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Resenha: O Rei Do Show

Trilha sonora e coreografias são os pontos altos do musical

Uma história simples transformada em um espetáculo musical cinematográfico que contagia com uma trilha sonora que fala por si só, hipnotiza com as coreografias e conquista com personagens memoráveis. Dirigido por Michael Gracey, O Rei do Show (The Greatest Showman) é baseado na história real de Phineas Taylor Barnum, conhecido como o “príncipe das falcatruas” um showman e empresário do ramo do entretenimento norte-americano responsável por fundar um museu de curiosidades e o circo com animais, freaks e fraudes que viria se tornar no sucesso Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus.

Nem sempre tudo foram flores na vida de P.T Barnum (Hugh Jackman). Desde pequeno, Barnum teve uma vida difícil e sem regalias ao lado de seu pai, um simples alfaiate cujos clientes eram da alta sociedade. Entre um cliente e outro, o adolescente conhece a jovem Charity (Michelle Williams) com quem se casa anos depois, após nutrir um amor verdadeiro que quebra barreiras e desvia obstáculos que tinham tudo para separá-los devido às distintas condições sociais. Com duas filhas lindas, a família estava completa, mas para Barnum ainda faltava algo: MAGIA. Após o banco onde ele trabalha falir, Barnum tem a brilhante ideia de investir em um museu que pudesse oferecer um tipo de entretenimento em que as pessoas pudessem sonhar e fugir um pouco da realidade do dia a dia. Sem muito sucesso, ele se reinventa e transforma o local e uma casa de espetáculo repleto de personalidades excêntricas, com direito a uma mulher barbuda, um anão soldado, um gigante irlandês, uma trapezista talentosa e assim por diante. Mas o que ele não esperava era que seu show fizesse tanto sucesso, ao mesmo tempo em que despertasse o ódio, preconceito e a repulsa por essas pessoas que são apenas diferentes. O que acontece? Bom, só assistindo para você descobrir.

Tenho que admitir que criei muitas expectativas desde que assisti ao primeiro trailer de O Rei Do Show e, agora, posso afirmar que apesar de uma ressalva ou outra com relação ao roteiro, minhas expectativas foram alcançadas e tanto a história quanto os personagens me conquistaram em sua formidável execução. Como o filme é baseado em uma história real, claro que pesquisei sobre P.T Barnum e percebi que o filme dá uma grande “floreada” na sua história. Enquanto que a personalidade é conhecida pelas suas falcatruas no mundo do show business, a trama não foca tanto em mostrar esse lado sorrateiro do protagonista e, sim, em suas criações no entretenimento, na construção de que um sonho impossível pode se tornar realidade e, é claro, enraíza bem o preconceito que permeava no século XIX com aqueles que não se encaixavam na sociedade, seja pela cor da pele, pela altura, pelo corpo, pela condição financeira, entre outros fatores.

O filme não perde tempo e adianta logo os fatos que vão desde a adolescência de Barnum até o seu primeiro espetáculo. A partir daí, o desenvolvimento dá uma freada para que o público deguste melhor a história, as danças, as músicas e a desenvoltura de cada personagem. Com relação às coreografias, O Rei Do Show dá um show a parte e logo no primeiro minuto o filme nos dá sua primeira performance para conquistar a atenção do público rapidamente. Acredite, funciona! Todas as danças são lindas, bem coreografadas e muito bem executadas. Cada um se torna o próprio rei do show em suas respectivas cenas. No entanto, fiquei me perguntando se realmente todos os atores dançaram ou se houve a interferência de dublês em cenas que exigem uma performance um pouco mais complexa. Eu sei que Jackman e Efron têm experiência nessa área, assim como Zendaya e Keala Settle tem na música. O restante eu realmente não sei.

Um ponto negativo é que o filme não explora muito os personagens freaks. Infelizmente, não temos um conhecimento maior sobre a mulher barbuda, o anão, o gigante irlandês, entre outros. Aliás, a personagem de Keala Settle poderia ter sido melhor desenvolvida, já que ela é um dos destaques do espetáculo. Talvez em alguma cena de ensaio do grupo? Mas infelizmente isso não acontece. Uma pena.

