Séries

Primeiras impressões de American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace

Série de impacto e com ótimas interpretações

Uma das minhas maiores expectativas neste tradicional mundo das séries é acompanhar a nova temporada de American Crime Story, e tal ansiedade surgiu após assistir a fabulosa temporada The People vs O.J Simpson, que prendeu a minha atenção do começo ao fim. Ao descobrir que a próxima história seria sobre um assassinato, minha reação não poderia ser outra, somente alegria e mais uma pitada de ansiedade. Eis que estamos aqui e, a convite da FOX, o Pipoca na Madrugada conferiu os dois primeiros episódios de O Assassinato de Gianni Versace, nova antologia da série ACS, ou seja, uma nova temporada que contará uma nova história.

Criada por Ryan Murphy e baseada no livro Vulgar Favors: The Assassination of Gianni Versace, escrito pela jornalista investigativa e correspondente da Vanity Fair, Maureen Orth, ACS: Versace vai relatar sobre o assassinato do estilista italiano Gianni Versace, uma tragédia que abalou o mundo da moda e a comunidade LGBT na década de 90. O ato criminoso ocorreu no dia 15 de julho de 1997 e foi cometido pelo assassino Andrew Cunanan, tornando Versace sua quinta e última vítima. Antes que vocês se assustem com essa informação, já aviso que NÃO É SPOILER (uma vez que as divulgações da série já revelam o ato).

Como disse, as expectativas são altas e, depois de assistir, posso falar que estou bem satisfeita com a série. A season premiere de ACS: Versace impressiona e é explosiva em seus primeiros minutos, pois a história já se inicia com a própria tragédia: Gianni levando dois tiros na cabeça e caindo na escadaria da entrada de sua mansão, em Miami. A cena é angustiante e tirar o fôlego, pois quem conhece o fato já tem consciência do que vai acontecer, mas ainda não sabe como ela será executada. Ao acompanhar cada passo até o ato principal, o telespectador fica segurando a cadeira até ouvir o primeiro tiro. É trágico, mas é uma cena impactante e sensacional.

Roteirizado por Tom Rob Smith, os dois primeiros episódios revelam que a história será contada sob uma narrativa não linear, ou seja, o telespectador já sabe sobre o ato e, agora, vai acompanhar passo a passo sobre cada personagem, como Gianni e Andrew se conheceram até o momento do assassinato. Em um único episódio, nota-se a mudança do tempo e, para diferenciar as cenas entre passado e presente, é necessário prestar atenção nos detalhes que a própria história dá: datas, folhetos pendurados na delegacia e, é claro, a presença ou não do estilista Gianni. Mas acredito que nem sempre ele estará em cena para nos ajudar, por isso é importante que você preste bem a atenção para se situar na linha narrativa, pois a mudança entre uma cena e outra é bem sutil.

Mas, porque contar a história sobre um assassinato já conhecido? O grande diferencial desta segunda temporada de American Crime Story é que tal obra é baseada em um fato real, porém será puramente fictícia, ou seja, sem bases concretas nos acontecimentos reais. Isso significa que é possível que tenha momentos e fatos invertidos e uma abordagem diferenciada. Mas o ponto alto da série é que vamos destrinchar a trama sob o ponto de vista de Andrew Cunanan, como e por que ele escolheu o estilista como sua vítima, abordando alguns pontos da psicopatia. Quem curte esse assunto, com certeza vai querer assistir essa série.

Do ponto de vista estético, a nova temporada não fica a desejar na técnica. ACS: Versace ganha uma paleta de cores extremamente colorida e radiante, sob tons violeta, azul, amarelo, vermelho e rosa, um elemento forte e bonito que contradiz bastante com a tragédia abordada, mas é uma contradição que se casa em perfeição.  

Personagens

Ryan Murphy não mede esforços e traz um elenco de peso, revelando um talento excepcional nos dois primeiros episódios. Édgar Ramirez encarna perfeitamente Gianni Versace, principalmente nas características físicas. A maquiagem e o figurino estão impecáveis, assim como era o estilista. Aliás, Versace não era só conhecido por sua grife, mas também por ser assumidamente gay, ter um relacionamento sério há 15 anos e estar sempre em convívio com pessoas da comunidade LGBT. Na época, sua figura era bastante notável em Miami e apenas uma saída para tomar um café já era o suficiente para as pessoas surgirem em seu caminho e pedir um autógrafo ou uma foto. Gostei muito da atuação e acredito que Ramirez irá nos surpreender mais para frente.

Devo dizer que o grande destaque da atuação fica para Darren Criss, que encarna um Andrew Cunanan narcisista, mentiroso patológico, vaidoso e muito misterioso, afinal, o telespectador ainda não sabe a razão de ele agir dessa forma, as razões que o levaram a matar as vítimas anteriores e, é claro, o porquê de Gianni Versace ser o seu próximo alvo. Acompanhar a mente doente desse personagem vai ser uma experiência muito boa, especialmente para quem gosta de discutir, assistir um programa ou ler sobre psicopatia.

Em seu primeiro trabalho na televisão, Penélope Cruz representa muitíssimo bem Donatella Versace, irmã mais nova de Gianni. No entanto, o que fica a desejar é o seu sotaque extremamente carregado, o que dificulta um pouco no entendimento dos diálogos. Estou falando isso, pois assisti aos dois primeiros episódios em inglês e sem legenda e, infelizmente, não consegui absorver 100% das palavras ditas por ela. Mas, quem for assistir à série legendada, ficará mais fácil de compreender os seus diálogos. Espero que o sotaque fique menos carregado nos próximos episódios. Tirando isso, Penélope tem presença marcante e é possível sentir o peso do luto que ela carrega nas costas, assim como a força que ela adquire para seguir em frente com a vida e com os negócios do irmão. Já com o parceiro de Gianni, ela demonstra não ter muito afeto e quero saber mais sobre os motivos dos dois não se darem tão bem.

A grande surpresa no elenco é a presença de Ricky Martin. O ator/cantor interpreta Antonio D’Amico, parceiro de longa data de Gianni e o primeiro a encontrar o estilista morto na porta de casa. Confesso que no início me assustei um pouco por ter achado a performance de Martin um pouco endurecida, mas no decorrer das cenas, ele vai se soltando mais. Espero que ele melhore no decorrer da temporada.

No decorrer da história vamos ter também a presença dos atores Max Greenfield (Ronnie, amigo de Andrew), Dascha Polanco (detetive Lori Wieder), Judith Light (Marilyn Miglin), Finn Wittrock (Jeff Trail) e Cody Fern (David Madson).

Considerações finais

American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace inova não só por contar uma história já conhecida e, sim, por abordar sob o ponto de vista do assassino, traçando os seus passos, a razão de seus atos e detalhando os aspectos da psicopatia. A estética da série é fabulosa e as atuações estão ótimas, mas sei que algumas ainda podem melhorar. ACS: Versace é uma série que promete dar muito certo, assim como a primeira temporada da antologia. Agora é assistir e torcer para a história do estilista italiano ser tragicamente fabulosa. A 2ª temporada de ACS: Versace é exibida às quintas-feiras, às 23h, no canal FX.

Ficha Técnica

American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace

Criado: Ryan Murphy, Larry Karaszewski e Scott Alexander

Elenco: Édgar Ramirez, Darren Criss, Penélope Cruz, Ricky Martin, Max Greenfield, Dascha Polanco Judith Light, Finn Wittrock e Cody Fern.

Duração: 1ª temporada – 10 episódios

Nota: 8,9 (dois primeiros episódios)