A Divisão é a nova aposta do serviço de streaming Globoplay que, sob a atmosfera do gênero thriller policial, vai retratar a forte onda de sequestro no Rio de Janeiro na década de 1990 e os bastidores da força tarefa que se uniu para dizimar tal terror.
O Pipoca na Madrugada participou de uma mesa redonda com o criador da série José Júnior, o diretor Vicente Amorim e o elenco com Silvio Guindane, Eron Cordeiro, Natalia Lage, Marcos Palmeira, Rafaela Mandelli, Cinara Leal e Hanna Romanazzi. Dalton Vigh também está no elenco.
Segundo José Júnior, A Divisão é uma produção da AfroReggae Audiovisual em parceria com o Multishow e a Hungry Man que nasceu quando Júnior apresentava o programa Conexões Urbanas. Ao conversar com o ex-delegado da DAS, Marcos Reimão, Júnior percebeu a falta de conhecimento das pessoas com relação à onda de sequestro no Rio na década de 1990.

“No primeiro momento, pensei em escrever um livro contando essas histórias, mas ao ganhar volume, decidi abraçar o audiovisual da ONG AfroReggae, convidei o Vicente Amorim para fazermos uma série e um filme para, justamente, mostrar que boa parte dos projetos de segurança pública fracassaram e a única coisa que deu certo foi o término da onda de sequestro. Então a ideia da série é mostrar que quando a polícia quer, ela acaba com o crime. Ou seja, para o bem comum, os opostos se juntam. Em resumo, essa é a mensagem que queremos passar com a série”.
Os dois primeiros episódios retratam cenas violentas, sangrentas e fortes, retratando medidas radicais e eficazes e levantando questionamentos ao telespectador.
“Na segurança de qualquer lugar do mundo não existe mocinho. Só tem vilão. A pergunta que a série coloca para o telespectador é se os fins justificam os meios. As consequências da ação de inteligência e a explosão de violência que veio em paralelo para resultar no fim da onda de sequestros no Rio traz consequências pessoais aos personagens da vida real e na ficção. A ideia não é fazer uma propaganda da polícia, nem demonizar os bandidos e, sim, mostrar o que, de fato, aconteceu, e fazer uma reflexão”, explica Vicente Amorim.
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“Independentemente dos métodos, felizmente ou infelizmente, a onda de sequestro acabou”, complementa Júnior.
Desenvolvimento da história
Por se tratar de uma série baseada em histórias reais, Amorim e Júnior explicam que a sala de roteiros contou com entrevistas e pesquisas com ex-policiais, ex-sequestradores e vítimas a fim de trazer uma realidade pura ao programa. Mesmo com uma licença poética, os personagens se inspiraram em pessoas reais, que viveram momentos de agonia, momentos de negociação dentro do sequestro, entre outras coisas.
“O personagem Santiago, interpretado pelo Erom Cordeiro, é inspirado no policial José Luiz Magalhães, que é um dos roteiristas”, exemplifica Júnior. “Aliás, um momento muito importante para mim durante esse processo foi quando a gente colocou o Dr. Marcos Limão – que inspira o personagem Mendonça, de Silvio Guindane – junto com a pessoa que ele prendeu, o Polegar, chefe do tráfico do Morro da Mangueira”.
Ficção realista

Um dos grandes feitos em A Divisão é o trabalho realizado com o elenco, de não somente interpretar um personagem, mas mergulhar no que se viveu na década de 1990 e trazer essa realidade para a tela. Um dos pontos nítidos da série é ver personagens de lados opostos trabalhando para um bem comum.
“Mendonça e Santiago são problemáticos, com questões éticas gravíssimas. De um lado há um grande investigador da polícia, mas que é ‘mineiro’, ou seja, é um policial que se sustenta extorquindo bandidos. Do outro lado você tem o Mendonça, um cara incorruptível, mas genocida, ou seja, ele mata e depois pergunta. Quando eles se juntam na DAS, essa divisão de sequestro passa a servir como redenção para estes dois personagens, colocando a moral de cada um em questionamento. O que transforma a vida deles é essa relação com a vida, uma vez que eles passam o tempo todo com uma vida em eminência podendo sobreviver ou não”, explica Guindane.
