Uma das primeiras animações criada pela Netflix, BoJack Horseman (2014), chegou ao seu fim no começo deste ano e em grande estilo, ao ser renovada até a sua sexta temporada. Por isso, o Pipoca na Madrugada reuniu cinco motivos (mas existem muitos outros que você pode achar assistindo ao show) para você conferir a produção e se deliciar no universo de Hollywood, ou seria Hollywoo? Bem…Vamos lá!
Muita crítica de mídia

Algo explorado desde os primeiros minutos da série, lembrando que ela começa com uma entrevista satirizada com o personagem principal, o cavalo antropomórfico e astro de cinema BoJack Horseman, é a crítica de mídia, principalmente a estadunidense.
Isso porque um dos fios condutores do enredo e do humor, que a série explora, é criticar e ridicularizar, por meio de piadas, metáforas e situações contraditórias, a indústria do cinema e de celebridades hollywoodianas. Uma vez que a série se passa em uma cidade chamada “Hollywood” que, no decorrer dos episódios, com a ação prepotente de uma celebridade, acaba se transformando em “Hollywoo”, depois até em “Hollywoob”.
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O cenário, uma grande metáfora a indústria hegemônica do cinema nos Estados Unidos, também busca ressaltar a crítica aos canais, e até emissoras, sensacionalistas do país. Há a preocupação de transformar em piadas, com metáforas, aquilo que de fato é transmito e naturalizado na sociedade norte-americana.
A série revela, até seu último episódio e por meio do humor, como certas ações da mídia (seja do cinema ou da televisão) que buscam apenas a audiência e a exploração da imagem das pessoas para obter lucros. Assim, ela explora os personagens e suas histórias aproximando ao ridículo e ao extremo, certas ocasiões que possuem um pé na realidade da mídia.
Como se fosse uma enorme fábula

Outra razão para ver a série, e também permeia o humor uma vez que BoJack Horseman (2014) é uma comédia dramática, é a sua forma de fábula para contar as histórias que conduzem todo o enredo da trama.
Em uma pesquisa rápida você verá que fábula é uma narrativa com personagens antropomorfizados, ou seja, personagens animais que agem como seres humanos e, no final dessa narrativa, há, geralmente, um preceito moral.
BoJack Horseman é uma enorme fábula. A maioria (mas não todos) dos personagens são animais que se portam como seres humanos, possuem trabalhos formais, casas, vícios, medo e relações sentimentais. Além disso, a produção cria, ao final de cada episódio e de forma mais intensa ao final de cada temporada, uma “moral”, ou melhor dizendo, uma reflexão seja ela de cunho ético, moral ou existencial.
Saúde mental, trabalho e relações pessoais

Dentro do universo das celebridades, principalmente a metaforizada no cenário da série, é muito comum existir um anulamento ou vulnerabilidade da saúde mental dos participantes dessa indústria cultural.
Isso fica nítido com o personagem principal que, inúmeras vezes, se sente pressionado ao extremo ao executar um trabalho (ator) em uma cidade hostil onde é, ao mero deslize que comete em sua vida privada, criticado ao extremo, linchado e xingado publicamente nas ruas.
Além disso, outros personagens sofrem pressões com seus trabalhos ao ultrapassarem sempre a carga de horas de trabalho, como é o caso da namorada de BoJack, na primeira temporada, Princess Carolyn (uma gata-humana) que sacrifica, sempre, sua vida pessoal em nome da empresa que está empregada ao fazer horas extras sempre que solicitado.
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Fora o cenário trabalhista, a saúde mental é explorada em outros âmbitos como nas relações familiares, nos vícios (como o alcoolismo) e nas relações amorosas que, no decorrer da série, apresenta um casamento tóxico com os personagens Mr. Peanutbutter (um cachorro-humano) e Diane (humana) que vivem se desgastando para manter algo que parece nunca funcionar.
Questões existencialistas

Outra razão para assistir a série é a forma sutil que ela concilia a comédia e o drama. A trama consegue aproximar suas críticas (citadas anteriormente) com humor de questões existenciais que assombram, na maioria das vezes, a vida do personagem-título.
Isso faz com que a série ganhe um conteúdo mais profundo e intenso ao fazer, como em alguns episódios, soar para nós esses questionamentos existenciais a partir do pensamento narrados pelos personagens. Não apenas BoJack, mas vários outros integrantes do show, se pegam pensando em seu propósito de vida e outras questões como personalidade, ego e relacionamentos.
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Assim, de uma simples e criativa comédia com o cenário de Hollywood, BoJack Horseman procura explorar suas tramas (em molde de fábulas) e, com isso, aprofundar seus personagens mostrando como a relação entre o cômico e o dramático é uma forma de criar um humor de conteúdo e questionamentos sérios.
Reflexões sobre ética e moral

Por fim, mas não menos importante, uma vertente que não poderia ficar de lado do mundo das celebridades, fábulas, críticas e questões existenciais são os preceitos e reflexões éticas e morais de cada personagem, uma vez que são sujeitos a situações que correm o risco de tomar ações corruptas e até manipuladoras.
Isso, muitas vezes, essa tomada de ação e atitude em situações delicadas que colocam a ética e moral dos personagens em questão, é o clímax de muitos episódios e até ponte de uma temporada na outra, construindo uma comédia que nos faz questionar o apreço que construímos pelos personagens.
No decorrer da série, podemos perceber como a maioria dos personagens, e principalmente o principal, são anti-heróis. Assim, criamos uma relação de identificação com os erros, decisões e medos que cada um desenvolve em situações delicadas e que envolvem a moral ou ética.
Juntando todos esses pontos, a trama cria um mecanismo de identificação e, assim, de dualidade, até porque nos identificamos com tal personagem, gostamos dele, mas como absorver isso diante das ações erradas ético e moralmente que eles tomam ao longa da trama?
É uma resposta complicada e demorada que, ao assistir as temporadas, nos questionamos tanto ao ponto de aceitar como BoJack Horseman se aproxima da realidade, até porque, no mundo real longe das fábulas e sátiras, ninguém é 100% vilão ou totalmente o mocinho em uma situação.
É assim com muito humor, questionamentos e temas relevantes e atuais que a trama alcançou um grande público e foi renovada até sua sexta temporada, sendo uma das poucas animações da Netflix a ir tão longe em audiência, conteúdo e humor.
FICHA TÉCNICA
BoJack Horseman
Autor: Raphael Matthew Bob-Waksberg
Elenco: Will Arnett, Aaron Paul, Amy Sedaris, Alison Brie e Paul F. Tompkins
Duração: 6 temporadas
Nota: 9,0
Desde moleque adoro tudo sobre mangá, cosplay e
animes. Sou doido para ir na ccxp, mas estou ainda sem
condições financeiras. O meu último cosplay foi do naruto.
Este ano a CCXP vai ser online! Você vai conseguir participar de boa! E espero, de coração, que você consiga ir ao evento presencial quando rolar!
Eita até que fim achei o que estava procurando na
internet. A internet é excelente, mas as vezes achar o que
precisa pode demorar muito. Excelente artigo e vou
compartilhar agora.