O universo de Para Todos Os Garotos Que Já Amei se expandiu com a nova série Com Carinho, Kitty (XO, Kitty), disponível na Netflix que retrata a nova jornada de Kitty, a irmã mais nova de Lara Jean e a caçulinha da família Song Covey. O spin-off traz uma mistura de série teen e dorama que diverte e encanta com os dramas amorosos e bom humor. Mas também há aquela boa dose de exagero no desenvolvimento da história que não passa despercebido e causa estranheza possível de relevar. Mesmo com algumas observações, a nova série é gostosa de assistir e vou te dizer o porquê.
Criada por Jenny Han, Com Carinho, Kitty se passa após os eventos do último filme da trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei e acompanha Kitty que, depois que as irmãs Lara Jean e Margot traçaram os seus caminhos para um futuro promissor na carreira e no amor, agora, a irmã mais nova decide que está na hora de fazer o mesmo.
Atualmente, Kitty está de férias e com saudades do namorado Dae, cujo romance funciona à distância, uma vez que ele estuda e mora na Coreia do Sul. Além de querer ficar próxima do seu amado, a garota também tem outro grande plano: se conectar com as raízes de sua mãe, uma vez que ela não teve isso, já que a mãe faleceu quando ela era muito pequena. Depois de vasculhar os pertences da mãe e descobrir onde ela estudou, por conta própria, Kitty se inscreve e é aceita na escola KISS, na Coreia do Sul, o mesmo local onde sua mãe se formou e, é claro, onde Dae estuda.
Para juntar o útil ao agradável, Kitty prepara uma ótima palestra para pedir ao pai e a madrasta para estudar na Coreia do Sul, obtendo sucesso em seu plano. A viagem é instantânea e, assim, logo no 1º episódio, já vemos a protagonista embarcar para sua mais nova aventura que chacoalhará sua vida.

Ao chegar do outro lado do mundo, Kitty já sente as mudanças e, é claro, as diferenças de morar em um país bem diferente e não tão acostumada com a cultura, mesmo tendo raízes por lá. Mas o primeiro e maior choque que ela recebe é sobre o seu namoro: ao reencontrar Dae e fazer uma surpresa, a surpreendida é ela ao descobrir que o garoto está namorando Yuri, a garota popular da escola e alvo de paparazzi constantemente. Desiludida, Kitty está decidida a dar continuidade ao plano de se conectar com o passado da mãe e descobrir mais coisas sobre ela, mas também não irá desistir de saber o verdadeiro motivo para Dae estar com outra namorada.
Com Carinho, Kitty tem apenas 10 episódios de até 30 minutos cuja maratona é super gostosa de fazer, mas entendo quem não optar em maratonar, uma vez que assistir tudo de uma vez pode ser cansativo, fazendo o espectador não abraçar a história e absorver tudo o que está acontecendo. Confesso que o modelo ‘maratona de série’ não está funcionando tão bem para mim e, atualmente, prefiro assistir aos poucos. Neste caso, como esta produção é leve de ser consumida, ainda consegui ver tudo em um único dia, mas não nego que fiquei cansada quando terminei.
Com relação ao roteiro, Com Carinho, Kitty é nitidamente uma série teen, mas que também apresenta elementos fortes de um dorama. Não assisti muitos doramas, mas o pouco que vi ajuda a notar essas nuances dentro deste spin-off. Dito isso, tal mistura é boa e divertida, mas também causa estranheza por conta das decisões tomadas dentro da narrativa, o que eleva o nível de exagero tanto para facilitar as circunstâncias quanto para dificultar e aumentar o grau de dramaticidade da história.
Crítica: Para Todos Os Garotos: PS Ainda Amo Você
Para começar, a narrativa facilita a jornada da protagonista em várias situações, seja na rápida autorização que ela recebe do pai (John Corbett) para ir estudar na Coreia do Sul, fazendo-a já pegar o avião imediatamente no primeiro episódio. À medida que Kitty conhece e se envolve com os demais personagens, além de ir investigando o passado da mãe, a protagonista ganha recursos narrativos que contribuem para que ela saia de uma situação e entre em outra, fugindo completamente de uma realidade mais palpável, na qual ela poderia ser repreendida por certas atitudes.

