Assim que virou o mês, nos primeiros minutos do dia primeiro de novembro, a Netflix lança a 3ª temporada de Atypical, série que retrata a vida de Sam (Keir Gilchrist), um garoto dentro de espectro autista com seus novos desafios e a forma de enxergar o mundo a sua volta, que não é diferente, só é atípico.
Nesta nova temporada, podemos conhecer Sam na faculdade, realizando o seu sonho: se prepara como ninguém para iniciar o curso. Além de acompanharmos ele no ambiente universitário, conhecemos mais a fundo os sentimentos de sua mãe, Elsa (Jennifer Jason Leigh), e a infância dela, a sexualidade de sua irmã, Casey (Brigette Lundy-Paine) e os conflitos morais e éticos que precisa enfrentar com Zahid (Nik Dodani), seu melhor amigo.

Novamente, a escritora e criadora da série Robia Rashid, consegue nos explicar com humanidade e simplicidade o mundo através do olhar do espectro autista, suas dificuldades, preconceitos e pensamentos. Por outro lado, dessa vez, há uma novidade: a família de Sam enfrenta questões paralelas a ele. Parece que o rapaz ganha independência emocional e social a cada episódio que passa.
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Conhecemos um novo Sam, universitário, responsável afetivamente com a namorada, mais resiliente e paciente com as pessoas que estão fora da sua visão atípica do mundo. Keir Gilchrist permanece com uma atuação incrível, conseguindo expor a essência, emoções e dúvidas de Sam, às vezes, só com o olhar, conseguimos entender o garoto que passa pelos mesmos estresses na faculdade como todos, mas em outra perspectiva.
Para nós, fora do espectro, podemos achar que as atividades da faculdade sem muitas regras sejam mais livres e criativas, em que os professores deixam “por conta do aluno”, desde atividades criativas e até comunicativas (como só fazer um debate para ganhar nota durante uma aula em que expor sua opinião já basta para a avaliação) são coisas tranquilas que recebemos e fazemos com alegria, mas com Sam, é outra história.

Todos temos nossos medos e dificuldades na faculdade, mas Sam tem juntamente naquelas atividades que “fogem da reta”, que são mais descontraídas, que exigem socialização, criatividade e que não são cercadas de regras e normas acadêmicas. Para ele, qualquer coisa sem regras o deixa perdido, desorientado e com uma enorme dificuldade. Mesmo assim, ele não desiste e cria formas de lidar com os afazeres, sempre com muita resiliência, dedicação e paciência.
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Por outro lado, Elsa está próxima de nós e, dessa vez, longe de Sam. A mãe superprotetora que conhecemos vai desaparecendo aos poucos, pois ela reconhece que o filho está buscando autonomia e, assim, o respeita e liberta para isso – não 100%, mas uns 70% e isso é um grande progresso por parte dela. Além disso, sabemos porque a personagem tem excesso de cuidado com todos ao seu redor: esse comportamento vem de problemas com a sua mãe e uma infância complicada.

Vivemos um pouco as emoções de Casey e, novamente, sem Sam. Após a linda reaproximação deles na última temporada, ambos permanecem se apoiando e tentando ao máximo se compreender. Agora, quem não compreende Casey é ela mesma. A garota começa a questionar seu atual relacionamento hétero após ter vários momentos de atração por sua melhor amiga, e isso faz o telespectador perceber um novo lado da personagem, que aflora e a gente vive isso com ela, sem tanta marca de Sam no enredo.
O que nos conecta cada vez mais com Sam nesta temporada de Atypical, além da faculdade, é Zahid. Os amigos enfrentam mais baixos do que altos nessa temporada, tanto juntos quanto separados, e a amizade deles fica muito abalada. Mesmo assim, Sam demonstra apego, preocupação e presença na vida do amigo. “Você deixou de ser meu melhor amigo, mas eu nunca deixei de ser o seu”, afirma Sam nesta temporada.

São nos pequenos detalhes que Atypical nos revela, com uma temporada sensível, transformadora e um pouco mais intensa, como a vida de Sam é difícil, como de todos nós, ela tem contratempos atípicos em comparação a quem está fora do espectro. A série permanece mostrando humanidade e aprendizados incríveis por meio da história de Sam, como nas outras temporadas, mas sem repetir o enredo, nos cansar ou esgotar com os personagens. Todos ali estão em constante autoconhecimento e enfrentando barreiras, assim como Sam.
Atypical faz com que nos identifiquemos com todos os personagens de uma só vez, em uma temporada cheia de clímax, mudanças e novidades ao fazer todos almejarem algo em comum: se conhecer, se desafiar e se aventurar de uma forma atípica.
Ficha Técnica
Atypical
Direção: Robia Rashid
Elenco: Jennifer Jason Leigh, Keir Gilchrist, Brigette Lundy-Paine, Michael Raraport, Graham Rogers, Nik Dodani e Jenna Boyd.
Duração: Oito episódios (30 min aprox.)
Nota: 7,0