Lembro que ao assistir ao trailer de O Destino de Júpiter, dirigido pelos irmãos Andy e Lana Wachowski, a história não me cativou. Mesmo assim, resolvi dar uma chance e, infelizmente, pouquíssimos elementos do filme me surpreenderam. A história nos apresenta Júpiter Jones, interpretada pela atriz Mila Kunis, uma garota descendente de uma linhagem que a coloca como a próxima da fila a ocupar o trono da rainha de todo o universo. Sem ter a mínima ideia de quem ela realmente é, Júpiter segue sua vida simples ao lado de sua família russa trabalhando como uma empregada doméstica em Chicago, nos Estados Unidos. Sua vida muda completamente quando ela conhece Caine, vivido pelo ator Channing Tatum, um ex-militar licomutante (alterado geneticamente) que tem a missão de protegê-la contra os vilões Balem (Eddie Redmayne) e Titus (Douglas Booth) e levá-la a seu posto de direito.
O filme tem vários elementos que fariam a história dar super certo: elenco renomado; um enredo bem diferente do que eu já vi; efeitos visuais e fotografia excelentes; e direção com nomes de peso. No entanto, isso não foi o suficiente para prender a minha atenção e de outros telespectadores, provavelmente.
Logo de cara conhecemos a vida de Júpiter, sua origem e como é o seu dia a dia. Até o momento em que sua vida muda completamente com a chegada de Caine, a história aguça a minha curiosidade para saber o porquê outros seres do universo estão atrás dela. O motivo me convence, mas de forma bem fraca deixando a história a desejar. Prefiro não revelar qual é a razão, caso alguém não tenha assistido ainda.
O elenco é de peso, mas os personagens não fazem por merecer a nossa admiração. Com a vida da personagem colocada de ponta cabeça, queria ter visto mais atitude de Mila Kunis em seu papel. Do começo até quase o fim, observamos uma garota indefesa, incapaz de se impor diante de tamanha revolução ao seu redor. Sua reação aparece nas telas nos minutos finais do filme, algo que esperava ver, pelo menos, a partir da metade da história. Não vi a evolução de Júpiter, apenas sutis mudanças em sua forma de pensar e agir. O fator desenvolvimento ficou ausente na personagem.
Pra mim, Channing Tatum é o destaque da história. É ele quem leva o filme nas costas, pois o personagem traz as ações, lutas, conflitos e todo o dinamismo nas cenas. Ainda assim, também faltou explorar mais a sua personalidade e, principalmente o seu envolvimento com Júpiter. O início do relacionamento dos dois fica tão superficial que o telespectador desconhece de como surgiu este amor.
Já os vilões, os personagens que mais amo em filmes e seriados, ficam muito a desejar. Os irmãos Balem e Titus disputam para ver quem consegue capturar Júpiter primeiro. Titus é o tipo de majestade que é mimado, charmoso e sempre rodeado de lindas mulheres. Claro que, para não perder o seu posto, ele faz de tudo para eliminar Júpiter. Assim como ele, Balem move céus e terras para acabar com a garota. No entanto, o personagem é um pouco mais assombroso que o irmão, mas, ainda assim, não convence como vilão. Cadê a ferocidade e a hipocrisia, características marcantes dos personagens do mau? Acredito que os diretores quiseram apresentar uma proposta diferente, mas não curti. Outra coisa que também não gostei e, até me irritou um pouco, foi a voz de Balem. Era necessário mesmo fazer aquela voz rouca? Não me impressionou nenhum pouco.
Apesar desses pontos negativos, O Destino de Júpiter traz excelentes efeitos visuais para nos apresentar o cenário de um universo fantástico com tecnologias avançadas que os extraterrestres utilizam tanto lá quanto na Terra. Quem for assistir em 3D vai gostar, pois vai se sentir como se estivesse dentro da tela acompanhando as lutas e fugas ao vivo. Ainda assim, é uma pena que a história não seja surpreendente.
Ficha Técnica
O Destino de Júpiter
Direção: Andy e Lana Wachowski
Elenco: Mila Kunis, Channing Tatum, Sean Bean, Eddie Redmayne, Douglas Booth, Tuppence Middleton, Gugu Mbatha-Raw e Donna Bae.
Duração: 2h07min
Nota: 5,5