Quem era Willy Wonka antes de se tornar o dono da fantástica fábrica de chocolate? Esta é a história que irá acompanhar em Wonka, um filme musical que surpreende e encanta com a história de origem de um dos personagens icônicos criados por Roald Dahl.
O longa traz um equilíbrio satisfatório, desde a química dos personagens até a produção e as músicas, com um protagonista que entrega uma essência singela de um grande sonhador. Wonka não teme em ser extravagante e colorido, tem originalidade sem esquecer de se conectar com a história original de 1971. Vale a pena assistir e vou te dizer o porquê.
Com direção de Paul King, Wonka narra a jornada do icônico personagem até se tornar o dono da maior e fantástica fábrica de chocolate do mundo. Ao chegar na cidade, Wonka está determinado a abrir a sua tão sonhada loja de chocolate na Galeria Gourmet que tanto ouviu falar desde pequeno. Para isso, ele irá utilizar de suas invenções mágicas para tornar o imaginário em real, iniciando uma aventura extraordinária, enquanto lida com obstáculos e inimigos que o querem silenciar. Nesta caminhada, ele vai contar com ajudas fantásticas, como da pequena Noodle, que sonha em saber sobre sua família biológica.
Curiosidades sobre A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971)
São vários os aspectos que tornam Wonka um filme especial e ideal para assistir com amigos, familiares ou sozinho. Primeiramente a história surpreende ao trazer originalidade ao contar uma trama diferente, bem feita, cuja mensagem é até óbvia, mas ainda necessária a ser dita às pessoas.

À primeira vista, é possível pensar que o filme irá mostrar as viagens e locais por onde Willy passou e, assim, aprendeu as mágicas e os truques para fazer os espetaculares chocolates. De fato, há cenas que revelam estes momentos, assim como o próprio protagonista relata, o que complementa a trama, mas não é a base principal da história.
O que o público acompanha é a jornada de Willy Wonka em se adaptar em uma nova cidade, acreditar na bondade dos estranhos enquanto também descobre a maldade dos humanos.
Ao falar de Willy Wonka é impossível não falar da atuação de Timothée Chalamet que, a princípio, causou receio ao ter a responsabilidade de dar vida a um personagem icônico do mundo da fantasia de Roald Dahl. Mas ele satisfaz e entrega um Willy Wonka puro, inocente, sonhador e determinado a realizar o seu maior objetivo, uma paixão nutrida desde a infância ao lado de sua mãe, que lhe mostra o significado de produzir chocolate. É nítido ver a transformação de Wonka até se tornar no personagem que foi interpretado por Gene Wilder.
O amor materno junto ao chocolate é o que move o protagonista e isso é evidente não só nas cenas flashbacks, mas no olhar amoroso que o ator consegue transmitir junto com suas lembranças agridoces, a saudade e o desejo de ter a mãe por perto mais uma vez.

E por sempre ver o lado bom e otimista de tudo e todos é que faz Wonka se deparar com pessoas maravilhosas que irão abrir os caminhos e andar junto a ele, como a pequena Noodle (Calah Lane), uma garota esperta, trabalhadora, inteligente e forte, determinada saber sobre sua família enquanto dá as mãos ao Wonka nesta aventura. Esta parceria faz o espectador compreender a razão para Wonka ter escolhido uma criança – no caso Charlie – para ser o mais novo dono da fábrica lá no filme de 1971.
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Além dela, o protagonista também conta com a ajuda de um grupo (um contador, uma telefonista, um comediante e uma ajudante) que conhece na pousada onde se instala por livre e espontânea pressão.
Claro que todo sonho a ser realizado tem também seus obstáculos a ser enfrentados e, vamos combinar, que não imaginávamos o quanto Willy Wonka passaria por maus bocados como o filme mostra, desde virar prisioneiro da Mrs. Scrubbit que, por sinal, ganha uma interpretação fantástica e medonha da atriz Olivia Colman; até ver seu sonho destruído temporariamente, junto com as diversas ameaças sofridas pelo trio do Cartel de Chocolate: Slugworth, Fickelgruber (Matthew Baynton) e Prodnose (Matt Lucas), aliados ao comandante da polícia (Keegan-Michael Key), que sem escrúpulos, fazem de tudo para eliminar a concorrência, justamente por estarem cientes do quão maravilhosos são os chocolates de Willy Wonka.

