Depois de uma safra bem ruinzinha de lançamentos do gênero terror, Sobrenatural: A Origem veio para dar uma aliviada nessa tensão. É um filme maravilhoso, que faz você sair da sala de cinema pensando sobre a história? Não. Mas é um filme bom no quesito em te assustar. Ah, mas todo filme de terror assusta! Nem sempre. Às vezes, uma trama peca pelo exagero dos efeitos especiais, tirando a essência do suspense que prepara o espectador para o ápice da cena. Outras vezes, os péssimos diálogos, simplesmente, enfraquecem toda a história. Mas, no caso do filme dirigido por Leigh Whannell, eu tenho que dar um ponto positivo. A história te envolve, os suspenses assustam e os personagens causam medo, sem ridicularizar.
Em Sobrenatural: A Origem, Quinn (Stefanie Scott) e o pai, Sean Brenner (Dermot Mulroney) estão superando a morte da mãe/esposa. No entanto, Quinn deseja fazer contato com sua mãe e, para isso, pede ajuda para a médium Elise Rainier (Lin Shaye) que, há muito tempo, desistiu de trabalhar com o espiritualismo. Mas, ao ver o sofrimento estampado no rosto da menina, ela tenta ajudá-la, o que acaba sendo um erro. Ao entrar em contato com o mundo dos mortos novamente, Elise acredita que Quinn não está sendo rondada pelo espírito de sua mãe, mas, sim, por uma entidade do mal que deseja sugar a energia e alma da garota.
O que mais gostei de ver foi a caracterização e o sofrimento dos personagens. Esses dois elementos foram muito bem expostos e consegui me ver ao lado deles sofrendo também. Digo isso, pois em outros filmes de terror, a superficialidade das interpretações estava tirando toda a essência do medo, como aconteceu em Annabelle. Em Sobrenatural, a cada acontecimento, você vê o quanto Quinn sofre, enfraquece e se sente incapaz de combater as forças do mal sozinha. As cenas do atropelamento e da possessão e o aparecimento da entidade que está por trás disso tudo trazem veracidade à história e, sim, faz o espectador se encolher na cadeira e o coração bater um pouco mais forte.
A médium Elise é o elo principal da trama, já que ela conecta o terceiro filme aos dois primeiros. É ela quem percorre o mundo dos mortos (por sinal, bem retratado), conversa com os espíritos, enfrenta o seu pior medo (a mulher do véu preto) e ajuda a destruir a entidade. Através dessa cena, você conhece um pouco sobre sua história, quem era seu companheiro e o motivo que a levou a desistir de ser médium.
A única coisa que me incomodou (e me incomoda em todos os filmes de terror) é o toque de humor. Desculpem-me aqueles que curtem, mas, para mim, personagens cômicos e diálogos com humor não se encaixam com esse gênero. Tira a graça do medo. Neste caso, o recurso foi pouco usado, mas, mesmo assim, prefiro quando não tem. É apenas um gosto meu.
O final é redondo e satisfatório, dando um último susto no público e deixando em aberto a possibilidade de um quarto filme. Sobrenatural: A Origem é um filme bem estruturado, com um roteiro regular e personagens que transmitem bem as emoções que estão sendo sentidas na cena do momento. É um filme que vale a pena assistir, principalmente, pra quem curte a franquia Sobrenatural e, é claro, terror.
Ficha Técnica
Sobrenatural: A Origem
Direção: Leigh Whannell
Elenco: Dermot Mulroney, Stefanie Scott, Angus Sampson, Leigh Whannell, Lin Shaye, Steve Coulter, Hayley Kiyoko e Ashton Moio.
Duração: 1h38min
Nota: 7,9