O Parque Dos Sonhos (Wonder Park) é um filme que foge completamente do tédio ao entregar uma história divertida, envolvente e metafórica em que crianças e adultos irão se identificar. Mais do que uma animação, é uma lição de que a magia não pode morrer dentro de nós, seja em qualquer fase da vida.
Produzido por Josh Appelbaum, André Nemec e Kendra Haaland, a história acompanha June, uma garota de 12 anos que, desde pequena, nutre a inteligência com a imaginação e criatividade férteis. Ao lado de sua mãe, ela construiu em seu quarto um lindo parque capaz de realizar os sonhos mais malucos e irreais, desde uma bola que lança pessoas ao redor do lugar, até uma caneta mágica capaz de tornar os desejos em realidade. Cada pedido é feito pela mãe que sussurra no ouvido do macaco Peanut, o líder do mundo encantado. Ao lado dele estão o urso Boomer, a porquinha Greta, os irmãos castor Gus e Cooper e o porco espinho Steve. Juntos eles tornam o lugar ainda mais encantador e fazem tudo funcionar.

Um dia, June é surpreendida pela doença de sua mãe que faz as duas se separarem por um tempo. Devido ao tratamento à distância, a garota se sente sozinha e triste, fazendo com que toda a sua imaginação adormeça em sua mente. Sem ânimo para continuar desfrutando da brincadeira, ela decide guardar o parque, acabando com toda a magia da construção. Para deixar a filha mais feliz e entretida, o pai a envia para o acampamento da escola, porém, com medo de deixá-lo sozinho em casa, a menina volta, mas se perde na floresta. É no meio do caminho que ela se depara com o inesperado: o parque dos sonhos existe, mas está em estado caótico. Ao vasculhar o local e se deparar com os personagens, June descobre que o fruto da sua imaginação se tornou realidade, mas que, agora, precisam de ajuda, pois se a magia for sugada pela escuridão, o parque desaparecerá.

O Parque dos Sonhos nada mais é do que uma metáfora sobre não desistir de tudo aquilo de melhor você imagina para si, além de não permitir que pensamentos e sentimentos ruins dominem a alma. À medida que June se entrega à tristeza, o parque é rodeado por uma grande sombra preta capaz de sugar tudo o que é feliz. Os brinquedos que os visitantes ganham de lembrança se transformam em monstros capazes de destruir tudo o que é vivo e colorido. Quando a garotinha se dá conta que é a responsável, ela inicia uma jornada para recuperar o que construiu com sua mãe, além de salvar os amigos.
Esse é um dos pontos mais interessantes e bem desenvolvidos da animação, uma vez que o roteiro constrói uma rica linguagem metafórica em uma história simples. Por mais que a gente passe por situações difíceis, é normal sentir-se triste, frustrado e solitário, mas não devemos nos entregar à negatividade e diluir tudo o que sonhamos. Pelo contrário, são nas situações mais precárias que encontramos uma força incondicional capaz de nos reerguer para encarar a realidade atual e, assim, reencontrar a felicidade que se perdeu momentaneamente.

Aqui, June inicia uma aventura arriscada sem desistir dos seus amigos, muito menos do parque, mesmo que a insegurança, desconfiança e o medo pairem sobre a cabeça de todos de vez em quando. A animação entrega um cenário grandioso, extremamente colorido e divertido, especialmente ao se deparar com os brinquedos mais insanos e fenomenais do local.
Além da ambientação e da trama bem desenvolvida, os personagens não ficam para trás. June apresenta uma alma vívida, colorida, além de ser muito inteligente, perspicaz, esperta e determinada, capaz de desenvolver coisas revolucionárias para a sua idade, além de ter as ideias mais malucas e funcionais.

Todo o grupo conquista o público com suas características únicas e peculiares: a liderança de Peanut; a praticidade de Greta; a alegria, o sono (vocês vão entender quando assistirem), a confiança e força de Boomer; a perseverança e o foco de Steve; a alegria e agilidade de Gus e Cooper. Todos eles apresentam uma química que engrandece a história.
Considerações finais
O final é simples, mas grandioso e mágico na emoção. O Parque dos Sonhos é uma animação bem desenvolvida, que traz personagens cativantes e uma história metafórica que serve de lição tanto para as crianças quanto aos adultos. Vale a pena assistir na versão dublada que, por sinal, está ótima.
Ficha Técnica
O Parque dos Sonhos
Produção: Josh Appelbaum, André Nemec e Kendra Haaland
Dublagem original: Jenniger Garner, Sofia Mali, Ken Hudson Campbell, John Oliver, Matthew Broderick, Mila Kunis, Kenan Thompson, Ken Jeong, Norbert Leo Butz, Kevin Chamberlin e Kath Soucie.
Dublagem brasileira: Lucas Veloso e Rafael Infante.
Duração: 1h26min
Nota: 7,8