Trilha Sonora que conta uma história

Um ponto forte de O Rei Do Show, sem dúvida, é a trilha sonora composta por Benj Pasek e Justin Paul (La La Land). Enquanto temos diálogos bem simples, com frases de efeito e não muito impactantes, o filme dá a responsabilidade para a trilha sonora contar a história por meio das músicas. Você vai vibrar com ‘The Greatest Show’, ‘Come Alive’ e ‘From Now On’ e se apaixonar com a música de sucesso ‘This Is Me’, ‘Rewrite The Stars’ e ‘A Million Dreams’. Há outras músicas lindas, mas essas, com certeza, ficarão na sua cabeça e você irá cantarolar o dia todo. Por isso, preste atenção nas letras das músicas e veja que elas ajudam e muito a contar essa história.

Os reis do show

Com alguns brilhando mais e outros menos, não se pode negar que cada um teve o seu momento de brilhar. Protagonista do filme, Hugh Jackman (Logan) dá um ótimo show na música e na dança e surpreende por entregar um P.T Barnum que poderia ser perfeito por criar um mundo estranho cheio de sonhos, mas não é. Barnum tem falhas, justamente por ser egocêntrico em vários momentos, deixando muitas vezes seus amigos e até a sua família de lado por pensar demais no show business e no quanto lucraria. É nessa hora que conseguimos ver a verdadeira personalidade que marcou o século XIX no mundo do entretenimento, porém o filme não tem esse propósito de focar somente nos defeitos e, sim, em como ele transforma essas falhas em algo positivo, dando um lar aos renegados da sociedade, enaltecendo amores construídos nos bastidores do espetáculo e, é claro, enfatizando a importância do amor da família.

Zac Efron ganha o seu devido espaço no filme entregando um bom personagem que se sustenta somente com a história de se desvincular da família, seguir os seus sonhos e dar os seus próprios passos. Além disso, a história de amor que Philip Carlyle tem com Anne Wheeler engrandece ainda mais a trama do personagem. A trama de Philip o vende como um rapaz do entretenimento satisfeito pela vida burguesa que leva, mas tal arrogância nem chega a se enraizar nele, uma vez que ele aceita a proposta de Barnum e mergulha em um show completamente diferente do que está acostumado. Se você tem um pé atrás com Efron, O Rei Do Show irá tirar essa impressão do ator.

Enquanto Efron se consolida com sua própria história, Zendaya cresce mais quando está em cena com o ator, já que a personagem Anne não tem uma história própria para contar. Apenas sabemos que ela é uma trapezista em que muitos lhe jogam olhares tortos por não se encaixar no mundo onde vive. Mas a história de amor que ela vive com Philip a faz criar forças para continuar sendo quem ela é, e é aí que tanto a atriz quanto a personagem ganham pontos positivos. A cena dos dois cantando Rewrite The Stars é linda demais.

Sinceramente eu não estava dando crédito nenhum para a participação de Michelle Williams no filme, mas até que gostei da personagem. Mas ainda assim, esperava um pouco mais de Charity. Por ser esposa de Barnum, acreditava que ela fosse se envolver mais com o espetáculo e não apenas ficar no arco da família. Mas isso não significa que a atriz esteja ruim. Ela tem uma presença boa e satisfatória.

Rebecca Ferguson é a cantora Jenny Lind, figura de sucesso no mundo da música. Assim que Barnum a descobre, a cantora ganha mais espaço nesse ramo, ao mesmo tempo em que cria certo atrito com o protagonista devido a algumas divergências. Não vou falar mais coisas para não dar spoiler, mas fiquei surpresa com a presença de Ferguson, pois esperava apenas uma pequena participação especial. No entanto, achei que o filme não deu um desfecho tão satisfatório para a personagem.

Considerações finais

O Rei Do Show é um espetáculo cinematográfico que apresenta uma história simples contada a partir de lindas coreografias e músicas que irão penetrar no cérebro do espectador. Com uma ressalva e outra, os personagens são cativantes e o filme ainda traz a bonita mensagem de você ser quem você é de verdade, sem se importar tanto com os outros. Se vale a pena assistir? Ah, vale.

A arte mais nobre é fazer os outros felizes (BARNUM, P.T)

Ficha Técnica

O Rei Do Show

Direção: Michael Gracey

Elenco: Hugh Jackman, Zac Efron, Zendaya, Michelle Williams, Rebecca Ferguson, Keala Settle, Paul Sparks, Natasha Liu Bordizzo, Yahya Abdul-Mateen II, Fredric Lehne, Tina Benko, Gayle Rankin e Doris McCarthy.

Duração: 1h45min

Nota: 8,5