Por exemplo, há uma cena em que ela descobre que a mãe foi ao hospital na adolescência e, por conta disso, ela entra no local e consegue informações confidenciais com rapidez, mesmo sendo flagrada ao final. Em contrapartida, ela encontra o hospital quando vai tirar uma foto, sendo que ela poderia ter pesquisado o local pela internet, uma vez que Seul não seja uma cidade tão pequena assim. Entende como há certo desequilíbrio na narrativa com relação às decisões?
Outro ponto que é positivo, mas também um pouco duvidoso é com relação ao idioma. Com Carinho, Kitty acerta ao trazer personagens que falam inglês e coreano, afinal, a história se passa na Coreia do Sul. A aproximação entre as culturas é maravilhosa, já que há outros alunos fazendo intercâmbio, além do fato de atrair um público maior, que vai além dos fãs de Para Todos Os Garotos Que Já Amei. Porém, a série peca em não mostrar um interesse maior da protagonista em querer aprender a falar o idioma do país, já que faz parte do seu plano de se conectar com suas raízes. Se a Kitty falou duas palavras em coreano, foi muito.
Outro detalhe que a série poderia ter abordado é a protagonista explorando a cidade, a cultura e os costumes, para assim, entender melhor o passado e os gostos da mãe, seja a comida regional ou lugares preferidos fora da escola, já que a Kitty não tem parentes no país, como ela mesma fala.
E prepare-se para ver muito drama, afinal, estamos acompanhando adolescentes sendo adolescentes, ou seja, o que poderia ser resolvido com um bom diálogo, a famosa ‘falta de comunicação’ transborda na série, fazendo as subtramas incharem e, consequentemente, se transformarem em uma grande bola de neve para, apenas ao final, as resoluções virem à tona. Talvez esta decisão possa soar estranho e até irritante para alguns, mas sugiro que aceitem e abracem essa proposta para aproveitar melhor a experiência.
Com carinho, os personagens

Com Carinho, Kitty apresenta personagens adoráveis que vão fazer o espectador sentir vários sentimentos mútuos a temporada toda, seja raiva, deboche, carinho e amor levando a torcida para que as coisas deem certo para todos. E sim, você vai shippar casais improváveis, enquanto outros romances que não se espera, surgem e surpreendem. Aí vai de cada um e para quem você vai torcer.
A atriz Anna Cathcart continua encantadora como Kitty, transbordando carisma. Se ela já conquistou nos filmes, firmará este encanto em seu coração com a série. Mas agora, Kitty está no auge da adolescência, o que a faz mergulhar em questionamentos, pensamentos, impulsividades e conclusões precipitadas de forma bem aflorada. A série aplica o tom exagerado especialmente nas ações da protagonista, seja a comunicação falha com os demais, as ações e reações diante de uma situação e, é claro, os sentimentos que ficam bem conflituosos, especialmente a partir do 6º episódio. Isso sem contar que a personagem tropeça o tempo todo. Como a Kitty adora cair! rs
O Dae (Minyeong Choi) consegue ser fofo o tempo todo, até mesmo quando está triste, frustrado e irritado. Dae é inteligente, esforçado e dedicado aos estudos e à família. Assim como Kitty, ele também perdeu a mãe e, por conta disso, quer trazer orgulho ao seu pai e a irmã mais nova. Por não ser rico, Dae acaba aceitando propostas a contra gosto e tomando decisões que afetam todos ao redor, como o amor que tem pela Kitty, a amizade forte com Q e Min Ho, e a parceria com Yuri.

