A Barraca do Beijo 3 (The Kissing Booth 3) chega na Netflix em clima de despedida e na expectativa para entregar o tão aguardado desfecho dos personagens queridos pelos fãs. Mas será que o terceiro filme fecha bem a trilogia? Apesar de ainda carregar os mesmos questionamentos e algumas observações desde o primeiro filme, a história entrega um final justo e bom para o trio de protagonistas, que se despede da sua jornada em clima de verão e prontos para dar um passo importante em suas vidas. Mas antes, eles passam por mais algumas confusões, entregam plots bons enquanto outros são aleatórios, mas que deixa o final satisfatório.
Um ano após o sucesso do segundo filme, A Barraca do Beijo 3 chega sob a direção de Vince Marcello dando continuidade aos últimos eventos em que Elle se vê dividida entre dois destinos: ir para Harvard e dar um novo passo na relação com Noah; ou ir para Berkeley com Lee e cumprir a antiga promessa de ir para a mesma universidade com o melhor amigo? Antes de tomar a grande decisão, o quarteto (Elle, Noah, Lee e Rachel) vai aproveitar as férias de verão na casa da praia e relembrar os momentos icônicos que passaram por lá. Mas à medida que o tempo passa, Elle fica ainda mais dividida entre os rapazes da sua vida, ao mesmo tempo que ela também precisa priorizar a sua felicidade.
Enquanto tenta tomar uma decisão importante, a protagonista precisa lidar com outras situações como o fato de continuar juntando dinheiro para a faculdade, cuidar do irmão e lidar com a nova namorada do seu pai, um assunto bastante delicado para Elle. Além disso, os personagens terão que se despedir da antiga casa de praia que, futuramente, se tornará um condomínio de luxo no local. Como apagar as memórias afetivas regadas a tantos anos?

Assim como os dois filmes anteriores, A Barraca do Beijo 3 traz a mesma fórmula em que vamos acompanhar novamente, ao longo de 1 hora e 52 minutos, pequenas subtramas que vão entregar os destinos da amizade e do namoro, ganhando obstáculos pela falta de comunicação. E assim como aconteceu nas tramas anteriores, o terceiro filme engata em situações em que uma coisa sempre leva à outra, mas, desta vez, tal círculo vicioso é quebrado.
Ao fazer a escolha que aparenta ser a certa, Elle tenta compensar Lee ao cumprir os desafios e as regras feitos por eles ainda pequenos. Enquanto isso, a protagonista também tenta compensar Noah, mas falha quando a sua amizade fala mais alto, além de tentar arranjar um tempo para si e sua família.
De um lado, A Barraca do Beijo 3 nos proporciona cenas divertidas e bem contagiantes com relação aos desafios, como a hilária corrida ao estilo Mario Kart, as pegadinhas, pular de paraquedas ou do alto do penhasco direto para o mar, mesmo que algumas destas cenas ganhem um CGI nítido e mal feito, um ponto que não dá para passar despercebido.
Do outro lado, o filme mostra que a falta de comunicação – elemento recorrente na trilogia e ponto importante discutido na trama – junto às escolhas feitas sob pressão trazem uma série de consequências que acabam machucando as três partes envolvidas nesta história. Enquanto Lee espera passar os últimos momentos ao lado da melhor amiga e namorada, Elle falha com o melhor amigo, falha com o namorado, o pai e o irmão e, o pior: falha com ela mesma por sempre deixar sua felicidade em segundo lugar.

Um questionamento que talvez o espectador faça desde o primeiro A Barraca do Beijo é a razão para Elle sempre estar à frente de tudo, realizar os desejos e satisfazer ambos os lados. Por que, em algum momento, a situação não se inverte, algo não é feito pela Elle? Tal constância fica ainda mais nítida neste terceiro filme, o que faz o ciclo eclodir novamente, mas, desta vez, com um desfecho justo para todos.
Como a trama não trabalhou alguns pontos anteriormente, A Barraca do Beijo 3 entrega certas escolhas que se tornam um pouco aleatórias, como por exemplo, o fato de Elle escolher o que ela realmente quer fazer da sua vida pelos próximos anos. Digo isso, pois em nenhum momento a escolha não foi mencionada pela protagonista e, repentinamente, se torna o seu maior sonho.
Outra situação que o filme não tem coragem de ir até o final é com relação à casa da praia. A trama foi toda desenvolvida em cima do local para retrocederem na decisão. Mudanças são difíceis, mas necessárias e acredito que o filme deveria ter ido com essa decisão até o fim, o que infelizmente não aconteceu.
Mais um ponto que A Barraca do Beijo 3 deixa aleatório na história são os personagens coadjuvantes. Para trazer mais obstáculos ao relacionamento de Elle e Noah, o personagem Marco reaparece para causar ciúmes e incômodo ao casal, especialmente para Noah. Em nenhum momento, tal situação não acrescenta nada edificante, apenas cenas de brigas e a esperada declaração de Marco para Elle, algo já previsto no filme anterior, que culmina em decisões importantes ao namoro de Elle e Noah. Com sua trama já vista em A Barraca do Beijo 2, Marco fica sem rumo e muito o que acrescentar aqui, podendo ter tido o seu desfecho no segundo filme. Mas antes tarde do que nunca, o personagem tem um destino bom e singelo.

