A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona) traz um dos clássicos do horror que costumam assustar as crianças, como as tradicionais histórias do homem do saco, a loira do banheiro e outros. Desta vez, pela direção de Michael Chaves e produção de James Wan, Gary Dauberman e Emile Gladstone o folclore ganha um patamar mais aterrorizante, mexendo novamente com a nossa imaginação e o medo sobre uma mulher que derrama lágrimas mortais.
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O mito não é nenhum spoiler e, logo de cara, o espectador toma conhecimento (desde o trailer) sobre o que se trata a maldição. A história se inicia no México em 1673, que acompanha uma das mulheres mais linda da cidade, que esbanja felicidade e plenitude ao lado de sua família. Quando algo de muito errado acontece em sua vida, ela realiza a maior vingança: mata os filhos afogados em um rio que, consequentemente, gera o maior arrependimento que a destina a vagar pela Terra em busca de crianças para substituir aqueles que ela matou.

Com essa breve introdução, o filme nos leva para Los Angeles de 1973, em que vamos acompanhar Anna Tate-Garcia, uma assistente social viúva, mãe de dois filhos que precisa equilibrar trabalho, maternidade e luto. Em um dos seus casos, Anna tem que lidar com Patricia Alvarez, que tranca seus filhos dentro de um armário, alegando que uma entidade irá pegá-los. Interpretando tal atitude como maus-tratos, Anna intercepta a situação, separa a mãe enquanto leva as crianças para um lugar mais seguro. Mas é a partir daí que Anna entende que aquela atitude era uma proteção, uma vez que o sobrenatural nada mais é que a Chorona que, ao marcar a pessoa, a segue até alcançar seu objetivo. Agora, Anna precisa ir contra os seus pensamentos céticos enquanto lida com um mal que pode atingir os seus filhos a qualquer instante.
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A Maldição da Chorona nada mais é do que um terror folclórico que se desenvolve bem à medida que explora satisfatoriamente as superstições e elementos desse folclore juntamente com cenas clichês e jumps scares bem utilizados.

O bom e velho uso do ceticismo vs crença pode ser algo até previsível em um filme de terror, mas quando bem desenvolvido torna-se natural e envolvente na história. Assim que o público toma conhecimento do mito, personagens e a crença que gira em torno da cidade, o filme não perde tempo em iniciar as ações da própria entidade. O longa acerta ao moldar o mal em uma mulher (Marisol Ramirez) com um vestido e véu branco, sempre velando sua identidade. A Chorona atrai suas vítimas com um choro tímido e hipnotizante aos ouvidos. A aproximação é quase inevitável aos inocentes, ou para aqueles que não conhecem sua história e, quando deparada com a imagem, a vítima é marcada com lágrimas flamejantes, definindo seu destino. Não importa para onde ela vá, o mal irá atrás para encerrar a sua missão.

Os momentos mais aterrorizantes se encontram nos tradicionais jump scares que, por sinal, é o ponto forte do filme. Os elementos são simples e eficazes no susto, como portas e janelas batendo forte com o vento; a lâmpada rolando para debaixo da mesa como sinal de alerta; as mãos amaldiçoadas acariciando a cabeça da personagem enquanto toma banho; a aparição repentina da entidade pelos cantos da casa a fim de criar uma atmosfera de insanidade para a protagonista; os corredores e quartos escuros a todo instante e a agonia criada pela luzes piscando; as velas como sinal de proteção e aviso para a chegada do mal, entre outros.
O filme salienta ainda mais o lado folclórico com a adição do personagem Rafael (Raymond Cruz), curandeiro da cidade e o único capaz de compreender o tipo de força que existe ali. É com a superstição que o público ganha mais detalhes sobre o mito e toma conhecimento de elementos capazes de eliminar um mal difícil e sem limites. Acredito que este é um dos pontos que mais faz a diferença no longa.
Outro ponto interessante é que A Maldição da Chorona faz parte do universo de Invocação do Mal, uma vez que há um personagem em comum. Isso significa que é necessário assistir todos os filmes para compreender esta? Não, mas seria interessante se, ao menos, assistir o primeiro filme Annabelle.

A trama também funciona graças ao elenco. De um lado temos Linda Cardellini interpretando uma mulher cética capaz de fazer tudo e abrir sua mente para proteger seus filhos. Sem dúvida, ela é a personagem mais forte e corajosa do filme. Os filhos Chris (Roman Christou) e Samantha (Jaynee-Lynne Kinchen) carregam força e medo paralelamente, já que eles precisam lidar com o mal que os perseguem. Dos dois, Sam perde um pouco da força, uma vez que a menina ganha duas cenas que causam dúvidas e irritações, como a cena do guarda-chuva (desnecessária e fora do contexto) e a cena da boneca.

Quem também se destaca é Patricia Velasquez, que traz uma mãe tomada pelo luto e culpa e carregada de ódio a ponto de ter diálogos e atitudes bem contrárias do que o público espera.
Considerações finais
A Maldição da Chorona acerta ao explorar o lado aterrorizante do folclore mexicano com uma entidade assustadora, bons elementos supersticiosos, personagens cativantes que transmitem bem suas emoções diante do caos, jump scares eficazes, alívio cômico comedido e bem pontuado, um desfecho justo e satisfatório e uma boa adição ao universo de Invocação do Mal.
O medo é relativo no filme, mas o susto é praticamente garantido.
Ficha Técnica
A Maldição da Chorona
Direção: Michael Chaves
Elenco: Linda Cardellini, Raymond Cruz, Roman Christou, Jaynee-Lynne Kinchen, Marisol Ramirez, Patricia Velasquez, Sean Patrick Thomas, Tony Amendola, Irene Keng, Oliver Alexander e Aiden Lewandowski.
Duração: 1h34min
Nota: 7,9