Amores Verdadeiros conta a história de Emma, que retorna para sua cidade natal em uma tentativa de reconstruir sua vida depois que seu marido Jesse desaparece em um acidente de helicóptero. Anos após o desaparecimento e dado como morto, Emma reencontra seu antigo melhor amigo de escola, Sam, que sempre foi secretamente apaixonado por ela e, assim, se tornam inseparáveis. Recém-noivos, uma nova chance de felicidade para Emma finalmente chega. Até que um telefonema inesperado revela que Jesse está vivo.
Primeiras impressões da série Daisy Jones & The Six
Como não li o livro, irei focar a crítica apenas no filme. Dito isso, posso dizer que Amores Verdadeiros é um filme legal de assistir, não é o pior de todos, pois o espectador até consegue se envolver medianamente com a trama, criando a expectativa sobre qual escolha a protagonista fará diante de dois grandes amores de sua vida.

No entanto, acredito que o fato de o filme ter sido de baixo orçamento, certos pontos ficam a desejar e, consequentemente, afetam não só o desenvolvimento da história, como também a experiência de quem assiste. O maior incômodo do longa, sem dúvidas, é a edição e montagem. Para começar, o filme ganha cortes bruscos e inesperados, com elementos de transição (fade in e fade out) que causam estranheza na passagem de uma cena para outra.
Mas o que, talvez, mais incomode o espectador é a montagem da história que mescla o passado e presente da vida da protagonista sem se importar se o público está conseguindo se conectar com a trama e, principalmente, com os sentimentos de cada personagem, que é ponto principal da história. Nos livros, é normal que cada capítulo traga uma perspectiva diferente sobre a história para compreendermos como o passado reflete nos dias atuais e para o que estamos presenciando neste momento.
O filme faz a mesma coisa, porém não funciona tão bem quanto se espera. Logo no início já temos o flashback da adolescência dos personagens a fim de mostrar de como eles se conheceram. Logo depois, o espectador já descobre que Emma está noiva de Sam e, logo em seguida, recebe a ligação com a notícia de que seu primeiro marido não está morto, como ela acreditou ao longo dos últimos anos. A partir daí, o filme entra em uma narrativa de vai e volta, com uma montagem no formato quebra-cabeça, para que o público entenda como foi a vida de Emma e Jesse no passado, como isso refletiu no presente da protagonista para, assim, ganhar uma nova chance de ser feliz ao lado de Sam.

Essa montagem no formato ioiô não deixa o filme se aprofundar nos sentimentos dos personagens, muito menos que o espectador sinta e se conecte com a dor da perda e a difícil escolha a se fazer quando o passado invade o presente.
Crítica: Guardiões da Galáxia 3
No geral, a atriz Phillipa Soo está bem no papel de Emma e mostra equilíbrio na atuação ao expor uma mulher que vê sua vida plena ser interrompida bruscamente diante da perda de um grande amor; a negação e esperança de retomar o que foi perdido; a construção do recomeço com grandes mudanças; e a oportunidade de amar novamente. Tudo isso é apontado na personagem, porém falta mais entrega nesta atuação a fim de que o espectador se envolva e sinta a dor, o luto, a nova felicidade e a grande dúvida entre qual destes dois amores se encaixa melhor com a sua atual realidade.
O ator Luke Bracey está OK como Jesse e o público se vê envolvido um pouco mais com o amor entre ele e Emma no passado. Mas quando o personagem retorna anos depois, a história demora para explicar o que aconteceu com ele nos últimos anos e esquece de aprofundar no trauma que Jesse carrega, que chega em pequenas explosões que faz a gente ter uma visão distorcida dele, uma vez que ele ficou preso e no aguardo de reencontrar Emma, enquanto a julga por ter seguido em frente.
O público nota que este trauma do personagem existe e anseia por um entendimento maior, que é esquecido. Isso faz com que a trama enalteça um lado mais egoísta do Jesse quando, na verdade, ele também se sente fora da caixa e em uma vida que não lhe pertence mais. Você torce o nariz por conta de certas atitudes do personagem, mas entende tais reações e o “perdoa” quando ele finalmente compreende todas as mudanças.

Já o ator Simu Liu é quem está melhor no filme e traz o lado mais leve e divertido que equilibra com o lado dramático. O Sam sempre fora apaixonado pela Emma, mas nunca expôs seus sentimentos. Quando a grande chance de ser feliz ao lado de quem ama é abalado, o personagem demonstra respeito e dá espaço para que a amada faça a sua escolha. O ponto cômico está na forma como Sam lida com a situação, seja no ciúme que tem com o retorno de Jesse; as constantes piadinhas que sofre por conta da situação que se torna midiática; e o desabafo com os seus alunos, que se transforma em uma grande sessão de terapia, uma das minhas cenas favoritas.
Amigas Para Sempre: final emocionante para não esquecer
O elenco coadjuvante é bom, com destaque para a irmã de Emma, Marie (Michaela Conlin) que é a pessoa que se torna o maior apoio e suporte para que a protagonista consiga passar por todas essas fases, fazendo a escolha certa ao final.
Considerações finais

A reta final traz uma compreensão melhor sobre a escolha de Emma e qual amor se encaixa perfeitamente a quem ela é, sem obrigá-la a lidar com mudanças para algo que já não faz mais parte da sua vida: um amor suburbano ou um amor aventureiro? Quem já leu o livro ou viu o filme, sabe a resposta. Particularmente, gosto da escolha de Emma, tornando o final assertivo, romântico e singelo aos personagens.
Amores Verdadeiros não é de todo ruim, já que os personagens conseguem segurar as pontas dentro do possível, ainda carecendo de uma entrega melhor na atuação. O longa está longe de ser perfeito, com uma edição e montagem que prejudicam o desenvolvimento do filme, afastando o público de se conectar melhor com o sentimentalismo que é a base fundamental desta história.
Amores Verdadeiros tem pontos positivos e negativos, mas é o tipo de filme que se torna esquecível com tempo.
Ficha Técnica
Amores Verdadeiros
Direção: Andy Fickman
Elenco: Phillipa Soo, Luke Bracey, Simu Liu, Michaela Conlin, Tom Everett Scott, Gary Hudson, Oona Yaffe, Cooper van Grootel, Phinehas Yoon, Beth Broderick, Lauren Tom e Michael O’Keefe.
Duração: 1h40min
Nota: 2,5/5,0