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Marvel – O Justiceiro é visceral e de tirar o fôlego

Crítica do 6ª ao 13ª episódio

O Pipoca na Madrugada teve a oportunidade de assistir a todos os episódios de Marvel – O Justiceiro (The Punisher) nova série da Netflix, e já está disponível as primeiras impressões dos cinco primeiros episódios da série. No texto anterior, havia dito que a série estrelada por Jon Bernthal começa com um ritmo lento, não só para estruturar bem a história, como também para ambientar os personagens ao telespectador, podendo incomodar um pouco por enfatizar certos elementos, como a confiança do protagonista com os demais personagens. Mesmo com uma narrativa um pouco mais devagar, a série nos conquista de imediato e, assim que a base da história fica bem moldada, O Justiceiro acelera o ritmo e nos entrega episódios de tirar o fôlego!

****** CONTÊM SPOILERS ******

Marvel – O Justiceiro tem o seu grande ponto de virada no 6ª episódio e, após fazer uma apresentação bem detalhada de tudo o que precisamos saber, a série não mede esforços nas cenas sanguinárias. A partir daqui, o tom violento da série aumenta, o que a torna ainda mais impecável e realista, ou seja, não espere poderes e vilões místicos, como já vimos em Jessica Jones, Luke Cage ou Punho de Ferro. Frank enfrenta os obstáculos e combate os seus inimigos em perseguições angustiantes com muitos socos, chutes, facadas, flechas, tiros e bombas. Se você acha o Luke Cage indestrutível, espere só conhecer Frank Castle. 

É no 6ª episódio que descobrimos quem está do lado de Castle e quem não está. Infelizmente tenho que dizer que se você acreditou que Billy Russo era amigo de Frank, você se enganou. Mas não se sinta sozinho(a) nesse barco, pois também pensei a mesma coisa. Assim que a série revela que Russo trabalha para Rawlins, o telespectador passa a enxergar a série com outros olhos. Mas quem é Rawlings? Na época da Guerra do Vietnã, William Rawlings (Paul Schulze) - conhecido como General Orange - comandava a Operação Cérberus, uma tática que envolvia eliminar combatentes do lado oposto. Porém, a verdade é que essa operação era para traficar drogas e aqueles que descobrissem a verdade eram eliminados. Foi isso que aconteceu com o primeiro parceiro da agente Dinah Madani e, a partir daí, o pesadelo se tornou constante na vida de Frank. Assim que o telespectador compreende essa trama, as razões que levam Castle a virar o Justiceiro e fazer tudo o que faz até hoje ficam claras. Inclusive, o luto, a vingança e o descontrole emocional do personagem tornam-se ainda mais compreensíveis. Aliás, um dos pontos altos nessa segunda parte da temporada é a exploração do descontrole psicológico de Frank e a excelente interpretação de Bernthal. Não vou ficar descrevendo, mas só digo que a performance do ator fica infinitamente melhor da metade para o final da temporada.

Outro personagem que não fica a desejar e desperta raiva no telespectador é Billy Russo. Sem perder a pose ou sujar o seu impecável terno, Russo é frio, calculista e usa as táticas mais pesadas para atingir Frank, como a morte de sua família, isso sem contar no arsenal que ele tem disponível para eliminar as “pedras” que surgem no seu caminho. O cinismo e a hipocrisia são marcas registradas de Billy Russo. Mas a série não fica somente no patamar de mostrar o inimigo em conflito com os demais. O roteiro também abre espaço para conhecermos um pouco sobre o passado do antagonista que, por sinal, diz muito sobre quem ele é.

Terrorismo e desarmamento

Um arco muito interessante que a série desenvolve é sobre o personagem Lewis Walcott, interpretado por Daniel Webber que, por sinal, nos dá uma ótima performance. No começo, acompanhamos sessões ministradas por Curtis (Jason R. Moore) que reúnem ex-soldados com estresse pós-traumático para falar de suas experiências na guerra. É aqui que a série nos apresenta Lewis, um ex-combatente que se sente perdido dentro da sociedade por não saber mais qual é o seu papel, e também afetado por tudo o que passou na época em que foi alistado. A princípio, é possível pensar na possibilidade dessa história se tornar chata e completamente sem fundamento, afinal a série demora para colocar os ‘pingos nos is’. No entanto, os roteiristas jamais apresentariam um personagem à toa e, assim que um novo plot twist acontece, entendemos perfeitamente o papel de Lewis dentro da história.

