“A vida é aqui e eu gosto daqui”, diz Harvey Specter (Gabriel Macht) colocando sua mão nas alturas e depois, para terminar a frase, mais alta ainda. Essa é uma das referências que Suits deixa para nós após chegar ao seu fim este ano.
Tudo começou em 2011 quando Mike Ross (Patrick J. Adams) entrava com uma mala de maconha em um dos escritórios mais bem renomados de advocacia de Nova Iorque. E foi convencendo o protagonista Harvey, que Mike muda todo o rumo da empresa sendo contratado para advogar sem nunca ter cursado Direito.
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Mais do que ensinar o que é certo e errado dentro e fora do Direito (mesmo ultrapassando as leis), mais do que nos fazer rir, chorar e até nos desesperar, o seriado ensinou coisas preciosas e únicas para seus fãs (ou para quem assistiu), por exemplo, mostrando como família, amor e lealdade são as coisas mais importantes nessa vida.

Não importa quanto dinheiro ou poder você tem, não importa qual o seu cargo, sua função ou formação (até porque tudo começa com uma contratação de uma fraude), não importa quantos anos você tenha ou qual foi o seu passado, todos nós, incluindo, você, merecemos uma família, um amor e uma lealdade de todos que nos rodeiam, até porque ser ao outro é respeitá-lo, e todos merecem respeito, não importa quem for.
Mike é contratado por Harvey e demonstra ser um dos melhores advogados da cidade, mesmo sem diploma. Por anos a firma inteira consegue esconder esse segredo com unhas e dentes. Vários processos acontecem, magnatas são presos e inocentados, leis são quebradas, manipulações são feitas e muitas, mas muitas, conspirações acontecem. Até que, um dia, Mike é preso no lugar de Harvey por lealdade, amizade e gratidão por ter lhe dado não apenas um emprego, mas uma família para o resto da vida.
Até que o Patrick J. Adams escolhe parar de fazer a série. Mesmo sem Harvey e Mike trabalhando juntos na trama, o enredo não se perde. Suits inclui novos personagens magníficos como Samantha Wheeler (Katherine Heigl) com um passado emocionante e cheio de problemas; e Alex Williams (Dule Hill) amigo antigo de Specter, um grande advogado e ótimo pai.

O seriado consegue revelar como uma firma de advocacia (que muda de nomes muitas vezes) faz sua essência permanecer, não importa quem os ataque: um advogado vingativo, a lei ou até mesmo a Ordem dos Advogados. Seja com o nome Pearson Hardman, Specter Litt, Zane Specter Litt ou Litt Wheeler Williams Bennet (o nome muda, tantas vezes que começou a aparecer na abertura dos episódios nas últimas temporadas), mas a família ali permanece, a família Suits (o elenco passou a se denominar assim).
Aprendemos sobre perdão com Harvey que, mesmo sendo o melhor advogado em negociações que a empresa e o Estados Unidos já viram, não consegue se relacionar com sua mãe por ter mantido um segredo dela quando criança. Ela traia o pai de Harvey por muito tempo e pedia para o filho, ainda criança, guardar o segredo.
Após tanto tempo guardando mágoas, anos se passam e o nosso protagonista finalmente perdoa a mãe que, mesmo sendo abandonada e rejeitada pelo filho, nunca deixou de apoiá-lo e tratá-lo com muito amor. Harvey, no final das contas, admite que se arrepende amargamente por ter ficado tanto tempo negando perdão e perdendo momentos que poderia ter vivido ao lado dela.

Aprendemos sobre autocontrole e maturidade emocional com Louis Litt (Rick Hoffman), um dos primeiros sócios gerentes da firma junto com Harvey. O personagem era sempre tão explosivo e agressivo em momentos de pressão e raiva, que afastava quase todas as pessoas que amava.
Após tanto sofrer com esse padrão de comportamento, Louis começa a fazer terapia e seu psicólogo, não só o ajuda muito a entender suas relações e comportamento, como também se transforma em seu grande amigo. Aos poucos, episódio por episódio, vemos o personagem mudar, crescer e melhorar na saúde psicológica, maturidade emocional e serenidade tanto na vida pessoal quanto profissional.

