Estreou no dia 24 de abril a segunda temporada de After Life na Netflix. A premissa continua a mesma da primeira temporada, mas com um ponto diferencial: Tony (Ricky Gervais) é um viúvo depressivo, trabalha em um jornal local e cuida de sua cadela. Agora, ao invés de tratar seus conhecidos, amigos e familiares com grosseria, ele repensa bem antes de agir.
A segunda temporada contém esse problema, há apenas essa mudança de relevância no jeito de Tony em toda a trama. A primeira temporada teve um começo, meio e fim gloriosos, com uma mensagem interessante sobre a vida e seus altos e baixos. Mas agora, não entregou nada muito novo, o que poderia.
After Life: crítica da 1ª temporada
Terminamos o primeiro arco da histórica com Tony conseguindo enxergar o mundo de outra forma, com menos pesar e encara as pessoas a sua volta com mais humanidade, parando de tratar elas mal o tempo todo. É a mudança no comportamento de Tony que emociona o telespectador.

Foi todo um processo de diálogos, monólogos e insights para o personagem alcançar essa nova postura. Ao contrário da primeira temporada, a segunda não tem uma linha de progresso pessoal e não se preocupa muito em ter como a primeira. O foco desta temporada está mais nos personagens secundários do que realmente em Tony, o personagem mais esférico e trabalhado ali.
O ponto novo de Tony é o que foi alcançado no final da primeira temporada: olhar o mundo e as pessoas com mais empatia. Agora, em outros personagens, novos pontos foram explorados na trama: um casal se apaixona, outro está em crise, amizades se fortalecem e até uma apresentação de talentos acontece na cidade. Só que tudo isso não tem relação direta com o luto.

Conhecemos as histórias bizarras e até engraçadas da cidade por meio das notícias do jornal que Tony trabalha, o local é até ameaçado de ser fechado e vários romances aqui e lá se desenvolvem na trama. Enquanto isso, a história central do luto de Tony fica parada e monótona no que já conhecemos da sua depressão: o fardo de viver sem sua amada.
Disque Amiga Para Matar: crítica da 2ª temporada
O diferencial de After Life é tratar o luto de forma autêntica e ousada dentro de uma comédia dramática, e conseguiu alcançar esse objetivo com êxito ao ter uma história bem estruturada e sensível com começo, meio e fim na sua primeira temporada. Nesta nova leva de episódios, a única mudança na vida de Tony – e no seu luto – aparece depois de vários episódios e sem grandes novidades.

After Life (com o subtítulo: Vocês vão ter que me engolir) tinha tudo para explorar mais a ideia de luto, vida e perspectivas acima dos dois temas. Com um personagem principal que busca autoconhecimento, uma trilha sonora emocionante e personagens secundários interessantes, a produção poderia ter explorado, além das tramas paralelas, uma nova transformação em Tony. Mas, não foi isso que aconteceu. Há um regresso ou estagnação nítida do personagem, às vezes parece que estamos ouvindo ainda o Tony da primeira temporada o que, além de decepcionante, é tedioso.
Primeiras impressões da minissérie Defending Jacob
Indo para o final da temporada, acontecem dois pontos relevantes na vida do personagem principal que mexem com ele. Porém, nessa altura da história já passamos tantos episódios nos deliciando aos poucos com as tramas paralelas que os pontos de mudança na trama de Tony são muito previsíveis e, assim, sem grandes emoções.
Ficha Técnica
After Life – Vocês vão ter que me engolir
Direção: Ricky Gervais
Elenco: Ricky Gervais, David Bradley, Penelope Wilton, Tom Basden, Ashley Jensen, Tony Way,
Duração: 6 episódios (30min)
Nota: 6,5