Assim como Marco, Chloe, melhor amiga de Noah, também não acrescenta em quase nada na trama e ainda ganha um plot aleatório com relação ao divórcio dos seus pais. Enquanto ela foi importante na trama do filme anterior, aqui a personagem se torna irrelevante e com um arco filler, dando uma barrigada desnecessária na história.
Entre erros, A Barraca do Beijo 3 acerta ao trabalhar a relação de Elle com o pai e o fato dele seguir em frente em um novo relacionamento após anos do falecimento da esposa. O roteiro acerta na vulnerabilidade e pressão em lidar com essa situação e a forma como Elle admite seus erros e se reconecta com sua família e a nova integrante.
Além disso, o filme também desenvolve bem as despedidas dos protagonistas colocando cada um em caminhos diferentes e justos, entregando um desfecho emocionante e mostrando que a amizade e o amor podem ser fortes mesmo que o destino os leve a lugares opostos.
Já assistiu A Última Carta de Amor?
A Barraca do Beijo 3 ganha uma atmosfera de despedida que emociona, trabalhando pela última vez as problemáticas da trama e entregando uma solução justa, satisfatória e feliz aos protagonistas. O filme proporciona na dose certa diversão, confusão e soluções em que todos alcançam a felicidade que estava procurando. Mesmo com ressalvas, A Barraca do Beijo 3 entrega um final feliz para a trilogia.
******COM SPOILERS******

Nesta segunda parte do texto, vou falar alguns pontos do filme com spoilers.
Em A Barraca do Beijo 3, vemos Elle dividida entre Harvard e Berkeley e, logo no início do filme, a protagonista escolhe ficar ao lado do namorado. No entanto, no decorrer da trama, o público nota que a vontade de ir para Berkeley fala mais alto, mas ainda assim, vemos Elle não querer magoar nenhum dos dois e ainda deixar suas escolhas em segundo plano.
Ao descobrir que Elle havia passado em Berkeley também, Noah percebe a sua indecisão e, junto com a possibilidade de estar “prendendo” a namorada, ele decide terminar o relacionamento. Em parte, achei certa a atitude do personagem, não por falta de amor, mas pela razão de Elle não demonstrar um interesse feroz em ir para Harvard, como ela sempre demonstrou com Berkeley, independente de Lee ir para lá ou não.
A decisão de Ellie se torna aleatória não por decidir ir para uma universidade diferente, mas sim, pelo curso escolhido: designer de videogames. Em nenhum momento dos três filmes, a protagonista demonstrou interesse em seguir esta carreira, muito menos era mencionado este sonho. Por isso tal escolha torna-se aleatória no filme. Talvez se levarmos em consideração o fato de que ela e Lee gostam muito de jogos desde pequenos, esta escolha não fique tão absurda aos nossos olhos.
Após esta decisão, o filme entrega o destino dos personagens: Lee e Rachel terminam o namoro, prometendo se reencontrar se este amor ainda estiver vivo. Lee vai para Berkeley sozinho. Elle e Noah terminam o namoro e Noah retorna para Harvard, após uma conversa sincera entre os dois. Já Elle segue o seu caminho como designer de jogos.
Após seis anos, o trio retorna para matar as saudades e se reencontram na tradicional festa da escola onde vemos, pela última vez, a barraca do beijo onde tudo começou. Lee e Rachel vão se casar, enquanto Elle e Noah se reencontram e deixam as portas abertas para que a relação possa retornar em um futuro não muito distante.
Com relação à casa de praia, a mãe de Lee e Noah decide não vender mais, o que achei uma decisão covarde, uma vez que o filme ganha uma atmosfera nostálgica e de despedidas. Tal atitude acaba não sendo conveniente à proposta do roteiro.
Após Elle declarar os seus sentimentos para Marco e dizer que nada rolaria entre eles, Marco resolve ir para Nova York para tirar um ano sabático e se dedicar à música antes de ir para qualquer faculdade. Já Chloe apenas retorna para Harvard, reforçando a irrelevância da sua trama neste terceiro filme.
Ficha Técnica
A Barraca do Beijo 3
Direção: Vince Marcello
Elenco: Joey King, Joey Courtney, Jacob Elordi, Taylor Zakhar Perez, Maisie Richardson-Sellers, Meganne Young, Judd Krok, Molly Ringwald, Morné Visser, Carson White, Stephen Jennings e Bianca Amato.
Duração: 1h52min
Nota: 5,9