No dia 3 de maio, estreou a nova série da Netflix, Disque Amiga Para Matar (Dead To Me) que tem uma premissa clichê, mas com um desenrolar da trama autêntico e surpreendente ao misturar drama e comédia para contar a história de uma amizade intensa, bonita e até perigosa.
Criada por Liz Feldman e produzida por Will Ferrell, Adam McKay e Jessica Elbaum, a série acompanha Jen (Christina Applegate) e Judy (Linda Cardellini), em que cada uma das personagens desenrolam, simultaneamente, pontos distintos na trama. Assim, conseguimos saber coisas de Judy, principalmente, o que Jen não sabe.

Jen é uma corretora de imóveis de temperamento forte, o que a leva a ter reações grosseiras e certa dificuldade em controlar sua raiva. Judy é uma professora de pintura meiga, atenciosa e sensível com todos ao seu redor, mas que guarda segredos surpreendentes de situações que são um tanto ilegais.
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Por mais opostas que sejam, esse não é o motivo para se tornarem amigas. Elas se aproximam devido ao luto. Jen perdeu o marido após um acidente de carro e começa a participar de um grupo de luto no qual encontra Judy, que também perdeu seu marido recentemente (coincidência?). Jen não é muito participativa e os poucos momentos que comenta algo é grossa e insensível, mesmo assim, Judy se aproxima e oferece o seu número de telefone, caso Jen queira uma companhia quando não conseguir dormir de noite.

Como comentado, parece uma premissa simples, com duas pessoas opostas que se encontram casualmente e desenvolvem uma amizade em que uma complementa a outra. Porém, Disque Amiga Para Matar consegue fugir totalmente do clichê após vinte minutos do primeiro episódio. Com um total de dez episódios de 30 minutos, a série consegue apresentar diversos plot twistsdesde o primeiro até o último, o que nos faz perceber, além do contraste, as semelhanças entre as duas. Além disso, a trama consegue acrescentar mudanças inesperadas no gênero comédia dramática, dando um tom mais ácido e perverso à medida que expõe os defeitos, impulsos e insanidades que Jen e Judy realizam tanto juntas quanto separadas.

Por mais que o enredo da primeira temporada tente fazer o telespectador crer que ambas estão reagindo de forma extrema, contraditória e até ilegal por estarem de luto (afinal, cada uma lida com a morte de um jeito), a série não convence que Jen e Judy são duas pessoas normais. Temos a sensação que, mesmo se não estivessem lidando com o luto, ambas manteriam as reações e as atitudes impulsivas. As ações de ambas fazem o telespectador rir, mesmo em um contexto dramático. Possuir uma postura impulsiva, ilegal e extrema é a semelhança que une Jen e Judy que, por mais oposta que sejam, tal amizade faz compreender as atitudes, os desabafos e as crises uma da outra.

Por mais que a série pareça ser uma história sobre duas mulheres “histéricas”, ela se aproxima muito mais de uma visão feminista do que aparenta nos primeiros episódios. Como por exemplo, quando as personagens comentam e criticam a fala de um personagem homem sobre “serem loucas” e, até mesmo, quando realizam ações de forma livre, sem se prenderem ou se importarem com padrões.
Ao final da temporada, a amizade é posta à prova, pois desde o começo e com diversas reviravoltas que só nós, telespectadores, podemos ver, a relação entre Jen e Judy nunca foi muito honesta, o que faz a confiança se perder.

Afinal, o que leva duas pessoas opostas a ficarem juntas? Se complementarem? Pode até não dar certo, mas em Disque Amiga Para Matar isso não tem qualquer importância na trama perante aos crimes, crises e surtos que, por mais negativos que possam parecer, juntam duas mulheres que se compreendem, mesmo envolvidas em um emaranhado de mentiras.
Ficha Técnica
Disque Amiga Para Matar
Criação: Liz Feldman
Produção: Will Ferrell, Adam McKay e Jessica Elbaum
Elenco: Christina Applegate, Linda Cardellini, James Marsden, Max Jenkins, Sam McCarthy, Luke Roessler e Ed Asner.
Duração: 10 episódios (aprox.30 min)
Nota: 8,0