O terceiro episódio de American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace confirma não só a continuidade da narrativa não linear, como também o tom sombrio que deixa a série ainda mais instigante e atrativa. Random Killing deixa de lado um pouco a trama do estilista para focar em um dos assassinatos cometidos por Andrew Cunanan, reforçando ainda mais o lado psicopata do personagem que, por sinal, continua sob ótima performance de Darren Criss.
Desta vez, acompanhamos o assassinato de Lee Miglin (Mike Farrell), uma das mortes mais brutais do currículo de Cunanan. Porém, como o fato é extremamente pesado – como relatei no texto sobre as histórias originais – ACS Versace reduz o tom da brutalidade, mas sem perder o seu impacto. O episódio começa de trás para frente, com Marylin, esposa de Lee, chegando em casa e percebendo que há algo de errado no ambiente. Transbordando receio e desconfiança, ela não hesita em pedir ajuda aos vizinhos, que já acionam a polícia que encontra o corpo do magnata estirado no estacionamento.
A partir daqui, a série utiliza do flashback para conhecermos a relação de amor e parceria de Marylin e Lee, um casal conhecido por seus grandes feitos no mundo empresarial. Enquanto Marylin é conhecida por sua linha de cremes e maquiagem, Lee deseja construir o maior prédio da cidade, quiçá do mundo, um sonho que ele divide com Andrew, quando chega na casa assim que Marylin parte para uma viagem à trabalho.
Misturado a um clima de sedução, Andrew não hesita em demonstrar seu lado agressivo e direto ao falar verdades na cara de Lee. Entre uma palavra cortante e outra, ele beija o magnata, fazendo-o se abrir por completo ao jovem certo de que terá uma noite inesquecível. De fato é uma noite excepcional, só que triste, violenta e com um final trágico.
No estacionamento, Andrew inicia um joguinho de sedução e dominação em que utiliza a tradicional tática de tampar a boca e cobrir a cabeça inteira de sua vítima com uma fita. Neste exato momento, fiquei me perguntando se em nenhum momento Lee não ficou receoso ou reagiu, afinal, ficar impossibilitado de ver, falar e até respirar causa uma angústia crescente e latejante. Aliás, será que na vida real, o verdadeiro Lee se deixou levar tão facilmente pelas palavras de Andrew? Porque, na primeira palavra ofensiva, eu teria desconfiado e fugido. Mas é muito fácil falar quando não é a vítima, não é mesmo?
Matar não é o suficiente para Andrew. Além de ter o sangue em suas mãos, ele faz questão de humilhar a vítima e, no caso de Lee, ele faz questão de mostrar que o magnata levava uma vida falsa, já que seu interesse por garotos de programa era o seu ponto fraco.
Mas também a série faz questão de reforçar que, mesmo com esse ponto fraco, o casamento com Marylin ainda era real e, com a verdade estampada em sua cara, a esposa faz questão de deixar esse pequeno detalhe de lado, mantendo a reputação do marido intacta depois de morto. Aliás, a interpretação Judith Light está muito boa, especialmente na cena em que questiona a polícia e ela mesma pelo fato de não estar chorando pela perda do companheiro. Mas uma coisa ela deixa claro: ela quer justiça e vai exigir isso custe o que custar.
Claro que Andrew não para por aí e com a polícia local e o FBI em seu percalço, ele comete mais um ato trágico. Na tentativa de despistar as autoridades, ele larga o carro de Lee, entra em um cemitério e mata o coveiro apenas para roubar sua caminhonete, provando que a vida para Andrew não tem significado nenhum. Uma cena fria, crua e triste.
Random Killing é um episódio tão bom que o telespectador nem vê os 48 minutos de duração passar, trazendo mais um fato trágico que vai em direção à morte do estilista e ótimas performances que fazem a gente não desgrudar o olho da tela.
E aí, o que acharam do episódio de ACS: Versace? Deixem nos comentários!
Nota: 9,0
Fotos: IMDB e Recap Guide