Se você foi conquistado logo na estreia de The Last Of Us, prepare-se para mergulhar ainda mais na série neste 2º episódio, que entrega novas informações sobre como tudo começou, o que são os infectados, como a série adaptou esta vertente importante do jogo para o programa, os momentos pontuais e de grande tensão e o desfecho trágico de mais um personagem que impacta os olhos do espectador, tanto de quem já jogou quanto de quem acompanha apenas a série. Tudo isso em apenas 55 minutos que passam em um piscar de olhos, dando a sensação de que vimos apenas 20 minutos de duração de um episódio tão bom.
O 2º episódio de The Last Of Us – dirigido por Neil Druckmann – inicia com um flashback retornando para 2003, especificamente na Indonésia, em que uma especialista em micologia (área da Biologia destinada ao estudo dos fungos) é solicitada para analisar uma morte estranha e de alto grau de periculosidade. Esses tipos de sequências que revelam detalhes sobre como tudo começou em um universo pós-apocalíptico, sem dúvidas, é um dos melhores momentos para se criar aquela pré-tensão sobre algo já fadado, e a série novamente faz isso de forma envolvente, minimalista e intensa, o que torna tudo ainda mais assustador. Este é um dos pontos de uma narrativa que se tornam favoritos de muitos, como para mim.

Ao verificar como o fungo cresce dentro do cadáver e descobrir que há mais pessoas infectadas que, possivelmente, estão à solta, não há dúvidas de que o mal vai se espalhar a qualquer instante e em curto prazo, dado que a infecção e morte acontecem em questão de horas. Isso faz a especialista ser dura e direta ao dizer que não há remédio e nem vacina, restando apenas o uso de bombas em locais infectados a fim de que o mal não se alastre.
Primeiras impressões de The Last Of Us
Isso faz o espectador entender a razão para a ambientação da série ser totalmente devastada e destruída, uma vez que inúmeros bombardeios foram realizados pelas cidades a fim de dizimar um mal que se infiltrava cada vez mais. Bombas foram jogadas independentemente de inocentes e não infectados estarem na região. O “salve-se quem puder” foi decretado pela própria especialista ao dar tal solução radical, ficando a cargo de cada um estabelecer sua própria segurança, encontrar refúgio e permanecer longe dos infectados.
O que são os infectados?

Este 2º episódio de The Last Of Us mostra que uma narrativa bem construída não exige de vários personagens em cena ou inúmeros diálogos. Todos os elementos bem usados aqui, complementados com ótimos cenários e efeitos especiais dão o toque especial para que o envolvimento entre espectador e personagens fique ainda mais forte, deixando a emoção bater forte com o desfecho para alguns e um novo rumo para outros.
Desta vez, acompanhamos apenas Ellie, Joel e Tess rumo a nova Zona de Quarentena para realizar a missão de entregar a garota sã e salva ao grupo Vaga-lumes, como foi orientado por Marlene. A dinâmica do trio cresce, mas ainda é ríspida, uma vez que a dupla ainda teme pela transformação de Ellie que, até o momento, não manifestou absolutamente nada.
Tal aproximação envolve a troca de informações a respeito de seus respectivos passados, seja a Ellie explicando como e porquê ela foi mordida (o plot no shopping envolvendo a Riley que ainda não apareceu); Joel dizendo de onde ele e Tess são, mas sem adicionar mais detalhes, uma vez que o protagonista não quer criar uma conexão maior, um fato inevitável; enquanto isso, Tess dá uma “aulinha” para Ellie de como os infectados funcionam, já que este é o primeiro contato da garota com o mundo afora.
Juntamente com a cena de abertura do episódio, The Last Of Us traz as explicações fundamentais para que o espectador entenda como os fungos agem no corpo humano e como eles funcionam com os já infectados.
No jogo, a infecção acontece através dos esporos no ar, o que faz os personagens usarem máscaras de gás. Aqui, a série adapta esta vertente e mostra que a infecção ocorre por contato entre humano e infectado (mordida), uma vez que o primeiro toque em algum fungo Cordyceps – que nasce até mesmo no subsolo – é capaz de ativar vários infectados de uma única vez e de outros locais, o que faz eles saberem a localização da pessoa e virem atrás do alvo.
Na minha opinião, tal mudança em como a infecção ocorre é boa e funciona, e acredito que a série trará mais explicações sobre isso, além de apresentar outros tipos de infectados.
Nova morte dita mudanças

Como um dos caminhos (o mais longo e fácil) está repleto de infectados, o trio decide mudar a rota e ir por dentro de um museu abandonado, outra excelente sequência deste 2º episódio.
Aqui, a atmosfera de tensão é bem trabalhada em que o espectador fica apreensivo com o perigo ao lado, na qual o som que o infectado exala nos dá o sinal de alerta de que o pior está por vir.
O medo e a expectativa aumentam quando dois infectados aparecem no museu, deixando o trio apreensivo. Estes são os Estaladores, infectados que já estão há muito tempo com o fungo no corpo, o que deixa o visual completamente medonho. Neste caso, o estalador tem uma cabeça no formato de cogumelo e, depois que fungo atinge o cérebro da vítima, ele cresce ao ponto de estourar a caixa craniana da pessoa. Isso faz com que o estalador não tenha visão, utilizando da ecolocalização (na base do som) para encontrar seu alvo.
Mesmo conseguindo matar os dois estaladores, infelizmente Tess não escapa da mordida, cuja infecção se alastra rapidamente. Já Ellie, mesmo sendo atacada, tal infecção não se alastra, nos dando a certeza de sua imunidade.

A despedida de Tess causa enorme comoção, especialmente para aqueles que não tiveram contato com o videogame e não esperava por sua morte tão precoce na série. No entanto, a adaptação segue com fidelidade ao jogo e ainda deixa o desfecho da personagem mais triste e trágico.
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Ao pedir que Joel leve Ellie em segurança ao local – já que a garota realmente pode ser a salvação – Tess fica para trás para impedir que os demais infectados alcancem a dupla. Assim, ela coloca fogo no museu, enquanto tem a sua vida encerrada de forma medonha, quando um dos infectados a beija, conectando os fungos com o seu corpo.
O 2º episódio de The Last Of Us termina de forma melancólica e formidável, fechando o ciclo de uma personagem fundamental para o início desta história e abrindo o caminho para uma jornada cuja conexão de Ellie e Joel ficará mais forte, em meio aos novos perigos que enfrentarão, além de novos personagens que surgirão nos próximos episódios.
O que acharam do 2º episódio de The Last Of Us?
Ficha Técnica
The Last Of Us
Série criada: Craig Mazin
Jogo criado por Neil Druckmann
Elenco: Pedro Pascal, Bella Ramsey, Gabriel Luna, Anna Torv, Merle Dandridge, Nico Parker, Murray Bartlett, Jeffrey Piecer, Nick Offerman, Brendan Fletcher, Natasha Mumba e Max Montesi.
Duração: (1ª temporada – 09 episódios)
Nota: 4,2/5,0 (2º episódio)