Aprendemos como observar, entender e aconselhar pessoas com Donna Paulson (Sarah Rafferty). “Eu não estou afim de você, eu sou a Donna!”. Secretária de Harvey desde o começo da carreira do advogado, fiel escudeira e protetora da firma e, futuramente, amada amiga e esposa.
Foi assim que ela conseguiu convencer Specter a contratá-la: mostrando quem ela é: ajuda as pessoas, ouve elas e, assim, ganha confiança. Donna consegue saber tudo e mais um pouco sobre qualquer pessoa que queira, que ameace a firma ou que apresente perigos a quem ela ama. Mais do que tudo isso, é ela quem mantém todos unidos.

Aprendemos sobre lealdade com Samantha que faz o possível, e até o ilegal, para manter seguro quem já ajudou, quem já estendeu a mão para ela. Por mais que tenha vivido uma infância órfã, mudando de família o tempo todo e sofrendo violência na infância, é ela quem confia, se entrega e se sente obrigada a manter seguro quem quer ao seu lado.
Aprendemos sobre fazer a coisa certa com Mike Ross que, mesmo sendo inocentado pelo Júri em julgamento por atuar como advogado sem licença, se entrega à polícia, cumpre sua pena, quase morre na cadeia e decide, após cumprir a pena, fazer o que ama: advogar, mas dessa vez da forma certa: com licença e ajudando aqueles que não tem dinheiro e nem a quem recorrer às injustiças.

Aprendemos tantas coisas com tantos outros personagens que acabaria ficando maçante ou, até mesmo, repetitivo este texto. O que vale a pena é assistir Suits, ter contato com seus incríveis monólogos e diálogos, conhecer cada personagem como profissional e como pessoa e vivenciar aprendizados ricos e humanos com uma produção audiovisual capaz de proporcionar em nove temporadas muito clímax, emoções e reviravoltas.
Mais do que tudo isso que citei, Suits vem para dizer que as vidas profissional e pessoal se misturam sim, e está tudo bem. Você pode se apaixonar pelo seu chefe, virar confidente de seu colega e se sentir dentro de uma família, até mesmo em um ambiente de trabalho.
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O que você não pode, e a série exemplifica isso o tempo todo, é deixar de ser um bom profissional para ser um bom amigo ou não ser um bom amigo ou para ser um bom profissional. A linha é tênue, sutil e muito, mas muito arriscada, mas vale o risco para viver (e até sobreviver) ao lado de pessoas que você confia, que prezam pela justiça e, principalmente, que você ama e defenderia em qualquer caso, seja ela jurídico ou pessoal.

Suits é mais do que uma série da emissora USA Network, ela é um aglomerado de personagens, situações e lições que apenas assistindo tudo isso é possível enxergar que a vida, as aspirações, os objetivos e os sonhos não são só seus, são do mundo e, inclusive, de todos que estão ao seu lado torcendo para que deem certo.
Harvey tinha razão… A vida pode até ser isto (mão em posição alta) mas eu gosto assim (mão mais alta ainda). Por incrível que pareça, ele não está apenas insinuando carreira, dinheiro ou poder, se demonstrando ambicioso materialmente. Harvey está mostrando, como Suits mostrou em todos os seus episódios, que a vida pode ser isso: qualquer emprego, qualquer dinheiro e qualquer amor. Mas, ela é muito melhor, e você vai preferir assim, com um emprego que se orgulha, com dinheiro justo e suado e, principalmente, rodeada de pessoas que você protege, admira e ama.
Ficha Técnica
Suits
Criação: Aaron Korsh
Elenco: Gabriel Macht, Patrick J. Adams, Rick Hoffman, Meghan Markle, Sarah Rafferty, Gina Torres, Amanda Schull, Dulé Hill, Katherine Heigl.
Duração: 9 temporadas – 42 min aprox. (com exceção do piloto com 90min)
Nota: 10