Reality Z é a nova série brasileira da Netflix e um remake de Dead Set, série britânica criada por Charlie Brooker. Preciso admitir que até o lançamento do programa eu nunca tinha ouvido falar da série original, mas o que me motivou a assistir a nova série do streaming foi o fato de ser uma produção nacional que mistura reality show e um mundo apocalíptico zumbi.
O trailer é divertido, mas fui preparada para assistir sem expectativas e, a grande surpresa, é que Reality Z, no geral, não é ruim, mesmo tendo suas ressalvas. O cenário apocalíptico no Rio de Janeiro é bem-feita, a fotografia é boa, escura em alguns momentos e mórbida; o elenco é satisfatório e os zumbis, por incrível que pareça, são bons e assustadores, lembrando os mortos-vivos do filme Guerra Mundial Z, se distanciando bastante da caracterização dos ‘walkers’ de The Walking Dead.

O primeiro ponto positivo de Reality Z é que a 1ª temporada contém 10 episódios de 30 a 35 minutos no máximo, entregando dramas sucintas, bem desenvolvidas e, até agora, sem as famosas ‘barrigadas’, ou seja, não há nenhuma enrolação no desenrolar da trama.
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Outro ponto interessante é que a história é protagonizada por dois elencos. Até o episódio 05, o público acompanha o início do apocalipse zumbi junto com o programa de eliminação do reality Olimpo. No momento em que todos estão vibrando com a eliminação, o estopim acontece levando a cidade ao caos total. Até agora, Reality Z não explica como surgiu essa doença que transforma as pessoas em mortas-vivas. O mal é apenas jogado na trama, que se espalha e domina toda a região. No programa, não é diferente: praticamente toda a produção é contaminada instantaneamente, sobrando apenas alguns mais espertos e, até mesmo, sortudos até certo ponto: a assistente de produção Nina (Anna Hartmann); o chefe e dono da voz Zeus, Brandão (Guilherme Weber); e os participantes do reality Olimpo: TK (João Pedro Zappa), Madonna (Wallie Ruy), Jessica (Hanna Romanazzi), Veronica (Natália Rosa), Marcus (Gabriel Canella), Augusto (Leandro Daniel) e Cleide (Arlinda Di Baio).
Neste arco, o telespectador acompanha o impacto deste mal e como sobreviver no início do fim do mundo. De imediato, eles descobrem que para matar os zumbis é preciso atingir diretamente na cabeça, além de correr muito, uma vez que os mortos-vivos atingem uma velocidade alta e perseguem suas presas pelo cheiro da carne humana. É necessário sair da vista e do olfato desses novos predadores.
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Reality Z faz uma referência bem jocosa e pejorativa dos realities shows que costumamos assistir: a reunião de pessoas estranhas e seus respectivos estereótipos e como eles são vistos pelas pessoas lá fora. A série acerta ao trazer personagens representativos como a Madonna e a Cleide que são trans e negra; acertam também ao representar personagens com personalidades babacas e grotescas, como é o caso do Marcus e Augusto. Mas infelizmente, o roteiro erra ao eliminar rapidamente as personagens que trazem representatividade à série, mas até aqui, ninguém está à salvo.

Quem assiste The Walking Dead, ou outros programas do gênero, sabe que em um mundo pós-apocalíptico zumbi, o mal não se encontra entre os mortos, mas sim, entre os vivos, e Reality Z não faz diferente ao retratar a selvageria e resgatar o lado primitivo dos personagens para sobreviver, como é o caso do Brandão, chefe do programa, e que tem as piores atitudes, o que coloca todos em risco constante. Na minha opinião, ele, Augusto e Marcos estão na lista de piores personagens, retratando o machismo e a transfobia. Deste grupo, quem se salva é a Nina, Jessica e o TK. Mas, sugiro que ninguém se apegue a nenhum personagem, afinal, em um fim do mundo, tudo pode acontecer.
Nesta primeira parte da 1ª temporada temos a participação especial de Sabrina Sato que interpreta Divina, a apresentadora do reality Olimpo. A única coisa que posso dizer é que eu curti a participação dela, mas não contem com a personagem até o fim.
Reality Z entrega um cenário apocalítico bem estruturado, com a panorâmica de um Rio de Janeiro dizimado e abandonado, sem rumo e sem a esperança da cidade ser salva. A caracterização dos zumbis é boa e não fica a desejar, pelo contrário, você jamais gostaria de se deparar com um deles.