O Justiceiro abre espaço para abordar assuntos como terrorismo, porte de armas e os efeitos colaterais que uma guerra pode deixar nas pessoas. Por meio de Lewis, o telespectador acompanha a construção do terrorismo, as razões que o levam a agir como um terrorista e os pensamentos daqueles que são a favor ou contra o desarmamento, o que rende um excelente episódio de desfecho para esse arco. 

É no 10º episódio que vemos a finalização do arco de Lewis, um excelente episódio, diga-se de passagem. Aqui, acompanhamos um ato terrorista, cuja trama é contada de frente para trás, em que o telespectador já presencia o que aconteceu e segue o caminho de como o ocorrido se sucedeu. O público acompanha a história sob o ponto de vista de cada personagem que se encontra no local do atentado que, quando se encontram, nos dão um novo plot twist repleto de traição e máscaras caindo.

O luto de Frank tem fim?

Outro ponto que achei interessante é que a narrativa usa a imagem de Maria, esposa de Frank, como uma espécie de símbolo para as decisões cruciais que o protagonista precisa tomar. Uma vez que ele sonha com sua amada e seus filhos, significa que a paz que ele tanto deseja está ali com eles. Mas será que essa paz não seja o caminho para o fim de Justiceiro?

Assim como vimos o que sucedeu para a transformação de Frank Castle em o Justiceiro, o último episódio nos revela o desfecho triste da família do protagonista. Mesmo seguindo um percurso violento, a série opta em não mostrar explicitamente como o assassinato aconteceu, mas nos entrega referências bem nítidas da tragédia. O embate final de Frank e Billy acontece no mesmo local onde tudo começou e esse final é agressivo e sensacional. Apenas assistam.

Considerações finais

A Netflix começou o ano com Punho de Ferro que, infelizmente, não agradou muitos. Amenizou a situação com Os Defensores, mas posso dizer que o serviço de streaming fecha muito bem o ano com Marvel – O Justiceiro, uma série que começa lenta e te surpreende de forma inesperada. O Justiceiro não só fala sobre a história do anti-herói, como também aborda outros assuntos, como os traumas de uma guerra, o surgimento do terrorismo e as divergentes opiniões sobre o desarmamento. Sem medir esforços, a série é bem violenta e sanguinária, com um excelente protagonista, vilões de alto nível e demais personagens que não ficam jogados na trama, muito pelo contrário, eles complementam e incrementam a história. A 1ª temporada termina de forma bem redonda e satisfatória, sem deixar pontas soltas. Ainda não se sabe se haverá uma nova temporada, mas acredito que a série seja renovada. Com certeza, vale a pena fazer uma maratona de Marvel – O Justiceiro. Eu fiz e não me arrependi.

Ficha Técnica

Marvel – O Justiceiro

Criação/Showrunner: Steve Lightfoot

Produção executiva: Jeph Loeb, Jim Chory e Steve Lightfoot

Direção: Andy Goddard, Dearbhla Walsh, Kevin Hooks e Stephen Surjik.

Elenco: Jon Bernthal, Ebon Moss-Bachrach, Ben Barnes, Amber Rose Revah, Paul Schulze, Deborah Ann Woll, Jason R. Moore, Jaime Ray Newman, Michael Nathanson, Daniel Webber, Shohreh Aghdashloo, Aidan Pierce Brennan, Andrew Polk, Delaney Williams, Jason Hite, Kobi Frumer, Mary Elizabeth Mastrantonio, Nicolette Pierini, Ripley Sobo, Shez Sardar e Lucca De Oliveira.

Duração: 1ª temporada – 13 episódios (50min a 60min aprox.)

Nota: 9,5 (do 6º ao 13º episódio)