Outro personagem que vai ter a torcida mais forte do público é Min Ho (Sang Heon Lee) que, por sinal, embarca em uma subtrama divertida de ‘enemies to lovers’ com a Kitty, na qual é quase impossível não gostar. À princípio, Min Ho é chato e babaca, mas depois que o espectador entende melhor o jeito do personagem e conhece seu background, não tem como não shippar ele com a protagonista que, por sinal, apresentam uma química maravilhosa, até melhor que com o Dae.
Crítica: Para Todos Os Garotos: Agora e Para Sempre
Já o ator Anthony Keyvan interpreta o Q, amigo dos meninos que abre as portas para acolher Kitty. Q é um personagem equilibrado e cativante, justamente por ele ter os seus próprios dramas românticos, mas também por ele saber frear a Kitty na hora exata, especialmente quando ela exagera ou passa dos limites em certas situações. Ele é o tipo de amigo que apoia, mas também puxa a orelha quando precisa; sabe ouvir, mas, às vezes, fala demais, machuca e sabe admitir os erros.

Outra personagem que surpreende bastante na série é a Yuri (Gia Kim), cujo triângulo amoroso com Kitty e Dae apresenta boas camadas desta personagem, seja sua relação conturbada com a mãe Jina (Yunjin Kim), uma vez que ela precisa esconder sobre sua vida pessoal e quem ela é de verdade, o que acaba surtindo um efeito dominó, atingindo quem está de fora. A série dá a entender que a Yuri vai ser a grande vilã da história, mas surpreende quando cada camada da personagem se expõe, o que faz o público torcer para que ela seja feliz. Arrisco a dizer que ela se destaca um pouco mais do que a Kitty em alguns momentos.
Aliás, assim como o primeiro filme, a série também aborda o tema ‘Fake Dating’ que, talvez, pode soar repetitivo, porém, tal elemento é apenas a superfície de todo o drama que vem por baixo. Cria-se uma espiral de dramas na qual não esperava, desde problemas familiares, segredos, romances novos à vista, entre outras coisas.
Do elenco adulto, destaca-se a Jina, diretora e mãe de Yuri, que carrega uma carga emocional forte por conta da relação da filha e também do passado que tem com a mãe de Kitty. Temos também a chegada do novo professor, Alex (Peter Thurnwald), que dá uma boa chacoalhada na trama, ressoando na vida de Kitty, Yuri e Jina. Aliás, achei o personagem bem fofo. E, é claro, o professor Lee (Michael K. Lee), conhecido também como Severo Snape coreano, o que já diz muita coisa rs. Lee também não passa despercebido, fazendo conexões interessantes com certos personagens. Assista e descubra.
Considerações finais

A partir do 6º episódio até o final, a dramaticidade de Com Carinho, Kitty fica ainda mais forte, trazendo plots twists um atrás do outro, formando uma teia de aranha embaraçada, mas que pode ser divertida se o espectador abraçar a ideia. Claro que a sensação de estranheza virá e fará você questionar algumas coisas, mas é possível relevar.
Claro que o final de Com Carinho, Kitty deixa pontas soltas e um cliffhanger para uma 2ª temporada. Agora, é aguardar a Netflix renovar esta série que, com certeza, terá uma boa audiência que garantirá o seu futuro.
Com Carinho, Kitty é um spin-off do universo de Para Todos Os Garotos Que Já Amei agradável e divertido de assistir, misturando elementos de série teen e dorama que aumentam o tom da dramaticidade. Além disso, há decisões na narrativa que facilitam as situações, enquanto causam estranheza em outros momentos, na qual é nítido aos olhos. Cabe em como cada um irá absorver a proposta da série e curtir a experiência.
Para mim, vale a pena dar uma chance a esta produção leve e despretensiosa.
Ficha Técnica
Com Carinho, Kitty
Criação: Jenny Han
Elenco: Anna Cathcart, Minyeong Choi, Anthony Keyvan, Gia Kim, Sang Heon Lee, Théo Augier Bonaventure, Jocelyn Shelfo, Yungin Kim, Peter Thurnwald, Michael K. Lee, John Corbett, Sarayu Blue, Lee Sung-Wook, Regan Aliyah e Hyongchol Lee.
Duração: 1ª temporada (10 episódios – 30 minutos)
Nota: 3,5/5,0