Maligno (The Prodigy) é um típico filme de terror que não utiliza de jump scares para manter o espectador assustado constantemente. O horror se encontra na relação entre mãe e filho, enquanto o medo se concentra não no que está por trás de todo esse mal e, sim, no que pode vir acontecer se não for confrontado e solucionado o mais rápido possível.

Dirigido por Nicholas McCarthy, o filme não tem pretensão em fazer mistério e, logo na primeira cena, o público se depara com uma mulher fugindo desesperadamente, enquanto pede socorro na estrada depois de ser raptada e uma das mãos ter sido cortada. Assim que a polícia chega, um homem é cercado e, logo, é assassinado pelas autoridades, fazendo a cena cortar e nos levar para o nascimento precoce de Miles. Tanto Sarah quanto o marido John (Peter Mooney), estão felizes com o crescimento da família. Mais do que isso, eles estão surpresos com o filho prodígio, uma vez que Miles começa a falar e andar antes dos dois anos de idade, entende bem as palavras e já está apto a entrar em uma escola, mesmo que ainda não seja a hora.
O filme segue alguns anos do garoto, passando pela fase bebê, os cinco anos e, estacionando aos oito anos, idade perfeita para descobrirmos o que há de errado com ele. Para tudo o que se passa com Miles há sempre uma explicação plausível: a inteligência extrema e afiada, o paladar peculiar, a dificuldade em fazer amizades na escola e, até mesmo, o fato dele ter olhos com cores diferentes, uma vez que foi diagnosticado com heterocromia ocular. Tais justificativas tornam a conclusão mais difícil para os pais, mas não para o público, já que o filme, propositalmente, faz a conexão de imediato do garoto com o homem assassinado no início da trama.

A verdade é que o roteiro de Maligno tem como objetivo não fazer um terror que vai assustar com jump scares em excesso (há alguns, mas são bem dosados) e, sim, causar um efeito de horror no relacionamento maternal, afinal, o que fazer quando você descobre que seu filho é capaz de fazer atrocidades inimagináveis, no entanto, o amor que você se sente ainda é forte a ponto de ceder a essas atitudes? Sim, Sarah demora a acreditar na verdade, especialmente quando é confrontada pelo psiquiatra Arthur Jacobson (Colm Feore), especialista em casos sobrenaturais e possessões. O personagem confronta Miles, trazendo uma das cenas mais grotescas e boas, especialmente por ser dialogado por um garotinho. Aliás, impossível não notar a boa interpretação de Jackson Robert Scott, que entrega um Miles perdido, solitário e assustado, enquanto uma entidade o encuba o tempo todo a ponto de causar amnésia. O garoto em si não lembra de nada do que faz ou fala, mas quando está possuído, tem atitudes maléficas – desde fazer a babá pisar em cacos de vidro no escuro – até dizer ofensas em um idioma pouco conhecido.

O medo é relativo neste filme, no entanto, Maligno peca um pouco por não explorar melhor a entidade no garoto, trabalhar melhor as problemáticas do sobrenatural, fazendo uma crescente mais forte para que o público ficasse ainda mais impactado com a reviravolta e, é claro, o desfecho. Outros pontos que poderiam ser melhores é o trabalho realizado pelo psiquiatra que, infelizmente, tem pouca participação; e as atitudes dos pais, especialmente de John, que demora a acreditar em Sarah, levando-o a tomar atitudes nada sábias a ponto de deixá-lo em grande risco com o filho.

Taylor Schilling está bem no papel de Sarah e entrega uma mãe cuja felicidade mingua drasticamente, vivendo em um medo constante, mas que encontra força no amor que sente pelo filho. Assim que ela se dá conta de tudo, ela toma atitudes ousadas que surpreendem o público e aumentam o nível do filme.
O plot twist traz um gostinho bom, amargo e positivo ao filme, uma vez que o público espera por uma coisa, porém o roteiro desvia do caminho mais óbvio.
Considerações finais
Maligno é um filme de terror que não atrai pelo excesso de sustos baratos e, sim, trabalha o horror na relação entre mãe e filho. Por ser um filme propositalmente previsível, a trama poderia ter trabalhado melhor na parte sobrenatural da entidade e em alguns personagens, como o pai e o psiquiatra. Mesmo com algumas ressalvas, o filme entrega um desfecho bom e que pode surpreender.
Ficha Técnica
Maligno
Direção: Nicholas McCarthy
Elenco: Taylor Schilling, Jack Robert Scott, Peter Mooney, Colm Feore, Brittany Allen, Byron Abalos, David Kohlsmith, Paula Boudreau e Olunike Adeliyi
Duração: 1h32min
Nota: 7,0