Segundo Guindane, o fundamental para a história contada dar certo é compreender o personagem de forma orgânica, antes de pensar no estereótipo.
“É preciso entender os motivos que movem aquele personagem na situação cena em que ele se propõe. É importante humanizá-lo, mesmo havendo uma grande sedução em levá-lo para área estereotipada”.
O elenco que interpretou os personagens policiais passaram pelo processo de treinamento com armas, aulas de tiros, montagem e desmontagem de armas, inclusive, até conhecer as áreas onde aconteciam os sequestros.
“A ideia não é interpretar e, sim, viver o personagem. É viver essa realidade para passar uma sensação de desconforto ao telespectador”, complementa Amorim.
“Outra coisa interessante é que graças a ONG AfroReggae, a gente filmou em locações que nunca havíamos entrado. Tivemos a oportunidade de conviver com ex-detentos e ex-policiais. A sensação é de entrar em uma verdade em que todos nós nos jogamos para uma realidade que não faz parte da nossa vida”, conta Marcos Palmeira.
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Na trama, Palmeira interpreta Benício, dono de uma empresa de segurança privada, que mantém contato forte com a polícia. É um personagem enigmático que, pelo visto, surpreenderá no decorrer desta 1ª temporada.
“Benício se sente acima do bem e do mal, tem o poder da polícia nas mãos e sabe que pode fazer a conexão certa entre a sociedade e as autoridades”, comenta Palmeira.
Fora da linha de tiro
Mesmo não fazendo parte da linha de tiro, as personagens femininas têm muito o que dizer e mostrar, seja na ação ou nas intenções, como é o caso das personagens Ingrid, Raquel e Fernanda. Já Roberta permanece na linha de tiro, enquanto Camila também está na mesma área de risco, como vítima.
“Para a preparação da personagem, a preparadora do elenco, Maria Silvia, me ajudou a encontrar o desespero e a dor de alguém que é mantido dentro de um cativeiro. É até difícil de acreditar que tanta gente passou por isso na época, como a Camila passa na série. É uma personagem que, como as vítimas da época, tinha tudo: segurança, conforto, proteção e amor dos pais, mas que, de uma hora para outra, não sabe se vai chegar viva até o final do dia. Conversei com uma pessoa que passou por isso e deu para compreender o que se passa com alguém que sofreu isso, ficou isolada, criando um sentimento de impotência”, conta Hanna Romanazzi.
Segundo Rafaela Mandelli, a personagem Ingrid brinca com o tabuleiro da politicagem.
“Ela sabe muito bem jogar e o tamanho da gravidade que este jogo tem. Ela toma conhecimento do que acontece ao redor, em prol dos interesses próprios”.
Ainda não há muitos detalhes sobre Raquel (Vanessa Gerbelli), mas espera-se um crescimento surpresa da personagem.
“Além do sequestro da filha, a Raquel vive um drama dentro do casamento com o Venâncio e não se entende com a Ingrid”, conta Gerbelli.
Já Cinara Leal interpreta Fernanda, médica e esposa de Santiago, que se vê dentro de um drama em cima do muro, em que ela vê as coisas, mas se questiona se deve contar ou não. Espera-se mais detalhes da personagem nesta 1ª temporada.
Vai ter 2ª temporada?
Segundo Amorim, a 2ª temporada já está gravada, com mais cinco episódios de 40 minutos, aproximadamente. Porém, ainda não tem data de estreia oficial. Além do seriado, A Divisão também vai ganhar um longa-metragem que chega aos cinemas em 2020.
Que legal…!!
Esta foi uma visita excelente, gostei muito, voltarei assim
que puder… Boa sorte..!