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Resenha: Pai Em Dose Dupla 2

Divertido, sequência repete a fórmula do primeiro filme mais exagerado

Divertido e mais exagerado que o primeiro, Pai Em Dose Dupla 2 (Daddy’s Home 2) traz de volta Brad (Will Ferrell) e Dusty (Mark Wahlberg) em um status improvável de amizade e co-parentabilidade. No primeiro filme, acompanhamos a disputa desses dois pra ver quem era o melhor pai, mas agora, com essa nova amizade, eles dividem as tarefas, levam os filhos para escola e não esquecem de dar os presentes nas datas comemorativas. Tudo vai bem até que ambos decidem que as duas famílias vão passar o Natal juntos (Dusty é casado com Karen e padrasto de Adriana). Para incrementar o clima natalino, eles recebem a visita inesperada de Kurt (Mel Gibson), pai machista de Dusty, e Don (John Lithgow), o pai ultrassensível de Brad. Desprovido de qualquer qualidade paternal, Kurt promete por lenha na fogueira na rotina da família. À medida que as diferenças começam a aparecer, Brad e Dusty precisam trabalhar juntos para sobreviver ao Natal em família e provar que o estilo de pais modernos pode funcionar com eles.

Se em Pai em Dose Dupla, vemos uma rixa boa e engraçada entre Brad e Dusty, nesta sequência dirigida por Sean Anders, vemos que o acerto de contas rende bons frutos, pois além de dividir as atividades paternais, a amizade prevaleceu. Brad continua sensível, atencioso e bobo como sempre; já Dusty mostra mudanças mais drásticas, de um pai ausente e bruto para um pai presente, carinhoso, trabalhador e amigo. Pelo visto, a influência do padrasto dos seus filhos lhe fez bem, inclusive ele até casou novamente e, agora, sabe o que é ter uma enteada cujo pai também dá trabalho.

O filme continua legal, mas ganha uma dose de exagero dentro da história. O roteiro segue a mesma fórmula do primeiro, com as mesmas referências de cenas só que com novos personagens de peso. Por exemplo, há a típica cena do aeroporto com a descida de Kurt e Don pela escada rolante. Há também cenas ao estilo desenho animado, em que um pequeno erro ou descuido se transforma em um grande desastre, como quando Brad arranca acidentalmente todas as luzes de natal da casa.

Assista ao trailer de Um Lugar Silencioso

A disputa entre os pais também retorna, uma vez que os avôs estão presentes para aumentar a intriga e a concorrência. É engraçado ver a amizade de Brad e Dusty e, mesmo com personalidades extremamente diferentes, eles fazem a relação funcionar. Com a presença de seus pais, eles precisam mais do que nunca fazer toda a família funcionar juntos se quiserem ter um Natal em harmonia. E é com os contra tempos e as discussões que ambos provam se essa cumplicidade paternal é verdadeira. A química de Ferrell e Wahlberg funciona muito bem desde o primeiro filme e o nível não cai nessa sequência em nenhum momento, fazendo deles os pilares da trama.

Confesso que assim que vi o trailer, estranhei ver o Mel Gibson em uma comédia como essa, pois não acho que seja muito a cara dele. Aqui, Gibson praticamente interpreta ele mesmo e se encarrega de soltar piadas de cunho machista. Há uma determinada cena em que deixará a mulherada um pouco irritada. Eles poderiam ter reduzido a dose dessas piadinhas? Sim, mas também é possível relevar.

John Lithgow está extremamente fofo na pele de Don e nos proporciona cenas divertidas com o carinho exagerado que ele tem com Brad, como quando ele dá beijos na boca do filho, e sua alta sensibilidade com o frio, quando ele é atingido por várias bolas de neve durante uma briga.

Desta vez, Sara (Linda Cardellini) tem mais presença e atitude, se comparado com o primeiro filme, especialmente quando ela interage com Karen. No entanto, a personagem de Alessandra Ambrósio está bem apagada, dando a impressão de que ela é quase uma figurante na trama, com poucas ações e sempre escrevendo em um caderno, dando a justificativa de estar fazendo anotações para o seu novo livro.

As crianças continuam incríveis e divertidas, especialmente Dylan (Owen Vaccaro). Se no primeiro filme o garoto precisou lidar com o bullying que estava sofrendo na escola, agora, ele precisa explorar os seus sentimentos e lidar com o seu primeiro amor. Já Megan (Scarlett Estevez) e Adriana também estão boas, porém há duas cenas delas que podem ser consideradas um pouco inapropriadas, já que estão relacionadas a armas e álcool. Não vou ser hipócrita e dizer que não dei risada com as essas cenas, porém há certo peso em relacionar crianças com situações um pouco pesadas para elas.

Considerações finais

O final é divertido e se transforma em uma grande reunião de Natal em que todo mundo canta, dança, chora, se abraça e coloca as divergências e as discussões de lado. Pai Em Dose Dupla 2 repete a fórmula do primeiro filme com um tom mais exagerado. A sequência ganha um reforço de peso no elenco, os personagens funcionam e tornam a trama engraçada. Porém há cenas um pouco inapropriadas e piadas machistas que podem desagradar alguns, mas acredito que essa era a proposta do filme desde o começo. No geral, Pai Em Dose Dupla 2 é um entretenimento que vai divertir boa parte do público.

Ficha Técnica

Pai Em Dose Dupla 2

Direção: Sean Anders

Elenco: Will Ferrell, Mark Wahlberg, Mel Gibson, John Lithgow, Linda Cardellini, Alessandra Ambrósio, John Cena, Owen Vaccaro e Scarlett Estevez.

Duração: 1h38min

Nota: 6,9