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Resenha: Jogos Mortais: Jigsaw

Eu quero jogar um novo jogo com você...

Jogos Mortais é um dos filmes de terror que mais marcou a minha adolescência. Alugava o DVD na locadora (sim, sou dessa época) e chamava as amigas para assistir (à tarde por causa do medo) rs. Tive a oportunidade de ver alguns filmes no cinema e, depois de assistir Jogos Mortais – O Final sabia que, algum dia, os jogos voltariam. Agora, o retorno é real. Jogos Mortais: Jigsaw veio não só para ressuscitar a famosa franquia, como também conquistar um novo público. Mas qual é o jogo da vez?

Na trama, dez anos se passam após a morte de John Kramer/Jigsaw (Tobin Bell), porém um novo jogo macabro é iniciado. Desta vez, cinco pessoas são sequestradas e presas em um ambiente nada convidativo e precisam encarar as armadilhas se quiserem sobreviver. O jogo continua o mesmo: a vítima que está ali cometeu algum pecado, ato criminoso ou ilegal e, agora, tem uma chance de pagar penitência e dar o verdadeiro valor à vida. No entanto, a grande questão é: se o assassino original está morto há uma década, quem está por trás desta nova jogada sangrenta?

Dirigido por pelos irmãos Michael e Peter Spierig, Jogos Mortais: Jigsaw veio para acrescentar mais um capítulo à franquia, mas não é uma continuação do sétimo filme, ou seja, não vamos ver o que sucedeu após descobrimos que o médico Dr. Gordon é quem estava por trás dos jogos anteriores. Pra quem não se lembra, esse personagem foi uma das primeiras vítimas de Jigsaw no primeiro filme. No entanto, o oitavo filme traz elementos nostálgicos e saudosistas dos filmes anteriores. Quem assistiu a franquia vai compreender melhor algumas cenas, captar as referências, identificar certos arsenais utilizados nos jogos e, é claro, matar a saudade de Jigsaw. Quem não viu os outros longas, pode ser que não entenda certos pontos da trama, mas isso não significa que você ficará perdido na história. Dá para assistir, mas sugiro que você veja os outros.

Desta vez, o roteiro dá maior foco na investigação do jogo, quem são as vítimas e, é claro, quem está por trás de tudo isso. A história não traz uma investigação minuciosa, mas o desenvolvimento desse arco está equilibrado e se mescla ao jogo que, por sinal, está menos sangrento. Se nos filmes anteriores vemos cabeças explodindo, mandíbulas arrancadas, piscinas de seringas e corpos esmagados e partidos ao meio, em Jogos Mortais: Jigsaw o público se depara com armadilhas mais práticas, rápidas e menos engenhosas na sua execução e uma exploração um pouco menor no desespero de cada vítima. Mas a jogada é a mesma, ou seja, sempre acaba morrendo um após a fase ser concluída. Aliás, comparado à franquia, o oitavo filme ganha uma fotografia mais colorida, com menos sombras e um cenário menos sujo e claustrofóbico. Mas isso não diminui nenhum pouco a loucura e o medo de estar passando por um jogo na qual não se sabe se sairá vivo.

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Com relação aos personagens, não há um grande destaque aqui e todos funcionam juntos e com equilíbrio. De um lado há o grupo das vítimas que são Anna (Laura Vandervoot), Carly (Brittany Allen), Mitch (Mandela Van Peebles), Ryan (Paul Braunstein) e uma quinta pessoa que morre de imediato. Do outro lado, você tem o grupo que está por trás da investigação, como os detetives Halloran (Callun Keith Rennie) e Keith Hunt (Clé Bennett) e os legistas Logan Nelson (Matt Passmore) e Eleanor Bonneville (Hannah Emily Anderson). O público fica ciente dos atos que levam cada vítima ao jogo (uma das minhas partes favoritas de todos os filmes), mas também descobre as verdadeiras intenções por parte dos investigadores. Não posso falar muito sobre cada um, pois seria spoiler. Assista e descubra.

Afinal, Jigsaw morreu ou não?

Uma das grandes dúvidas do público era descobrir como os produtores, roteiristas e diretor trariam de volta o personagem principal, uma vez que ele está morto há anos. Pra quem não assistiu à franquia, o ator Tobin Bell interpreta John Kramer, um engenheiro civil bem sucedido que vê sua vida desmoronar quando sua casa é invadida por um bandido, sua esposa perde o bebê e, logo depois, ele descobre que está com câncer já em fase terminal. Com todos esses problemas vindo à tona, ele passa a refletir sobre o sentido da vida e quer que os outros também deem valor a isso. Assim, ele cria o persona Jigsaw, um assassino frio que faz pessoas mal intencionadas ou com grandes pecados nas costas passarem pelo seu jogo. Junto com sua caracterização, ele utiliza o boneco Billy (construído para o seu filho que infelizmente não nasceu) para transmitir suas mensagens e repassar os próximos passos do jogo.

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Como trazê-lo novamente? É aí que está a surpresa do filme, pois a grande virada da história explica não só as intenções de cada personagem, mas também a presença de John Kramer. O ponto alto de todos os Jogos Mortais é o plot twist, e Jogos Mortais: Jigsaw não deixa a desejar. A reviravolta é bem justificada e consegue surpreender o público. No início, o filme até entrega alguns fatos óbvios demais, mas quando o jogo muda, é possível compreender o desenvolvimento da narrativa (que também vai deixar alguns surpresos), como também o papel de cada um ali. Para não dar spoiler, vou parar por aqui, mas assista e sinta o prazer de descobrir as artimanhas desse jogo.

Considerações finais

Jogos Mortais: Jigsaw não é uma continuação do sétimo filme e ressuscita a franquia com um bom jogo, personagens equilibrados, um plot twist surpreendente e o retorno do famoso assassino do cinema. Além de trazer boas referências dos filmes anteriores, o novo longa cumpre em ser nostálgico e saudosista especialmente para os fãs. E aí, você quer jogar este jogo?

Ficha Técnica

Jogos Mortais: Jigsaw

Direção: Michael e Peter Spierig

Elenco: Tobin Bell, Laura Vandervoot, Matt Passmore, Callum Keith Rennie, Clé Bennett, Mandela Van Peebles, Brittany Allen, Paul Braustein, Hannah Emily Anderson, Josiah Black, Edward Ruttle, Michael Boisvert, Sam  Koules e Shaquan Lewis.

Duração: 1h32min

Nota: 7,5