No entanto, a série dá uma boa escorregada com interpretações endurecidas e robóticas do elenco e diálogos um pouco vergonhosos, em que alguns momentos não era necessário dizer absolutamente nada, mas injetam frases desnecessárias, sendo que a cena em si já diz tudo. É um problema que muita série brasileira da Netflix sofre e não sei o porquê não corrigem isso.
O que vem por aí?

A partir do episódio 05 até o final, acompanhamos a história protagonizada pela segunda parte do elenco em que conhecemos Ana (Carla Ribas), a responsável pela construção do Olimpo e chefe por muitos anos na emissora, mas que foi demitida repentinamente, levando-a ter depressão e vício em remédios. Seu filho Léo (Ravel Andrade) sofreu com o problema da mãe e carregou as consequências disso até o momento presente, em que, agora, eles precisam ir para o Olimpo para ter alguma chance de sobrevivência, já que este é o local mais seguro e com tecnologia de ponta para entrar em contato com o resto do mundo.
O que eu simplesmente não curti (nenhum pouco) foi a introdução de um personagem político dentro da série, como é o caso do deputado Levi (Emílio de Mello) e sua assistente, que fogem com a polícia e buscam por ajuda e proteção. Era mesmo necessário esse tipo de personagem? Talvez o cenário atual que estamos vivendo (política brasileira e pandemia) me fez criar um ranço maior pelo Levi e a não querer ver esse estereótipo na série.
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Mas tudo indica que o Levi vai causar e querer dominar o Olimpo, mas para isso, ele vai ter que lidar com a Ana, que é a pessoa que mais conhece o local, o Léo e a Teresa (Luellem de Castro), a melhor personagem da série, que foi presa pela polícia no início da história e obrigada a acompanhá-los até agora.
O grande objetivo é eliminar os zumbis e dominar todo o Olimpo para garantir a segurança temporária a fim de conseguir alguma ajuda externa. Mas para isso, eles precisam de mais pessoas para ajudá-los, o que aparece, trazendo prós e contras para a situação.

Chegamos ao ponto em que Reality Z traz novas referências aos realities shows, com o vai e vem de novos personagens e novo elenco, tudo na base da eliminação pós-apocalíptica: sobrevive o mais forte? Não, sobrevive o mais inteligente, perspicaz e que sabe ser um bom líder, mas não é todo mundo que pensa dessa forma, uma vez que o poder sobe à cabeça de alguns, perdendo o controle de tudo.
Novas pessoas surgem para entrar no Olimpo, mas o caos é definitivamente instalado, levando a um desfecho sangrento, injusto, egoísta, mas com uma pitada de esperança, afinal, há personagens bons de coração que ainda conseguiram pensar no futuro.
O final de Reality Z fica aberto para uma possível 2ª temporada, pois a última cena indica que há mais pessoas vivas e lutando para sobreviver neste fim de mundo, além de outras pontas soltas que não vou citar para não dar spoiler.
No geral, posso dizer que a nova série brasileira chega bem, satisfaz em alguns pontos, desagrada em outros, mas consegue prender a atenção do telespectador com a sua boa dose de zumbis e alguns personagens que a gente até gosta de vê-los se ferrando rs.
Me digam depois se gostaram de Reality Z!
Ficha Técnica
Remake da série britânica Dead Set
Direção: Claudio Torres
Elenco: Sabrina Sato, Anna Hatmann, Guilherme Weber, Emílio de Mello, Jesus Luz, Carla Ribas, Ravel Andrade, Luellem de Castro, Pierre Baitelli, João Pedro Zappa, Wallie Ruy, Hanna Romanazzi, Natália Rosa, Gabriel Canella, Leandro Daniel, Arlinda Di Baio, Julia Ianina e Leda Nagle.
Duração: 10 episódios (30 a 35min aprox.)
Nota: 6,9