Aliás, é acompanhando toda a trajetória em Wonka, especialmente a construção do protagonista, que o público enxerga referências e tem uma compreensão maior e melhor do que foi visto no filme A Fantástica Fábrica de Chocolate de 1971, como por exemplo, a origem do icônico ‘ticket de ouro’ e do logo ‘Wonka’; o encontro de Wonka e o Oompa-Loompas, com a interpretação divertida e com dose de acidez de Hugh Grant; a razão para Willy Wonka recrutar apenas crianças para escolher o verdadeiro e novo dono da fábrica de chocolate, além de enxergar a essência e personalidade de cada um; o significado de família para ele; e o motivo para Wonka ter se tornado uma pessoa extremamente reclusa dentro da própria fábrica por anos, por conta das falcatruas e tentativas de sabotagens do concorrente e inimigo Slugworth (Paterson Joseph).
Wonka conecta e casa muito bem com o filme original, trazendo explicações coerentes, sem forçar uma nostalgia que, por sinal, flui naturalmente ao levar o espectador de volta à infância ou a época em que assistiu tanto a este filme quanto ao de 2005, de Tim Burton.
Outros pontos que tornam Wonka encantador é o equilíbrio. A química dos personagens é formidável, desde a parceria de Willy e Noodle; as brigas e ameaças com o Cartel, com destaque para Slugworth e o chefe da polícia; a fuga das garras da temida Mrs. Scrubbit, que se junta ao lado do parceiro Bleacher (Tom Davis), formando uma dupla estranha e engraçada. O tempo de tela de todos é equilibrado, ganhando um espaço satisfatório que contam suas histórias e complementam a trama do protagonista.

A direção de Paul King traz o mesmo sentimento e a sensibilidade do filme de 1971, o que faz o público se emocionar em vários momentos, além de dar risada com a boa dose de comédia que não é forçada. Além disso, a produção e os efeitos especiais estão ótimos, permitindo que o filme seja extravagante e viaje por uma atmosfera um pouco caricata, nonsense, mas com os pés no chão.
O público se encanta com a paleta de cores fortes do filme, desde a construção da loja, os figurinos e, é claro, as fórmulas mágicas e os doces criados por Wonka.
E sim, Wonka é um filme MUSICAL e, mesmo que algumas pessoas não sejam atraídas por este gênero, vale a pena dar uma chance ao filme e separar os gostos, afinal, o longa tem as clássicas músicas do original, como ‘Pure Imagination’ e ‘Oompa-Loompas’, além de novas canções, todas bem espaçadas e nada enjoativas.
Considerações finais

A reta final de Wonka até poderia terminar um pouco antes, mas faz questão de acrescentar uma cena para reforçar a bondade, gentileza e o amor que o protagonista carrega consigo e compartilha com os seus chocolates fantásticos.
Wonka é nostálgico e original. Encanta ao trazer referências, explicações e sentimentos do filme de 1971. Equilibra química, atuações, efeitos especiais e uma produção excêntrica de encher os olhos. Apresenta uma história de origem de um fabricante mágico de chocolates que é puro, inocente e esperto, que enxerga a bondade e qualidade nos estranhos, mesmo quando a maldade lhe rodeia, ao compartilhar o lado mais doce com aqueles que merecem.
Wonka é o filme ideal para ver neste final de ano (ou qualquer época) com amigos, família ou sozinho. E você fica com muita vontade de comer chocolate! Depois deste final…bom, já sabemos como a história continua.
Ficha Técnica
Wonka
Direção: Paul King
Elenco: Timothée Chalamet, Olivia Colman, Calah Lane, Hugh Grant, Keegan-Michael Key; Paterson Joseph, Sally Hawkins, Rowan Atkinson, Matthew Baynton, Tom Davis, Matt Lucas, Simon Farnaby, Jim Carter, Rakhee Thakrar, Natasha Rothwell, Tracy Ifeachor, Colin O’Brien e Rich Fulcher.
Duração: 1h56min
Nota: 4,0/5,0